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Siamesa morre um mês após cirurgia de separação em Goiás

Unidas pelo tórax e o abdome, as irmãs compartilhavam o fígado e o pericárdio - foto: divulgação

Unidas pelo tórax e o abdome, as irmãs compartilhavam o fígado e o pericárdio – foto: divulgação

A gêmea siamesa Júlia Neves morreu na sexta-feira (12), em Goiânia, um mês após passar por uma cirurgia de separação da irmã, Fernanda. A morte foi decorrência de um quadro de insuficiência cardíaca com hipertensão pulmonar, segundo o médico Zacharias Calil. O problema no coração estava relacionado à própria condição da paciente, que não apresentou complicações após a cirurgia, segundo Calil.

Unidas pelo tórax e o abdome, as irmãs compartilhavam o fígado e o pericárdio, membrana que envolve o coração, e passaram pela cirurgia de separação no dia 13 de janeiro, aos cinco meses de idade.

O cirurgião explicou que os organismos dos siameses estão interligados e funcionam com uma “divisão de tarefas”. Após a separação, “cada um tem que se virar sozinho”, o que provocou o quadro instável de Júlia. “Tínhamos esperança de que o quadro fosse revertido, mas infelizmente ela não suportou”, disse Calil.

A família é de Itamaraju, no interior da Bahia, e se mudou para Goiânia para fazer a cirurgia no Hospital Materno Infantil. O pai das meninas levou o corpo de Júlia para ser enterrado na cidade natal.

Fernanda se recuperou bem da cirurgia e teve alta na manhã desta segunda-feira (15). A mãe e o bebê ficarão mais três semanas na casa de apoio do hospital.

“Conversei com a mãe e disse que ela não deve ficar chateada, pensando como seria se tivesse decidido não fazer a separação. Expliquei que, se as gêmeas permanecessem unidas, é provável que as duas viessem a falecer”, disse Calil.

A idade ideal para a cirurgia é em torno de um ano de idade. No caso de Júlia e Fernanda, não foi possível aguardar, porque Júlia começou a perder peso.

A taxa de incidência de gêmeos siameses é em torno de uma para cada 100 mil gestações, segundo o cirurgião, o que pode ser considerado muito raro.

Por Folhapress

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