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Senador Omar Aziz apoia reeleição de prefeito Arthur Neto

O senador antecipou que apoia a reeleição do prefeito Arthur Neto e vai preparar seu partido para a disputa municipal no interior nas eleições de 2016 - FOTO: Arthur Castro

O senador antecipou que apoia a reeleição do prefeito Arthur Neto e vai preparar seu partido para a disputa municipal no interior nas eleições de 2016 – FOTO: Arthur Castro

Consolidado como líder político no Amazonas, o senador Omar Aziz (PSD) é direto e sem meias palavras. Há oito meses no Senado, ele articula projetos que possam contribuir na melhoria da segurança pública do país e, em especial, do Estado. Omar cobra uma maior ação do governo federal no combate à causa da violência, que, segundo ele, está totalmente fora da órbita do planejamento do Executivo.

Envolvido em várias frentes, a sua maior atuação é, sem dúvida, na política. Ele antecipa que apoia a reeleição do prefeito Arthur Neto, que vai preparar seu partido para a disputa municipal no interior nas eleições de 2016 e que tem total confiança no governo de seu sucessor, José Melo.

EM TEMPO – Estamos há um ano das eleições municipais. O senhor apoia a reeleição do prefeito Arthur Neto (PSDB), caso ele venha a ser candidato?

Omar Aziz – Sim. O prefeito Arthur (Neto) e eu fizemos uma parceria muito boa quando eu fui governador. Resolvemos o problema de água nas zonas Norte e Leste. Fiz uma parceria naquele momento difícil que o país atravessava, em que jovens foram às ruas reivindicar a redução das passagens de ônibus. O Estado subsidiou parte das passagens, e nós conseguimos conter aquelas manifestações. Fizemos parcerias importantes para a Copa do Mundo. E agora, ele (Arthur) continua com (José) Melo. Estão fazendo várias obras conjuntas. Eu moro em Manaus, a minha família mora aqui e quero o melhor para Manaus. Neste momento, o prefeito está fazendo uma boa administração, e se não é melhor, digo sempre, é por falta de recursos. Como senador, tenho sido um parceiro do prefeito naquilo que é possível ajudar em Manaus. O Arthur não me disse que é candidato. Mas, se for candidato, não tenha dúvida nenhuma que terá meu apoio.

EM TEMPO – Ele faz parte de um partido que é oposição ao governo federal e o senhor de um partido da base…

OA – Não tem esse negócio. Minha bandeira é o Amazonas. Em 2014, o Lula veio duas vezes aqui fazer campanha contra mim. A Dilma gravou contra mim. Eu não devo absolutamente nem a Lula, nem a Dilma nem a nada. Eu devo ao Amazonas, ao povo amazonense. O Arthur estava no meu palanque fazendo campanha para mim, e essa discussão nacional, isso para mim não existe. Minha discussão é o que é melhor para o Estado. Tanto é que os senadores e deputados sabem qual é o meu comportamento como coordenador da bancada, em relação à nossas divergências. Lá, a gente se une para defender o Amazonas.

EM TEMPO – E como avalia a gestão de seu sucessor, o governador José Melo?

OA – O Melo, eu e outros companheiros fizemos uma campanha baseada na confiança de que a presidente (Dilma) dizia que o país estava estabilizado economicamente e que não íamos sofrer crise nenhuma. Nós nos comprometemos a fazer as coisas na perspectiva de que o Brasil continuasse a crescer. Pelo contrário, nós retroagimos. Só nos seis primeiros meses o Amazonas perdeu R$ 400 milhões de receita com uma inflação de 9%. Então, você perde tudo isso e aí vai culpar o governador porque ele prometeu e não está cumprindo algumas coisas ainda, mas vai cumprir tudo. Hoje, por exemplo, o Melo está fazendo 24 escolas de tempo integral. Até o final do governo dele, em 48 meses, ele vai fazer 50 escolas de tempo integral. O Estado está pagando metade do 13º hoje (na última quinta-feira). Um dos poucos do país que está pagando. E tem gente ainda que fica com aquela firula, “ah se fosse fulano”. Se fosse fulano estava pior a situação. Então, nós estamos discutindo hoje algo que nós fomos induzidos a falar: uma coisa que não está acontecendo que era o crescimento. Isso que nos preocupa neste momento. E no Amazonas, quando a economia do Brasil está bem, a nossa fica duas vezes melhor. Quando a economia do Brasil está mal, a nossa fica duas vezes pior, porque dependemos exclusivamente da economia nacional, do crédito, do consumidor. O que nós produzimos aqui é supérfluo. A pessoa tem prioridade na saúde, alimentação. Se sobrar algum dinheirinho é que compra uma TV de cem polegadas, um celular, um computador novo.

EM TEMPO – E quanto à gestão da Suframa? Há um veto presidencial a um ponto da MP 660/2014 que trata da autarquia. Como está isso lá em Brasília?

