Dia a dia

Sem radares por causa da licitação atrasada, ruas de Manaus parecem viver momento sem lei

Equipamentos móveis entregues aos agentes de trânsito têm eficácia questionada pelos próprios profissionais. Ausência de radares pode piorar ainda mais a situação do trânsito na capital - foto: divulgação

Equipamentos móveis entregues aos agentes de trânsito têm eficácia questionada pelos próprios profissionais. Ausência de radares pode piorar ainda mais a situação do trânsito na capital – foto: divulgação

Uma das principais preocupações de qualquer motorista é ficar dentro do limite de velocidade, seja pelo receio de receber multas ou por preocupação com sua segurança e demais condutores e pedestres. Em Manaus, o medo de receber multas parece ter desaparecido desde 8 de março, quando o poder público deixou de autuar por excesso de velocidade.

A data marca o fim do contrato da Prefeitura de Manaus com a empresa Consladel, que operava radares fixos (corujinhas), prestava serviço de sinalização vertical (placas) e horizontal (pintura em vias), além de instalação de semáforos.

A prefeitura não divulgou o motivo da descontinuidade do contrato, mas a Consladel foi investigada pelo Centro de Apoio Operacional de Inteligência, Investigação e de Combate ao Crime Organizado (CAO-Crimo), do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM), por suposta corrupção em uma “indústria de multas”.

As investigações iniciaram pelo edital de licitação publicado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), onde o objeto de licitação pedia a solicitação de serviços de segurança, manutenção, conservação e apoio à administração e implantação de engenharia de trânsito voltada ao sistema viário de Manaus.

O valor inicial do contrato seria de R$ 92,2 milhões e teve como vencedora a Consladel. Após a celebração do contrato houve aumento de 7,96% do valor pactuado, que saltou para pouco mais de R$ 98 milhões. Também ocorreu transferência das obrigações da Seminf ao Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), que se tornou o órgão gestor em março de 2012.

Novos radares

Enquanto os radares fixos estão desativados por falta de empresa para operá-los, o órgão que gere o trânsito da cidade, o Manaustrans, passou a tarefas a seus agentes  a partir do uso radares portáteis.

Na prática, os radares portáteis necessitam de dois agentes: um para deixá-lo apontado em direção à via onde os veículos trafegam e outro para anotar a placa do carro autuado. Aparentemente o método é, no mínimo, questionável e pouco seguro, como disseram os agentes de trânsito consultados pela reportagem. Eles explicaram como o equipamento funciona, mas pediram anonimato por temerem represálias da direção do Manaustrans.

A direção do instituto, aliás, foi consultada pela reportagem sobre o uso de radares portáteis, estatísticas sobre multas aplicadas desde 8 de março deste ano e outras questõespor meio da  assessoria de imprensa e ligação direta ao telefone celular do diretor-presidente do Manaustrans, Paulo Henrique Martins. O Manaustrans preferiu negar uma informação pública a explicar à população o funcionamento dos novos radares de velocidade.

Por Rafael S. Nobre (equipe EM TEMPO)

1 Comment

1 Comment

  1. Rafael

    14 de maio de 2015 at 08:23

    Terra sem lei não, terra sem fiscalizção!!

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