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Sociólogo afirma que jovem brasileiro não é interessante para Estado Islâmico

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O sociólogo ressalta que os “escolhidos” são pessoas sem perspectivas de vida e que acabam sendo atraídos por uma ideia completamente errada do alcorão – foto: reprodução/AgBr

A operação Hashtag, deflagrada na última quinta-feira (21), pela Polícia Federal, em que dez pessoas foram presas, entre elas, um amazonense, por suspeita de ligação com o Estado Islâmico (EI), conhecido também como Isis – sigla em inglês para Islamic State of Iraq and ash-Sham (Estado Islâmico do Iraque e do Levante) – acendeu o sinal vermelho para possíveis alistamentos de brasileiros ao grupo terrorista.

Em conversa com o EM TEMPO, o sociólogo e especialista em Oriente Médio Lejeune Mirhan chama a atenção para o perfil das pessoas que buscam se aliar ao exército terrorista e a probabilidade de haver mais brasileiros envolvidos com o grupo e suas ideologias.

Segundo ele, os jovens com interesse em participar ativamente do grupo islâmico são influenciados por uma ideologia chamada Guerra Santa, na qual acreditam que os métodos usados por esse grupo podem modificar o mundo. Mirhan ressalta que na maioria das vezes os “escolhidos” são pessoas sem perspectivas de vida, que não enxergam oportunidades nos países em que vivem e acabam sendo atraídos por uma ideia completamente errada do alcorão.

“Os rebeldes que são convocados a entrarem no grupo islâmico acham que são muçulmanos e fundamentalistas. Eles geralmente não são sociáveis e só se relacionam entre eles. Interpretam o alcorão de uma forma exatamente literal. Acham que aderindo a essa guerra vão ter assegurada entrada direta no paraíso. Mas estão totalmente enganados, não se pode entrar no paraíso cortando cabeças. Os muçulmanos não pregam nada disso, é uma religião tolerante, não são nem Estado e nem islâmico”, frisa.

Sobre a participação de brasileiros no exército terrorista, Mirhan destaca que em 30 anos nunca houve relatos da participação de pessoas que sejam da América Latina. Em casos específicos, houve recrutamentos de pessoas em favelas do Rio de Janeiro, mas com perspectiva de trabalho ou financiamento.

Ainda segundo o especialista, o interesse do Estado Islâmico tem sido voltado para integrantes que sejam do mesmo local de guerra ou europeus.

Para ele, os brasileiros não podem ser considerados terroristas, e sim jovens equivocados que ficam atraídos por essa ideologia, por uma vontade de ajudar, de aderir, mas sem vínculo nenhum.

“O foco de atenção do Isis não é jovem da América Latina ou da América do Sul. Ainda mais do Brasil. O foco deles de ação são do próprio local de guerra, onde eles atacam o Iraque e agridem a Síria e a Europa. Os países europeus bombardearam os países árabes, então eles nutrem um ódio especial contra esses países europeus. É completamente fora de foco o alistamento de pessoas brasileiras, não há registro de movimentos árabes e islâmicos de células aqui no Brasil que tenham interesse de fazer atos terroristas. O jovem daqui querer ir lá para a Palestina lutar a favor deles é uma coisa. Agora pegar em armas, ganhar um salário e agredir um povo é outra situação”, avalia.

Mirhan salienta que durante a apreensão de rebeldes, feitas pelo governo da Síria, até o momento não foi localizado nenhum brasileiro. Também não são sírios lutando contra sírios, mas sim de outros países atraídos por uma ideologia de luta por religião.

“Esses rebeldes que entram no território Sírio, armados, muitas vezes são mortos em combate e outros aprisionados. Durante essas prisões, o governo detectou ao menos 84 nacionalidades. Nesse achado de nacionalidades, nunca houve relatos da participação de brasileiro. Então, não podemos afirmar que não existe a possibilidade de alistamento de brasileiros, mas a participação ativa nesses grupos terroristas é quase nula”, salienta.

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Em relação à prisão dos supostos terroristas, ocorrida esta semana, no país, Lejeune duvida que exista de fato alguma ligação deles com o Isis. O que pode estar ocorrendo, segundo Mirhan, é uma autopropaganda do governo para promover as ações de combate aos atos de terror durante os Jogos Olímpicos. “Aqui no Amazonas não existem relatos de recrutamento. Na verdade, estamos duvidando dessas pessoas que foram presas no Brasil”.

Por Gerson Freitas

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