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Sucesso em Olimpíada de Matemática eleva auto-estima de jovens na Fundação Casa

“A gente fica feliz com a gente mesmo”. É assim que João*, 18 anos, se refere à aprovação para a segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Assim como ele, mais de 888 mil alunos fizeram as provas da segunda etapa da competição no dia 12 de setembro e aguardam a premiação final para novembro.

Para João, no entanto, a alegria com o bom resultado representou uma conquista a mais. Nas próximas semanas, quando o adolescente deixar a unidade da Fundação Casa, onde cumpre há nove meses medida socioeducativa de internação, ele vai levar um novo estímulo para recomeçar a vida ao lado da família.

Agora, João espera concluir os estudos com um supletivo do Ensino Médio e tentar uma faculdade. “Eu ainda tenho vontade de fazer Engenharia. Sempre fui bom com leitura e matemática, mas não via os meus valores. Antes de eu entrar aqui, queria ser veterinário”, disse o jovem, que também pensa em estudar Direito.

Além de João, 558 adolescentes internados na fundação foram aprovados para a segunda fase. É o melhor resultado do órgão desde que começaram as olimpíadas. Na unidade em que João está, no Brás – zona leste da capital paulista –, dos 12 alunos que fizeram o teste, cinco foram classificados.

Pedro*, 17 anos, também se sentiu mais motivado com a aprovação. “Ter passado pela segunda [fase] já foi importante. Lá fora, eu não achava que ia conseguir passar numa prova importante assim. Aqui dentro, eu consegui. Eu ia até tentar [se estivesse lá fora], mas não ia me esforçar tanto”, contou.

Ele espera receber a notícia sobre o desempenho na prova já fora da fundação: “Tem meu filho lá fora que nasceu, e eu não vi. Mas foi bom parar para pensar. Estou pronto para ir embora. Vai fazer nove meses que estou aqui”. Quando foi internado, a mulher de Pedro estava com um mês de gestação.

A gerente escolar da Fundação Casa, Neuza Flores, destaca que a instituição busca inserir os adolescentes em atividades como esta, pois elas contribuem para fazê-los readquirir o interesse pelo aprendizado.

“Uma grande dificuldade que a gente tem aqui na chegada é fazê-los compreender a importância do conhecimento. Muitos têm muita dificuldade, mal conseguem ler e escrever. É preciso convencê-los da importância da aprendizagem”, diz Neusa.

Ela acredita que o reconhecimento em competições como a Obmep eleva a auto-confiança dos jovens: “É extremamente motivador, porque eles se sentem capazes. É uma forma de estímulo para a escola”.

Neuza explica que, além da contribuição à aprendizagem, essas atividades ajudam em outros aspectos, como o vínculo familiar: “Independente de estar dentro ou fora da fundação, que família não fica feliz de saber que seu filho passou para segunda fase?”.

João ficou feliz em compartilhar a notícia com a mãe e o tio. “Eles ficaram mais felizes por ver que eu gostei de ter passado na prova e vi que sou bom. Basta focar no que eu quero, estudar, que eu consigo”, disse o jovem. A gerente escolar destaca ainda que a decisão de participar da olimpíada, tendo em vista que a inscrição é voluntária, contribui para o encorajamento dos adolescentes.

João e Pedro contaram com um reforço digital para o aprendizado da matemática. O Método Khan está sendo utilizado como uma das atividades extras para os jovens desde o segundo semestre do ano passado por meio de uma parceria com a Fundação Lemman.

A agente educacional Mariza Souza Costa é tutora da ferramenta com os adolescentes. “O adolescente entra [na plataforma] e dentro das questões que ele consegue desenvolver, o sistema devolve outras para el. Vai aumentando o grau de dificuldade”, explica Mariza.

Pedro acredita que a plataforma o ajudou a ter mais confiança para a resolução da prova da Obmep: “É um jogo de matemática, que dá bastante iniciativa”, disse. Ele explica que as questões propostas no Método Khan funcionam como desafios e é preciso alcançar as metas.

 

Por Agência Brasil

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