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Economia Manaus tem a quarta cesta mais cara do país
08/02/2010
Foto: Marcel Mota
![]() Manaus tem uma das cestas básicas mais cara do País
Andrés Pascal Especial para o EM TEMPO Um ano após registrar o maior índice na capital amazonense, o custo da cesta básica em Manaus sofreu uma redução significativa ao longo do último semestre, e o conjunto dos 12 produtos fechou o mês de janeiro no valor de R$ 216,53. Porém, de acordo com o levantamento mensal realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), as frequentes quedas não foram suficientes para evitar que Manaus ocupasse a quarta posição entre as cestas mais caras do país. Em janeiro de 2009, poucos meses após o início da pesquisa em Manaus, o custo da cesta básica era de R$ 228,28, valor que se mantêm até hoje como o mais alto de todo o histórico. De lá para cá, produtos com importante peso no dia a dia do amazonense sofreram sequentes reduções, o que ajudou a aliviar os gastos com alimentação da família manauara. “O feijão é o exemplo mais claro, pois neste período ele acumulou uma queda de 39,99%”, disse a coordenadora do Dieese no Amazonas, Alessandra Cadamuro. De acordo com a pesquisadora, o conjunto dos 12 produtos sofreu uma redução de 5,15% na variação anual, enquanto nos últimos 15 meses (tempo em que o estudo é realizado em Manaus) essa retração chegou a 2,28%. Coincidência, ou não, os valores mais altos do índice foram registrados na época em que a crise econômica vivia o seu momento mais delicado. Questões climáticas também foram determinantes para o aumento excessivo de alguns produtos neste período. Mas apesar dos números positivos obtidos em janeiro deste ano, o custo da cesta básica no primeiro mês de 2010 foi 0,27% superior ao registrado no mês anterior. O percentual é considerado irrelevante pela coordenadora do Dieese no Amazonas, mas ela não deixou de apontar os principais responsáveis por este crescimento, o açúcar e a banana prata. “No caso do açúcar o aumento de 8,88% foi por culpa da entressafra da cana, somada à questões climáticas e a alta demanda do produto no mercado externo”, explicou. Além dos dois produtos, quem se destacou como um dos principais vilões do consumidor nestes últimos 12 meses foi a farinha de mandioca, que acumulou a maior variação neste período, 30,20%. Quando analisado o comportamento dos preços nos últimos 15 meses a diferença é ainda maior, 42,93%. Para Cadamuro, este produto foi quem apresentou um histórico mais complicado, pois as mudanças climáticas influenciaram negativamente em quase todos os períodos do ano. “Na época da seca a produção ficou prejudicada porque os produtores ficaram isolados e sem possibilidade de escoar o produto. Quando chegou a época das chuvas as casas de farinha ficaram alagadas, e boa parte da produção foi perdida. Portanto, o preço não parou de crescer”, comentou. Em janeiro a variação foi de 3,95% na comparação com o mês anterior. Na opinião da pesquisadora, este valor ainda deverá crescer nos próximos meses do ano. Com esses números, Manaus subiu uma posição no inglório ranking das cestas mais caras do país. Atualmente, ela perde apenas de Porto Alegre, São Paulo e Brasília. E vale lembrar que o índice subiu em dez das 17 capitais estudadas pelo Dieese em janeiro. Outro ponto importante de ser lembrado é de que a cesta básica em Manaus conta com um item a menos que outras capitais, o macarrão. A iguaria não é considerada de consumo diário do amazonense, portanto não entrou no estudo. Baseada na cesta mais cara do país que, em janeiro, foi novamente Porto Alegre (R$ 236,55), o Dieese também definiu o salário mínimo ideal para o brasileiro, que em janeiro foi de R$ 1,9 mil. Este levantamento tem como base a determinação constitucional que estabelece itens básicos para a sobrevivência do trabalhador, como alimentação, moradia, educação, transporte, lazer e previdência. Outra informação inclusa no estudo é de que o trabalhador amazonense gastou 46,15% do seu salário mínimo com as compras da cesta básica. Além disso, Alessandra Cadamuro explicou que a alimentação básica para uma família manauara, formada por dois adultos e duas crianças, custou R$ 649,59. Esse valor equivale, aproximadamente 1,27 vezes o salário mínimo vigente, fixado pelo governo federal em R$ 510. “No mês passado esse valor foi de R$ 647,82”, lembrou. Pesquisa regional Por fim, a coordenadora disse que o Dieese pretende ampliar o estudo da cesta básica em Manaus, incluindo na pesquisa o número expressivamente maior de itens. A nova pesquisa teria, inclusive, elementos característicos da região, como o peixe. No entanto, para que isto aconteça o departamento busca parcerias com os governos locais. “Hoje a pesquisa é feita por uma única pessoa. Para aumentar o levantamento para 32 itens precisaremos de uma estrutura maior”, concluiu. COMENTÁRIOS
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