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Servidores da Suframa decidem entrar em greve por tempo indeterminado

Sindframa

Votação realizada na tarde desta sexta-feira (15) decidiu, por unanimidade, que a categoria paralisará as atividades a partir da próxima quinta (21) – foto: Joandres Xavier

Por unanimidade, os servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, a partir da próxima quinta (21).

A votação ocorreu na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus, por volta das16h desta sexta-feira (15), com a presença de 300 servidores filiados ao sindicato da categoria – o Sindframa – e acompanhamento em tempo real, por teleconferência, dos funcionários lotados nos Estados de abrangência da autarquia federal – Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá.

A paralisação foi decidida exatamente uma semana depois de a presidente Dilma ter vetado a emenda da Medida Provisória (MP) 660/2014 – convertida na Lei 13.121/2015 – que prevê a reestruturação de cargos e reajuste de salários na autarquia.

“Estamos negociando com o governo desde 2006. Fomos enganados em 2013 e 2014. O governo federal não quer resolver. Tanto é que as soluções foram dadas pelo congresso e pelo parlamento, mas a presidente não respeitou a voz do povo e vetou a solução dada pelo Congresso”, lamentou o presidente do Sindicato dos Servidores da Suframa ( Sindframa ) Anderson Belchior.

O plano dos servidores é paralisar 70% das atividades e manter funcionando apenas as mais indispensáveis para a sociedade, como a fiscalização no setor de remédios e alimentos.

Efeitos da paralisação

Perguntado sobre o impacto da greve para a economia na região, Belchior garantiu que, de imediato, apenas os empresários irão sentir os efeitos negativos da paralisação, e que a sociedade não terá prejuízos em curto prazo.

Dirigentes do comércio e da indústria do Amazonas dizem que a história não é bem assim.

“Com uma greve dessas são cerca de 120 mil funcionários que deixam de produzir. Nosso comercio tem um estoque que nos permite permanecer uns três meses sem sentir esses efeitos da falta de produção. Mas, isso só vale para produtos cujo consumo não é imediato. Quando se fala em alimentos e produtos perecíveis o impacto será rápido”, avisou o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra Filho.

O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, prevê que greve vai gerar um grande impacto não apenas no caixa das empresas, como também na arrecadação do Estado e da União na área de influência da ZFM, além de contribuir para uma redução no ritmo da economia local, que já segue em marcha lenta.

“Os projetos que estão em andamento no Amazonas são prejudicados também. Quem paga o preço de tudo isso é a indústria e o comércio. Mas não tem como não apoiar a causa. Fazem cinco anos que esses servidores veem lutando por melhores condições de trabalho e não tem tido sucesso”, ponderou.

A reivindicação dos servidores da Suframa já motivou uma paralisação de 40 dias, ocorrida entre março e abril de 2013, gerando desabastecimento na indústria e comércio da região, além de perdas de aproximadamente R$ 300 milhões para as empresas da Zona Franca de Manaus (ZFM), conforme cálculo do Cieam.

Derrubada do veto

A paralisação vai começar a partir do momento em que todos os prazos legais forem cumpridos, o que deve acontecer até a próxima quinta-feira. De acordo com Anderson Belchior, o fim da greve só acontecerá se o veto presidencial for derrubado no Congresso Nacional, ou se uma nova MP proposta pelo Executivo for publicada pela presidente.

O presidente afirmou que sindicato já articula junto à bancada da região amazônica no Congresso para que o veto presidencial seja derrubado. O trabalho, no entanto, exige voto da maioria absoluta dos parlamentares, e o fórum é qualificado.

O Sindframa propõe também que o Executivo federal edite uma nova Medida Provisória. “Essa seria uma forma de o governo demonstrar que ainda há compromisso com a Zona Franca de Manaus e com o desenvolvimento da nossa região”, concluiu.

Com informações de Joandres Xavier (especial EM TEMPO Online)

 

 

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