Política

Sem poder fazer nada, parlamentares do AM apenas criticam ‘monumentos inúteis’

O presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador Wilker Barreto, acredita que a obra artística e arquitetônica até poderiam ser melhores escolhidas. foto: Tiago Correa/CMM

O presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador Wilker Barreto, acredita que as obras até poderiam ser melhores escolhidas. – foto: Tiago Correa/CMM

 

Deputados do Amazonas e vereadores de Manaus lamentam a construção de obras inusitadas, sem finalidade e com custo altíssimo aos cofres públicos, mas dizem que o que podem fazer é fiscalizar, uma vez que a decisão de erguer as obras é de competência dos Executivos municipal e estadual.


Umas das obras que são alvos de críticas da população e de instituições civis é a obra construída na gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT), na rotatória do Parque do Mindu, no Parque 10 de novembro. A obra é uma haste de metal, que tem como finalidade formar um espelho d’água a aproximadamente 10 metros de altura, no entanto, é chamada atualmente pela população como “pau de self do Amazonino”.

Para a construção da obra, à época, segundo o Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), foram gastos mais de R$ 1,8 milhão em desapropriações e, segundo os críticos, não lembra nada que represente a cidade.

De igual forma, a obra construída na gestão do ex-governador e hoje ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), na entrada da ponte Rio Negro, que custou mais de R$ 5 milhões aos cofres públicos, também é motivo de críticas, piadas e até de denúncia no Ministério Público do Estado (MPE).

Uma ação promovida pelo ex-deputado Marcelo Ramos, os deputados Luiz Castro (PPS) e José Ricardo Wendling ainda tramita na Justiça do Amazonas. O MPE deu parecer favorável à ação, mas o julgamento ainda continua suspenso no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

Segundo a denúncia no local da obra, seria construída uma passagem de nível para agilizar o trânsito no local. Parte da obra precisou ser demolida para que pudesse dar fluidez ao trânsito de veículos que precisavam acessar a avenida Brasil.

Para o ex-deputado Marcelo Ramos, a obra não valoriza a história do amazonense, além de serem monumentos caros sem valor simbólico. “Nós não temos monumentos que valorizem a nossa história. São monumentos caros, sem valor simbólico ou histórico, de péssimo gosto arquitetônico e artístico”, criticou Ramos que é um dos autores da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN).

‘Trambolhos’

Ramos lembra que os investimentos nas obras sem significados seriam mais bem aproveitados se fossem investidos em saúde, educação e segurança. “São trambolhos colocados no meio da rua à custa de muito dinheiro público que seria melhor investido em educação, saúde e segurança”, justificou, acrescentando que o parlamentar tem o dever de fiscalizar, assim como MPE e o Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Adjuto afirma que a ideia foi boa

Já o deputado Adjuto Afonso (PP) acredita que o monumento tem o significado de informar que dali começava o desenvolvimento para a região do Iranduba e adjacências.  “Acredito que a obra em frente à ponte marca o início do desenvolvimento que parte de Manaus para aquela região. Talvez a arquitetura não tenha sido muito feliz, mas a ideia é boa”, defendeu o progressista.

Quanto ao monumento em frente ao parque do Mindu, Adjuto disse que é mais uma questão de vereadores opinarem, tendo em vista ser uma obra da prefeitura da cidade. O parlamentar ressaltou, no entanto, que acredita que nesse tipo de obra deveria haver discussão com a população. “Particularmente, acredito que deveria haver mais discussão com a população para que não houvesse tantas críticas após a construção de tais monumentos”, pontuou.

Para o presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador Wilker Barreto (PHS), o monumento em frente ao Mindu acabou com um feira a céu aberto e que atentava contra a saúde pública. Ele acredita que a obra artística e arquitetônica até poderiam ser melhores escolhidas, mas que a finalidade foi positiva.

“Ali funcionava uma feira a céu aberto que atentava contra a saúde pública, então com a construção do monumento foi uma benfeitoria. Pode até terem errado na questão arquitetônica e artística, mas a finalidade foi positiva, uma vez que acabou com aquilo que existia no local e deu fluidez ao trânsito na área”, defendeu o parlamentar.
Barreto também concorda com Adjuto Afonso quanto à participação da sociedade na escolha dos monumentos. “Acredito que a sociedade deveria ter participação sim. Quem sabe até um concurso poderia ser bem interessante”, pontuou.

Culto ao desperdício

Já o vereador Marcelo Serafim (PSB) foi bem crítico ao analisar as duas obras, lembrando que as gestões de Amazonino Mendes e Eduardo Braga são marcadas pelo desperdício com o dinheiro público. “A gestão de Amazonino e Braga era um culto ao desperdício com o dinheiro público. Essa é a escola deles. Agora cabe à gente, como parlamentar, fiscalizar e denunciar”, ressaltou, lembrando que a questão do monumento em homenagem à ponte foi realizada quando as obras ainda estavam em andamento, então o governador, à época, sabia que precisaria de uma passagem de nível no local e mesmo assim deu continuidade à obra, a qual precisou ser demolida em parte para consertar o “erro”.

Quanto à consulta à sociedade, Marcelo foi seguro em afirmar que é uma questão de poder e por isso, os executivos não colocam a discussão para o público. “É uma questão do poder. Tipo eu mando, então esse tipo de coisa não é posto em discussão com a sociedade”, finalizou o parlamentar.

Por Moara Cabral (equipe Jornal EM TEMPO)

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