OA – Eu, pessoalmente, me empenhei bastante para que aprovássemos o projeto de adequação dos servidores da Zona Franca de Manaus junto aos outros membros do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio (Midc). Aprovamos na Câmara e Senado. Foi à sanção da presidente Dilma e ela vetou. Aí a Suframa entra em greve. Trabalhamos para tentar derrubar o veto, acho difícil derrubá-lo. Ao mesmo tempo, pressionamos o ministro do Planejamento para que fizesse uma proposta aos servidores da Suframa e essa proposta está sendo negociada. E espero que antes que vá para o plenário o veto já tenha se chegado a um acordo com os servidores da Suframa. Qual a consequência disso? Simples. Empresas multinacionais que têm interesse em se instalar na ZFM, chegam aqui e veem greve, pensam: não é um país sério. Não estou aqui dizendo que os servidores não têm razão de estar reivindicando. Melo tomou a decisão correta ao colocar servidores da Sefaz para liberar as mercadorias, mas isso tem desdobramentos. Vamos trabalhar para ver se a gente possa resolver isso.

EM TEMPO – O senhor apoia a indicação da ex-deputada Rebecca Garcia (PP) para o comando da Suframa?

OA – Não tenho nada contra Rebecca. Não tenho nome para indicar em lugar nenhum. Não quero indiciar nome nenhum para o governo federal. Acho que isso é de responsabilidade da Presidência. Se a presidente nomear a Rebecca, ela é responsável por isso. Não vou cobrar da Rebecca, vou cobrar dela (presidente) lá na tribuna do Senado.

EM TEMPO – Recentemente, o Estado virou notícia nacional com o assassinato de 38 pessoas num único fim de semana. O senhor, que já foi secretário de Segurança, como avalia esse cenário?

OA – A segurança é muito dinâmica. Investimentos têm que ser constantes. O Melo tem avançado e vai avançar mais. O Sérgio Fontes é um bom secretário de Segurança Pública, é um homem experiente, preparado, equilibrado, que não é midiático. Está com um bom delegado-geral, um bom comandante da Polícia Militar. O que aconteceu há duas semanas foi sazonal. O que está acontecendo hoje não é uma coisa isolada. Você vê lá o projeto das UPPs no Rio de Janeiro com problemas. Você tem hoje que combater o efeito. O governo federal fecha os olhos para essa questão. A gente só combate o efeito. A causa não é combatida no Brasil. Esses milhares de quilômetros de fronteiras entrando droga todo dia e não há uma ação efetiva da Polícia Federal para proteger nossas fronteiras. Tenho projeto de lei para aumentar o efetivo da Polícia Federal, tenho projeto de lei criando a Polícia Hidroviária. Porque eu conheço a minha região. Eu sei que nós não produzimos a droga na Compensa, São José. A droga que chega aqui já vem pronta. Vem do Peru, Colômbia, Venezuela. Ela entra pelo rio Negro, Alto Solimões e o governo federal sabe disso e faz de conta que não sabe. Aí você colocar dez policiais para cuidar daquela fronteira é você cobrar da PF o que é humanamente impossível. Nós temos que debater a segurança pública com uma profundidade maior. Não é com ações sazonais. O governo do Estado só pode combater o efeito e o efeito já é teu filho drogado, alguém da tua família usando drogas. E a causa que está lá fora, a gente não combate. Espero contribuir lá no Senado para esse debate. Infelizmente, o debate que está sendo travado lá é o da Lava jato, da corrupção, e estão esquecidos os outros problemas.

EM TEMPO – E do que se tratam esses seus projetos na área de segurança pública?

OA – Não posso aumentar o efetivo da PF porque estaria aumentado o custo. O que o projeto diz é o seguinte: se ficar desguarnecido 5% do efetivo, automaticamente se faz concurso para preencher essas vagas. E isso é bom ser estendido também à Polícia Civil e Militar. O projeto já está tramitando no Senado. Também apresentei um projeto que cria a Polícia Hidroviária, para patrulhar nossos rios, e também um outro que obriga as agências, como loterias, a instalar câmeras de seguranças que podem servir para identificar assaltos, por exemplo.

EM TEMPO – Como estão os preparativos do PSD, partido que o senhor preside no Estado, para as eleições do próximo ano?

OA – Em alguns municípios, o partido tem prefeitos candidatos à reeleição e outros devem lançar candidatos. Mas tenho amigos de vários partidos, então não é bem assim: tem que ser do PSD. Tem prefeitos de outros partidos que vou apoiar a reeleição deles e não são do PSD. É o caso do Arthur, que não é do PSD, e sim do PSDB.

EM TEMPO – O senhor é a favor do pedido de impeachment da presidente Dilma?

OA – Sou contra. Não tem uma base para pedir o impeachment. Isso é antidemocrático. Isso é que nem tentar roubar o mandato do Melo, coisa que não vou permitir. O povo decidiu. O mandato está começando agora. O Melo colocou quase 200 mil votos em cima do segundo colocado nas eleições.

EM TEMPO – O senhor integra a CPI da CBF no Senado. Qual seu posicionamento sobre esta investigação?

OA – Vamos ter uma reunião na próxima terça-feira com o procurador-geral e com o ministro da Justiça, e aí é que vamos definir o calendário do que nós vamos fazer. Mas eu não estou na CPI para caçar bruxas, não. Quero apresentar soluções para o futebol brasileiro e para o Amazonas.

Por Valéria Costa

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