Saúde e Bem Estar

Sinais comuns podem indicar intolerância alimentar

A intolerância alimentar ocorre quando o organismo não é capaz de digerir nutrientes presentes em determinados alimentos. A presença desse nutriente no intestino consequentemente provoca sintomas restritos ao sistema digestório como diarreia, gases e desconforto. A explicação é da nutricionista Jovana Benoliel Araújo, mestre em Ciência dos Alimentos e especialista em obesidade e emagrecimento.

De acordo com ela, esse tipo de reação é muito individual, mas existem alimentos em que geralmente há uma ocorrência mais comum, como leite de vaca e seus derivados, leite de outros mamíferos como cabra e búfala, além de castanhas, peixes, frutos do mar, trigo (glúten), soja e ovo. “Podem haver reações cruzadas entre eles ou até mesmo com outros alimentos”, acrescenta.

Caso não seja tratada, a intolerância alimentar pode causar desidratação, deficiências nutricionais e perda da qualidade de vida, alerta a especialista. “O tratamento é multiprofissional. O médico se faz necessário para o diagnóstico adequado e a prescrição dos medicamentos para combater os sintomas. O nutricionista é fundamental também, uma vez que faz parte do tratamento a exclusão dos agentes agressores, no caso, os alimentos”, orienta.

A partir do diagnóstico, é preciso que o paciente passe a ter cuidado na escolha dos alimentos, observando a sua composição. “Ele será orientado na leitura e interpretação dos rótulos dos alimentos industrializados, nas substituições a serem feitas de modo a equilibrar a alimentação com a retirada do alimento causador dos sintomas e, em casos necessários, a devida suplementação de algum nutriente”, aponta Jovana Benoliel.

As intolerâncias, ainda segundo a nutricionista, podem ou não ser reversíveis. “Tudo depende do que causa a intolerância. Se for secundária a uma outra doença, quando esta doença é curada, a capacidade digestiva do nutriente é reestabelecida. Agora se a não for por causa de uma doença, mas sim porque o organismo realmente não tem capacidade de digerir o nutriente de determinado alimento, então não tem como reverter. Mas em ambos os casos, seja temporária ou permanente, os cuidados são os mesmos, conforme indiquei”, esclareceu.

Alergias

Jovana Benoliel ainda explicou a respeito de alergias alimentares e no que elas diferem das intolerâncias. “No caso de alergia ou hipersensibilidade alimentar, há o envolvimento do sistema imunológico, o que não acontece com quem é resistente a determinados alimentos. “O organismo não reconhece o nutriente ingerido e passa a tratá-lo como um corpo estranho, acionando as nossas defesas para combater o ‘invasor’”, disse.

Dificuldade no diagnóstico

O chef Silas Freitas estava concluindo a faculdade de gastronomia quando, há cerca de quatro anos, se deparou com os sintomas apresentados pelo filho Davi Lucas, à época com três anos, e conta que até chegar ao diagnóstico de intolerância a glúten, obtido somente em um hospital de Curitiba, passou por momentos de aflição. “Ele sentia dores de barriga e sofreu com vômitos e diarreia. Mas quando o levava aos médicos daqui de Manaus, eles apenas prescreviam Luftal (medicamento para tratar de gases) e não sabiam atestar o problema”, conta. Depois de saber que Davi Lucas era celíaco, como é chamado quem sofre de intolerância a glúten, Silas se especializou em segurança alimentar e hoje prepara sob encomenda alimentos destinados a esse público específico. Ele divulga seu trabalho na página “Sem Glúten Sem Lactose Manaus”.

Kássio Nunes
EM TEMPO

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