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Sob pressão de milhões de brasileiros, Temer enfrentará desafios para se manter no poder

O  vice-presidente terá apenas seis meses para contornar uma grave crise financeira - foto: divulgação

O vice-presidente terá apenas seis meses para contornar uma grave crise financeira – foto: divulgação

N o comando do país, desde o afastamento da presidente Dilma Rousseff pelo Senado na última quinta-feira, o presidente interino Michel Temer (PMDB-SP), tem um grande desafio nestes 180 dias que “ganhou” para governar o Brasil: provar que pode colocar a nação nos eixos e, dessa forma, permanecer no cargo até o final do mandato, em 2018, sepultando os desejos de Dilma e do PT de retornar ao poder.

Como o governo petista é responsabilizado por parte da opinião pública pela atual crise financeira, analistas apostam que se Temer tiver êxito nesse campo, poderá aumentar a pressão contra o retorno de Dilma ao Palácio do Planalto. No entanto, serão apenas seis meses para contornar uma grave crise financeira. O EM TEMPO conversou com especialistas para traçar quais são esses desafios e o que Temer poderá fazer para superá-los.

O professor de ciência política e coordenador do MBA Relações Institucionais do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais do Distrito Federal (Ibmec/DF), Márcio Coimbra, sustenta a tese de que existe correlação entre o êxito do novo governo e a perda definitiva de mandato de Dilma Rousseff. “Foram 55 votos no Senado pelo impeachment. É uma margem muito pequena. Qualquer vacilo poderá fazer essa maioria mudar de lado. Fosse apenas isso, a chance seria mínima, mas há o imponderável: a Lava Jato. Se a operação arrastar um ou mais membros da nova administração, a pressão entre os senadores para a queda de Temer será maior. E queda no sentido de perda de mandato, via Tribunal Superior Eleitoral, o que significa a convocação de eleições gerais”, explicou. Além disso, o presidente interino nomeou sete ministros que são investigados na Lava Jato.

Sob este cenário de insegurança, o maior problema do governo Temer ao reestruturar a economia será o tempo. O presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Júlio Miragaya, afirma que o maior desafio do peemedebista neste período será aliar a retomada do crescimento econômico com a manutenção de benefícios sociais. “O governo tem 180 dias para cumprir com a sua promessa, de retomar o superávit ao mesmo tempo que reduz a inflação e o desemprego, retomando o crescimento. A tarefa não é fácil. Quando falamos de desafio, é porque de fato é algo extremamente complexo”, analisou.

Para Nilton Belz, mestre em Economia e bacharel em Administração de Empresas e em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a articulação política será fundamental para manter a situação no Congresso sob controle. “Michel Temer monta seu apoio político considerando a nova votação do impeachment no Senado, sendo necessários, desta vez, dois terços de votos dos senadores. A política econômica será delineada neste contexto. O risco político precisa ser minimizado, pois tem afetado diretamente a economia e os investimentos”, observou.

Soluções

A palavra “ajuste” é consensual entre os analistas ouvidos. Para eles, Temer terá de sacrificar algum setor para poder reaquecer a economia do país. “Considerando os últimos doze meses, o déficit primário do governo central situa-se ao redor de 2% do PIB e o déficit nominal do setor público alcança o patamar de 10% do PIB. A folha de pessoal e a previdência e assistência social de ativos e inativos atinge 64% das despesas primárias da União. Somente 8,3% do total das despesas são contingenciáveis e não precisam de autorização do Congresso para alteração”, explica Nilton Belz.

Júlio Miragaya aposta que a conta recairá no bolso do contribuinte. Resta saber sob qual classe. “É improvável que a conta chegue aos programas sociais. O problema é que, no Brasil, a maior parte da carga tributária incide sobre a produção e o consumo, o que acaba afetando diretamente a economia. Ela deveria ter maior incidência sobre a arrecadação e as fortunas. O problema é que isso afeta interesses de classes mais ricas”, avisou.

Nilton Belz também concorda com a tese da urgência dos ajustes na economia. “As reformas são necessárias e urgentes, porém complexas. Um ambiente de confiança é essencial para a população e os investidores, assim como medidas inteligentes e de impacto imediato de retomada da economia brasileira. Assim, os juros e a inflação tenderão à moderação e os empregos serão restabelecidos, com um crescimento sinalizado de forma sustentável e de longo prazo”.

Por Fred Santana

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