Eleições 2016

Silas afirma que, se prefeito, irá priorizar a população manauara

Silas-Diego-Janata

Silas afirma que a prefeitura em seu mandato irá proporcionar o empoderamento da população de Manaus – foto: Diego Janatã

Formado em teologia, o pastor e presidente das igrejas Assembleia de Deus no Amazonas, deputado federal Silas Câmara (PRB), é um dos candidatos à vaga de prefeito de Manaus. Para conquistar o voto da população, dois dos itens de maior inovação no plano de governo apresentado são a segurança pública e a criação de subprefeituras, que atuarão junto a conselhos comunitários para receber a opinião da população sobre os serviços prestados e o que pode ser melhorado na gestão.

Com origem humilde e identidade cristã, Silas afirma que a honra será um dos princípios bíblicos que nortearão sua gestão, caso eleito. Apesar da influência religiosa e política, o candidato assume que as duas esferas não se discutem, mas que o político e o religioso são cidadãos.

EM TEMPO – O senhor fala muito no plano de segurança. Esse é o principal item da sua plataforma de governo?
Silas Câmara – É um conjunto de iniciativas que estão pautadas no resultado de mais de 130 reuniões comunitárias e diversas pesquisas, em que a população de Manaus diz o seguinte: 49% vota segurança pública como maior desafio e problema de Manaus. Depois vem a saúde, educação, transporte público e infraestrutura. Nesses cinco pontos, estão as principais preocupações do povo manauense. Portanto, a construção do nosso projeto de governo se pauta em uma transversalidade, em que todos os assuntos que nós estamos tratando se comunicam entre si, mas temos preocupação maior de ouvir da comunidade e trazer resultados efetivos que melhorem a vida e a qualidade de vida da cidade.

EM TEMPO – O seu plano de governo foi construído com base nos problemas da elite ou das comunidades?
SC – Meu pai é funcionário público. Para o meu pai criar a nossa família, ele precisou trabalhar de dia como funcionário público e à noite como motorista de táxi. E todos nós, quando podíamos, ajudávamos na criação da nossa família, vendendo ovo, queijo e açaí nas ruas, nas vilas, e meu pai juntava esse dinheiro com o valor que ele recebia como funcionário público para poder sustentar 11 pessoas. Sempre estudamos em colégios públicos. Eu, por exemplo, fui aluno da escola municipal Leonina Marinho, no Parque 10, Zona Centro-Sul. Toda nossa formação é simples e toda a nossa vida tem uma estrutura muito simples. Tudo o que está escrito no nosso projeto de governo tem a ver, sim, com o que eu vi e vivi. Tem também a ver com as mais de 130 reuniões que eu fiz com as pessoas em diversos bairros de Manaus. Eu estou no mesmo lugar que comecei lá atrás.

EM TEMPO – Alguns conservadores acreditam que religião e política não se discute. Qual sua opinião sobre o assunto?
SC – Eu acho que essas pessoas estão certas. Eu não acho que está errado, não. Política e religião não se discute, mas o político e o religioso, ou alguém que opta por uma religião, não deixa de ser cidadão. Acho até que é dever do cristão participar, de verdade, da política. Olha o que diz a Bíblia: “Nós devemos amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos”. Como em uma democracia nós podemos demonstrar amor pelo nosso próximo se você não for praticar a política de verdade? Quando digo “de verdade”, é a política justa, de você não vender seu voto, de você não ser pressionado por ninguém, de fazer alianças transparentes, de forma que a população entenda que tenho, de fato, objetivo de governar a todos. Tudo isso são sinais que você identifica muito claro. Imagine que 98% da população em Manaus é de cristãos praticantes, que exercem a religião católica e evangélica, e eles têm que votar. Nós temos uma democracia, que diz “escolha quem você quiser”, mas, quando chega na hora, “ou você vota, ou você é punido”. Você tem que votar. Você é obrigado a votar. Eu concordo com quem diz que isso não se mistura, mas também concordo com quem pensa que participar é dever de todo cidadão, inclusive o cristão.

EM TEMPO – O fato de ser uma personalidade influente no meio evangélico pode ser garantia de votos?
SC – Não é verdade que o fato de eu ser evangélico vai me dar muitos votos. Eu tenho 53 anos de evangelho. Eu não entrei ontem. Quando a UEA (Universidade do Estado do Amazonas) foi instituída, eu disse que em 10 anos o Amazonas seria outro. Porque há 20 anos, o sentimento que as pessoas tinham pela prática religiosa, principalmente pelos evangélicos, é que só os “coitadinhos” estavam lá, os “manipulados” estavam lá. Hoje, não. Hoje, tem juiz, tem deputado, tem coronel, tem médico, todas as profissões estão entrelaçadas dentro da atividade religiosa e evangélica no Estado do Amazonas. Antigamente, até para ler a gente notava que havia dificuldade. Hoje, você chega em qualquer instituição evangélica e conversa com as pessoas e elas são formadas em diversas áreas, e eu não acredito que quem tem uma formação vota cabresteado por quem quer que seja. É de uma injustiça e de uma insanidade imensa, porque voto é secreto. É você, a urna e Deus. E eu posso garantir que eu tenho trabalhado desesperadamente para fazer as pessoas conhecerem o que eu estou propondo, o que a nossa equipe construiu como proposta e o que nós ouvimos das pessoas e que foi transformado em propostas nas áreas mais dramáticas na cidade de Manaus. Eu quero voto de todos. Eu quero, com a graça de Deus, governar para todos, sem discriminação, nem raça, nem cor, nem credo e nem opção sexual.

