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Simplicidade e emoção na despedida de menino que morreu ao cair em bueiro na Zona Leste de Manaus

A cerimônia de velório durou pouco mais de quatro horas – foto: Márcio Melo

A cerimônia de velório durou pouco mais de quatro horas – foto: Márcio Melo

Após um mês de angústia e sofrimento, a espera pela despedida do pequeno André Pereira, 7, que morreu dia 24 de abril, ao cair em um bueiro no bairro Amazonino Mendes, Zona Leste, acabou na manhã desta quarta-feira (23). Uma séria de procedimentos burocráticos foi necessária para que o Instituto Médico Legal (IML) liberasse, por volta das 8h de hoje, o corpo do menino para ser velado e sepultado pela família.

Durante a breve cerimônia de velório, que durou pouco mais de quatro horas, o pai de André, Deivison Lúcio, que não se afastou do caixão em nenhum momento e estava visivelmente cansado e abalado, disse, em poucas palavras, que mesmo sentindo a pior dor da sua vida, estava aliviado por consegui enterrar seu filho com dignidade.

“Foram longos dias de espera. Dias de angustias, de sofrimento, de aflição. Isso era uma tortura para nós, ainda mais depois de todas as acusações que foram feitas sobre a minha conduta de pai. Eu sempre cuidei dele, com todo amor, com toda dedicação. Eles queriam achar um culpado. Tudo que eu escutei dessas pessoas dá a entender que eu peguei meu filho e joguei no bueiro. Jamais e em momento algum faria uma coisa dessas com a pessoa que eu mais amo nessa vida”, desabafou.

A tia do menor André, Raquel Martins, reforçou o comentário do pai e disse que todo esse sofrimento da espera pela liberação do corpo poderia ter sido evitado. Ainda segundo ela, o desgaste da incerteza do dia da despedida deixou a família durante um mês e um dia, com todas as atividades rotineiras paralisadas.

“Vivemos um pesadelo. Todos os documentos que foram pedidos, nós entregamos para o IML. Sempre ficávamos naquela expectativa de liberar o corpo, mas nada acontecia. Não posso dizer que estamos felizes com essa liberação, até porque estamos enterrando o nosso amado André, mas estamos aliviados. A família estava muito transtornada, foi uma luta muito difícil. Sabemos que esse órgão tem os transmites legais, mas provamos de todas as formas que o André era da nossa família e mesmo assim não agilizaram o processo. Ficamos sim revoltados com essa situação. Todo esse sofrimento poderia ter sido encurtado”, salientou.

Raquel comentou ainda que acha injusta a acusação de abandono de incapaz, lançada ao pai da criança, uma vez que fatalidades iguais a que aconteceu com André são vistas com frequência.

“Depois do acidente com meu sobrinho, mais duas crianças caíram no bueiro e morreram também. Mas fiquei sabendo que os pais não foram acusados pela morte das crianças. Então porque estão acusando o Deivison? Será que só ele pode ser julgado por abandono de incapaz? Ele simplesmente chamou o filho para brincar na chuva, já que essa é a única diversão de pessoas de baixa renda, e infelizmente aconteceu essa tragédia. Ninguém é culpado de nada. Apenas estavam no lugar errado, na hora errada”.

Antes do enterro, que aconteceu por volta das 13h, no cemitério Nossa Senhora de Aparecida, localizado no bairro Tarumã, o corpo do menor percorreu algumas ruas da comunidade onde morava para receber as últimas homenagens dos moradores, amigos e vizinhos que lamentaram a partida precoce de André.

Por Gerson Freitas

1 Comment

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  1. Rosângela Bentes Campos

    25 de maio de 2016 at 17:28

    Negligência e descaso do poder público. Um absurdo que tantas vidas sejam interrompidas por causa dessa indiferença com a população periférica da cidade. Não tem perdão. A culpa é exclusiva do poder público, que tem que responder por essa odiosa omissão.

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