Dia a dia

Sem receber salários desde julho, profissionais da saúde em Manacapuru suspendem atendimentos

Os profissionais da saúde anunciam que não irão deixar serem “escravizados” -  fotos: divulgação

Os profissionais da saúde entrarão com recursos judicialmente em busca do pagamento dos salários atrasado – fotos: divulgação

Profissionais da área da saúde do município de Manacapuru (a 87 quilômetros de Manaus) informaram nesta quinta-feira (13) a paralisação total dos serviços prestados à população. A decisão veio após a cooperativa NacionalCoop declarar quebra de contrato com a prefeitura da cidade pelo não cumprimento dos repasses de verbas – a serem realizados pelo órgão municipal – para o pagamento dos salários atrasados desde julho.

Em nota, que destaca esta quinta-feira como “o dia do luto oficial da saúde no município”, os profissionais anunciam que não irão deixar serem “escravizados” e que nesta data, entrarão com recursos judicialmente em busca dos meses em atraso.

“Entramos com processo no Ministério Público para cobrar a prefeitura e outra ação contra a cooperativa. Foi decidido que todos os funcionários da UBS e todos cooperados vão cruzar os braços”, disse o cirurgião-dentista, Lean Lima.

A nota divulga ainda que, com exceção dos médicos que atuarão nos casos de urgência e emergência, a população não terá mais acesso a enfermeiros, técnicos de enfermagem, dentistas, ASB, assistente social, fisioterapeutas e psicólogos em tempo integral.

“Fizemos os esclarecimentos para população e cada classe vai decidir o que fazer. Mas estimamos que 95% dos profissionais estão parados. A saúde está um caos e ninguém toma uma providência concreta em relação ao problema”, afirma o médico e dentista, Ângelo Massulo.

Na terça-feira (13), membros da cooperativa se reuniuram com o prefeito da Cidade, Jaziel Nunes de Alencar, o Tororó, e em um vídeo gravado por um dos participantes, ele fala que todo país está em crise, que a prefeitura não tem recursos para pagar, mas pretende resolver isso até sair, tendo em vista que não foi reeleito na última eleição. Mas, ao ser questionado se a prefeitura vai conseguir pagar todos os meses atrasados até o mês de dezembro, ele responde que “não tem condições”.

Em outra parte da gravação, Tororó diz que vai contratar outras pessoas no lugar de quem está parado, mas segundo o cirurgião-dentista isso é ilegal.

“O conselho de ética diz que não pode colocar outro profissional no lugar do outro que está com salário atrasado”, explicou Lean Lima.

A equipe do portal EM TEMPO entrou em contato com Tororó que explicou que a prefeitura também irá buscar a justiça para verificar os valores que devem ser pagos à cooperativa.

“A Nacionalcoop quer reincidir o contrato. Se não ficarem, vamos entrar com uma medida cautelar para resolver isso, ou então, se for o caso, vamos declarar emergência na saúde para ninguém sair prejudicado. Na justiça poderemos ver todos os valores e o que for determinado iremos pagar”, ressaltou.

Ao ser questionado sobre o funcionamento das unidades de saúde, o prefeito disse que estão conseguindo atender a todos e reafirmou que, caso necessário, irá contratar outros profissionais.

“Nesta quarta-feira (12) tivemos os problemas de tiroteio na cidade e ninguém deixou de ser atendido. Mas se faltar gente, iremos contratar temporários. O importante é a saúde não parar, falou Tororó.

Por telefone, o advogado da cooperativa, Daniel Valença, disse que, “infelizmente, para que os cooperados recebam, é necessário o repasse por parte do município”. Valença também ressaltou que, após decisão conjunta com os cooperados por meio de uma assembleia geral, foi protocolada nesta quinta uma ação de cobrança na justiça para que a prefeitura pague todo o valor que está em atraso.

O advogado não soube precisar o valor do montante que atenderá ao pagamento de, aproximadamente, 200 funcionários em Manacapuru, caso a ação seja acatada pela justiça.

Manoela Moura
Portal EM TEMPO

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