EM TEMPO – Como cristão, o senhor acredita que há algum versículo da Bíblia que possa nortear a sua gestão, caso eleito?
SC – Não tenha dúvida. Pretendo governar Manaus pelo princípio de honra, que aprendi no Reino de Deus, e pela iluminação do Espírito Santo. Então, eu não poderia fazer diferente. Eu acho que são dois princípios que eu, como ser humano e pessoa, consegui valorizar: não passar por cima de ninguém e não desonrar ninguém. Não tem como dormir tranquilo enquanto as pessoas estão nas filas jogadas tentando marcar uma consulta e não conseguem; enquanto o atual prefeito, por exemplo, diz que não tem recursos para fazer nada e arrecadou R$ 5 bilhões a mais que o outro prefeito. Quando o outro candidato diz que quer mudar Manaus e parece uma “máquina de falar”, você não vê sentimento por trás, uma estrutura de poder imensa. A nossa chapa é livre para fazer com o povo de Manaus, por meio do “empoderamento popular”, que é trazer o povo para o centro das decisões, por meio dos conselhos comunitários, algo novo, que vai revolucionar a cidade de Manaus.

EM TEMPO – Dentro do plano de governo, existe algum projeto para as igrejas?
SC – Não é um projeto para as igrejas, mas eu tenho algumas certezas de relacionamento com as igrejas. Um dos maiores desafios da cidade de Manaus, que virou até piada, são as creches. Nos últimos 8 anos, só os dois últimos prefeitos prometeram 1,1 mil creches. Não fizeram 20. Tem 10 mil crianças neste momento esperando vaga na creche. Acho isso uma maldade sem tamanho, e não é difícil resolver. Creche não é um prédio físico, creche é um serviço que alguém presta, cuidando de uma criança adequadamente. O prédio é um detalhe. Na nossa proposta na área da educação, que tem como título “Ponte para o Futuro”, há diversas variáveis. Lá tem uma proposta para as creches, que é uma parceria pública, institucional e comunitária. Ganhando a eleição, com a graça de Deus, vamos chamar o Ministério Público Estadual (MPE), Ministério Público Federal (MPF), a Procuradoria do Estado, a secretaria de Educação. Vamos chamar a Câmara Municipal e vamos descobrir porque que os espaços físicos comunitários adequados e de instituição religiosa e, quem sabe, até da iniciativa privada, não podem vender vagas ou ceder vagas para a prefeitura, para nós acabarmos em seis meses o déficit de creches da cidade de Manaus. Se você for no distrito industrial, uma mulher, ao ganhar bebê e voltar da licença-maternidade, recebe da empresa em que trabalha R$ 400 para que contrate uma creche. Ela contrata a creche mais próxima da mãe dela ou da sogra ou de uma irmã ou de um irmão, por que? Porque ela escolhe a segurança; se precisar dar uma olhadinha, tem alguém que olhe. Agora, por que que o município não fez isso até hoje? Se para construir uma creche, você tem que gastar R$ 4 milhões. Um aluno em uma creche municipal custa quatro vezes mais que uma creche particular. Nós vamos fazer tudo isso e vamos economizar um terço em custeio, que vai se transformar em dinheiro para aplicar na Educação.

EM TEMPO – Além da segurança pública, o senhor tem falado muito das subprefeituras. Como elas funcionarão, de fato?
SC – Vou trazer a população para dentro da prefeitura. Vamos eliminar toda a estrutura de atividade-meio e vamos instituir só dois passos para a prefeitura investir dinheiro. Primeiro, será uma sede executiva com prefeito, vice-prefeito e dez secretários executivos. O resto vai ser uma superestrutura para ouvir a população ou pela tecnologia ou pela presença física, que é o primeiro prédio da frente da prefeitura. A nossa administração vai conversar com todo mundo: PCdoB, PT, PMDB. Vai conversar sem se contaminar. Zero de influência política. Vamos instituir quatro subprefeituras. Cada secretaria vai ter quatro subsecretários para o órgão ser uma subprefeitura, de fato. No núcleo de tudo isso, o conselho comunitário. Uma vez por mês, o prefeito reunirá com os subprefeitos, o conselho comunitário, vereadores, e a comunidade vai avaliar os serviços públicos e dizer o que quer que seja feito nos próximos 30 dias. Nós vamos instituir quatro rádios comunitárias e quatro TVs abertas comunitárias. Essa audiência pública será acompanhada pelo rádio e TV comunitária. Eu sei que isso é possível e vai funcionar de verdade. Com isso, todo o dinheiro da atividade-meio, os 2,9 mil cargos comissionados, tudo isso vai para a atividade-fim, para as quatro subprefeituras. E um detalhe importante: nenhum servidor será demitido, porque a prefeitura precisa deles. Vamos instituir um relacionamento com uma instituição que possa fazer uma requalificação e identificar nos servidores qual a melhor atividade que se enquadra no perfil. Essas subprefeituras são a revolução dessa eleição.

EM TEMPO – Por quais motivos o senhor merece receber os votos dos eleitores?
SC – Nossa proposta é melhor. Nossa proposta se preocupou em abraçar a população de Manaus. Nós não queremos o poder, nós queremos que a população venha para o poder. Na verdade, nós estamos chamando a população para ela votar nela mesma. Por meio dos conselhos comunitários, eles vão trabalhar no dia a dia. O nosso projeto de governo nos aproxima da população. Com quatro subprefeituras, com quatro audiências públicas por mês. Nós vamos instituir tempo para tudo. Na nossa prefeitura, nós vamos estabelecer prazo para tudo. Manaus vai amar conviver com uma prefeitura que tem como objetivo o empoderamento das pessoas.

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