Política

Senado demite assessor de Delcídio que gravou conversa com Mercadante

O Senado exonerou nesta sexta-feira (18) o assessor do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) Eduardo Marzagão. Ele foi o autor das gravações que mostraram o ministro Aloizio Mercadante em conversas para evitar uma delação premiada do senador. Marzagão acusa a Casa de ter tomado uma decisão política.

“Renan alegou quebra de confiança, mas quebra de confiança de quem, o que? Da instituição? Eu não fiz nada dentro da instituição. A quebra de confiança foi ter sido chamado por um ministro de Estado para ser convencido a cometer um crime que eu não aceitei. O que isso tem a ver com Senado? Renan fez sumariamente a pedido do governo”, afirmou Marzagão. Ele se referiu ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que determinou sua demissão.

Para o assessor, sua demissão é mais um reflexo da perseguição política que vem sofrendo após a revelação das gravações. Na terça (15), foi homologada a delação premiada de Delcídio, da qual fazem parte os registros feitos por Marzagão. O senador foi preso em novembro do ano passado sob a acusação de obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

Delcídio afirmou em depoimento que o ministro da Educação agia como “emissário” da presidente Dilma Rousseff e buscava passar recados para impedir que fechasse um acordo de colaboração. Ele entregou gravações à PGR (Procuradoria-Geral da República) de conversas entre Marzagão e Mercadante, nas quais o ministro tenta evitar a delação de Delcídio, oferecendo ajuda financeira e lobby junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) para a soltura do parlamentar.

Em entrevista, Mercadante que estava prestando “solidariedade” ao senador preso e que não tinha intenção de impedir sua delação, influenciando na Operação Lava Jato.

Segundo Marzagão, ele ainda analisará se poderá recorrer da decisão e diz que continuará trabalhando com Delcídio, de quem é assessor há mais de dez anos.

O Senado também exonerou nesta sexta o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira Rodrigues. Ele foi preso junto com Delcídio por ter ajudado o senador nas tentativas de evitar uma delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

As exonerações foram publicadas no Diário Oficial da União desta sexta. No documento, as dispensas são baseadas na Lei 8.112, que rege o regime jurídico de servidores públicos, e no dispositivo que autoriza a exoneração por decisão da “autoridade competente”. Elas foram assinadas pela diretora-geral do Senado, Ilana Trombka.

Por Folhapress

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