Dia a dia

Simpósio em Manaus discute mudanças climáticas na região Norte

Organizado pelo Cindacta IV, evento debateu a influência das mudanças climáticas nos dois últimos anos - foto: Gerson Freitas

Organizado pelo Cindacta IV, evento debateu a influência das mudanças climáticas nos dois últimos anos – foto: Gerson Freitas

Chuvas e estiagens intensas e prolongadas não são senso comum entre meteorologistas no Amazonas. Para uns, a tendência é haver temporais e secas mais rigorosos e por um período prolongado. Outros afirmam que o clima na Amazônia depende de fenômenos climáticos que ocorrem, como o El Niño, por exemplo. Reunidos em Manaus no 3º Simpósio de Meteorologia, com o tema “Mais Quente; Mais Seco; Mais Úmido. Encare o Futuro”, os meteorologistas não foram capazes de estimar se as chuvas serão mais intensas, em Manaus.

De acordo com o chefe da subdivisão de meteorologia do Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta IV), tenente da Aeronáutica Fabrício Queiroz, o efeito estufa tem influenciado nas diversas mudanças climáticas registradas nos últimos dois anos. A tendência de acordo com Queiroz é que a temperatura aumente nos próximos anos, previsão essa que não pode ser confirmada no caso das chuvas. “Este ano, a temperatura teve alta de um grau Celsius. Todo ano existe esse evento para discutir essas mudanças climáticas que estamos percebendo agora. Maiores secas, maiores cheias, isso em diversos setores do Brasil e do mundo. Se não for tomada nenhuma providência, a situação tende a piorar cada vez mais”, frisou.

O meteorologista destacou que desde 2015 o sistema climático vem sofrendo impactos intensos do fenômeno El Niño. Situações que não eram registradas pelo menos nos últimos 30 anos. Além disso, o lançamento dos gases na atmosfera também vem contribuindo para essas mudanças. “Chamamos a atenção da comunidade científica para se achar uma solução. É preciso que esse assunto seja cada vez mais discutido”, observou.

Por outro lado, o meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ivan Saraiva, afirmou que as estiagens e cheias cada vez maiores não são tendências para os próximos anos. Ele salientou que esses fenômenos estão passando por um período do El Niño que é um fenômeno climático que provoca e interfere na precipitação da região, mas a tendência é que ele sofra enfraquecimento e que as precipitações retornem às normalidades. “Estamos vendo que na região de Manaus voltou a chover novamente dentro do esperado. É difícil definir uma previsão nessa questão das mudanças climáticas, pois existem várias vertentes. Esses fenômenos El Niño e La Niña ocorre de tempos em tempos, causando essas perturbações. Esse ano ainda estamos sob influência do El Nino, então é normal registramos níveis baixos de chuvas. Já para os próximos anos ainda não tem nada que defina o clima”, concluiu.

O tenente-coronel da Aeronáutica Sandro Benedet, do setor de operações do Cindacta IV, ressaltou a importância do clima não somente para a população, para o mundo, mas para as operações aéreas. O especialista salientou que em eventos passados já foram discutidos projetos para amenizar essa situação, mas que até o momento não foram adotados. “Temos plena convicção de que estamos no limite. Se não tomarmos nenhuma atitude, o clima não irá afetar somente a humanidade, mas toda a estrutura da aviação. Hoje estamos reunidos para discutir ações queN possam ajudar a reverter ou pelo menos paralisar os efeitos climáticos que estão prejudicando os sistemas. Temos vários subclimas dentro da nossa Amazônia gigante, que corresponde a 60% do território nacional. Nesse simpósio, o nosso objetivo é reunir todas as cabeças pensantes para chegarmos a uma conclusão de melhorar as nossas previsões”, disse.

Por Gerson Freitas/Equipe do EM TEMPO

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