Opinião

Sindicato de aloprados

Não só os partidos políticos são atropelados pela sociedade civil “desorganizada”. Desde junho do ano passado, até o governo federal e seus aparelhos de Estado têm sido surpreendidos pelas ações de “desobediência civil” por setores cada vez mais descrentes, embora confundam governo com Estado. Os sindicatos, faz tempo, também estão sendo levados por esse tsunami, emancipados das demandas dos seus representados.

A paralisação do Centro de Manaus nesta quinta-feira, no entanto, por um ato voluntarioso de um “líder” removido da presidência do Sindicato dos Rodoviários pela Justiça do Trabalho, não se enquadra nesse novo contexto.

O grupo contrariado do sindicato dos trabalhadores nas concessionárias do transporte coletivo da cidade segue como exemplo o prontuário do mais antigo peleguismo, condição que parecia ter sumido das novas relações entre trabalho e capital. O pelego é o oportunista de plantão. Seu empenho de mafioso está em dar vazão ao ressentimento de quem não se reconhece cidadão, nem faz questão disso, muito pelo contrário, se satisfaz em ficar à margem, preferivelmente, na sombra.

Os sindicatos dos trabalhadores e suas confederações não foram poupados pelas mudanças nos modos de produção e nas relações de trabalho dos últimos 40 anos de capitalismo. O próprio trabalho sofreu transformação. Os sindicatos, no entanto, permanecem entre o fim do século 19 e o princípio do século 20.

E quando sindicalistas começam a frequentar as salas dos patrões estão desconectados das bases, como os partidos políticos. Nada mais incongruente do que ouvir de um político  que ele vai ouvir as bases – sua base política, com mais certeza, é mais em cima.

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