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Sindicato dos rodoviários é denunciado pelo desvio de FGTS

A denúncia foi apresentada ao EM TEMPO por um ex-integrante do sindicato e ex-funcionário da Global, Renê Aldeir Rodrigues - foto: Marcio Melo

A denúncia foi apresentada ao EM TEMPO por um ex-integrante do sindicato e ex-funcionário da Global, Renê Aldeir Rodrigues – foto: Marcio Melo

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM) está sendo acusado de atuar em um grande esquema de fraudes que vão desde a manipulação da categoria para a realizações de greves até conivência com o desvio do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos trabalhadores. Essa última acusação envolve também a empresa Global GNZ Transportes Ltda., que seria coautora do esquema juntamente com alguns diretores do STTRM.

A denúncia foi apresentada ao EM TEMPO por um ex-integrante do sindicato e ex-funcionário da Global, Renê Aldeir Rodrigues, munido de diversas fotocópias de documentos, que supostamente comprovariam as fraudes. Ele afirma ter obtido tais cópias no período em que prestava serviços às empresas de transporte coletivo, como motoboy ao mesmo tempo em que era sindicalista.

De acordo com o ex-funcionário, o dinheiro do FGTS é recolhido, mas não é repassado à Caixa Econômica Federal, banco que detém por lei o recurso em favor dos trabalhadores. Segundo ele, o espelho dos contracheques dos rodoviários sempre acusa quantias irrisórias ou simplesmente não acusa o depósito do benefício. Dentre as cópias apresentadas por ele, estão termos de Confissão de Compromisso de Pagamento de FGTS em nome da Global Transportes no valor de R$ 1.180.809,09, referentes ao período de maio de 2012 a junho de 2013. As parcelas de quitação da dívida, observa o ex-funcionário, não estão sendo pagas.

Além da Viação Global, também há termos de compromisso em nome de empresas como a Transportes São José Ltda., que deve o equivalente a R$ 3.474.270,54 (referente ao período de julho de 2003 a junho de 2005) e a Auto Viação Vitória Régia Ltda., com dívidas calculadas em R$ 341.755,70 (referente ao período de maio de 2010 a junho de 2013) e R$ 17.417.261,11 (referente a vários processos no período entre 2004 e 2013).

De acordo com o ex-sindicalista, o destino da contribuição sindical de cada trabalhador da categoria também é uma incógnita. O dinheiro do FGTS estaria nos paraísos fiscais das Bermudas e ilhas Cayman. A comprovação, da remessa de valores, seria as cópias de cinco contratos de câmbio de envio de dinheiro para os dois países, firmados pela sede, no Rio de Janeiro, da Global CNZ Transportes em valores que variam entre R$ 100 mil a R$ 1 milhão, apenas entre maio e outubro de 2015.

O ex-presidente do STTRM, Josildo Oliveira, e o atual presidente da entidade, Givanci Oliveira, foram procurados pelo EM TEMPO, para apresentar  suas versões, sobre as acusações. Mas, até o fechamento desta edição, ambos não se pronunciaram. O mesmo aconteceu com o proprietário da Global GNZ Transportes Ltda., Cláudio de Alvarez Flores.

Greves seriam forjadas

Renê Aguiar afirma que as greves sistemáticas promovidas pelo sindicato têm aval das empresas de transporte da cidade. “Os empresários afirmam que estão no vermelho, mesmo com todas essas remessas de dinheiro para fora do país e dizem que não podem pagar ou reajustar o salário dos trabalhadores. O sindicato sabe desse desvio e mesmo assim manipula a categoria para pressionar o prefeito de Manaus a ceder reajustes da tarifa”, garante.

O ex-rodoviário afirma desconhecer detalhes internos do esquema, como percentual que cada um dos envolvidos lucra com os desvios. No entanto, Renê cita nominalmente o atual presidente do Sindicato, Givanci Oliveira, como alguém envolvido e beneficiado diretamente com o esquema. “Ele, Givanci, chegou inclusive a viajar com despesas pagas por empresários para o Rio de Janeiro”, pontua.

Represálias e perseguições

Após a constatação das irregularidades, Renê procurou a Polícia Civil e o Ministério Público Federal (MPF/AM) para denunciar o esquema de desvio de dinheiro. A partir de então, o ex-sindicalista assegura que passou a sofrer retaliações.

“Quando viram que eu comecei a denunciar as irregularidades, os dirigentes do sindicato foram até a empresa onde eu trabalhava para forçar a minha demissão”, relata. Ele afirma ter sofrido agressões físicas de grupos supostamente ligados aos rodoviários. Atualmente afastado das suas funções em virtude desse contexto, Renê é vendedor autônomo.

1 Comment

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  1. Jorge

    23 de maio de 2016 at 08:19

    O trabalhador e sempre manipulados aos interesses de ALGUNS pilantras!
    Cadeia neles!

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