Eleições 2016

Silas e Hissa apresentam planos de gestão iguais

Propostas voltadas para a melhoria da mobilidade urbana, construção de creches, hospitais da Criança e do Idoso, criação de subprefeituras. Esses são apenas um pequeno esboço dos programas de governo que os nove candidatos a prefeito estão apresentando aos eleitores de Manaus. Entretanto, as mesmas propostas podem ser encontradas com textos ou expressões diferentes nos planos de governo de cada um dos prefeituráveis. É como se um tivesse tido a mesma ideia do outro.

Em 17 dias de campanha eleitoral em cadeia de rádio e televisão, os candidatos têm apresentado pouco ou quase nada de propostas inovadoras ou exclusivas. Silas Câmara (PRB) e Hissa Abrahão (PDT), por exemplo, duelam no horário gratuito e na campanha de rua para ver quem tem a melhor proposta a respeito da criação de subprefeituras em Manaus. Ambos defendem a mesma ideia.

O mesmo acontece num dos grandes problemas de cidade grande: a mobilidade urbana. Todos os candidatos apresentaram propostas semelhantes para solucionar a questão. Mas, nenhuma é uma ideia original, já que foram apresentadas em períodos anteriores e nunca saíram do papel, como o BRT (Bus Rapid Transit), o transporte aquaviário, o Veículo Leve sobre Trilho (VLT) e o corredor exclusivo.

Na Educação, as propostas giram em torno de mais creches e mais investimento no ensino para deficientes auditivos. Já na Saúde, os destaques vão para o atendimento médico em residências, construção de mais Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e convênio com farmácias.

A gênese das propostas de governo, salientou o cientista político Carlos Santiago, é resultado de consulta popular, e é nesse momento que o eleitor tem que investigar a história de cada um para ter certeza de que o escolhido será aquele que irá cumprir com o prometido durante a campanha eleitoral.

De acordo com Carlos Santiago, as campanhas hoje estão muito profissionalizadas e cada candidato possui equipes de marketing e pesquisa que vão junto à sociedade identificar os grandes gargalos e os problemas da cidade que devem ser resolvidos. A partir daí, os candidatos elaboram o plano de governo e divulgam para os seus programas na rádio e televisão.

“Quando você vê o problema da água, mobilidade urbana, transporte coletivo e falta de escolas. Tudo isso é identificado e nada disso é colocado de forma sem fazer uma pesquisa. O que vai diferenciar é quem fala, porque as propostas são praticamente iguais. Ninguém ali está dizendo que não vai resolver o problema de transporte. Todos estão afirmando vão melhorar, ou seja, quem já foi prefeito e não fez se diferencia negativamente de quem ainda não foi e está propondo”, diz Carlos Santiago.

O especialista ressalta que, neste momento das eleições, não há candidatos que se sobressaem com suas propostas e, sim, os eleitores, já que há um conhecimento de que as propostas dos políticos são as mesmas. Segundo ele, o momento agora é do eleitor, que deverá tomar a decisão de indicar o melhor caminho. “Não tem como esperar que o político seja correto e verdadeiro. O eleitor tem que analisar o perfil de cada candidato. Exemplo: mobilidade urbana, melhorar o transporte coletivo, quem está prometendo? Todos os candidatos. Então, devo investigar se na história deles há ligações ou até mesmo lutas referentes a esse tema. O mesmo para educação, e assim em todas as outras áreas. Dizer que vai fazer e que tem ética, todos vão falar. Cabe ao eleitorado investigar se de fato pode solucionar esse problema”, ressaltou.

Subprefeituras

Os candidatos Silas Câmara e Hissa Abrahão têm uma proposta em comum nos seus planos de governo, que é a descentralização da prefeitura, criando quatro subprefeituras nas zonas de Manaus, para ter proximidade com a população.

“Já existe na Lei Orgânica do Município (Lomam) a autorização para serem criadas essas subprefeituras, mas o que acontece é a falta de vontade política, porque criar isso é dividir poder. Vamos esperar quem ficará encarregado de finalmente fazer aquilo que é preciso”, disse Carlos Santiago, aconselhando os eleitores a fazer uma investigação no perfil dos candidatos – o que eles já fizeram e quais lutas obtiveram vitória.

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