Cultura

Sem João Gilberto, série ‘João Donato’ revê carreira do músico da Bossa Nova

João Donato, 80, já viu e fez quase tudo em seus 65 anos de carreira. Participou dos primórdios da Bossa Nova, trabalhou com orquestras latinas e músicos de jazz nos Estados Unidos, fez parcerias com músicos da nova geração, como Tulipa Ruiz, com quem gravou a música ‘Tafetá’.

Todos esses diferentes caminhos estão retratados na série documental “João Donato”, que estreia neste sábado, às 20h30, no Canal Brasil. Em quatro episódios, a produção dirigida por Tetê Moraes e Lysias Enio, irmão do artista, repassa sua prolífica carreira.

“Cada episódio tem uma temática, um caminho do João”, conta Tetê. Na estreia, trata-se do caminho da música. “É sobre como ele chegou lá. A infância, as influências musicais.” No segundo, é o caminho do Rio, com seu período na Bossa Nova.

“O terceiro episódio é o caminho do mundo. O percurso internacional dele, como ele se enturma com a turma do jazz e da música latina.” A produção termina com o caminho de casa, com uma série de encontros com velhos parceiros, como Martinho da Vila e Caetano Veloso.

A grande ausência na produção é João Gilberto que, conta Tetê, chegou a morar uma temporada na casa dos pais de Donato. “Eu gostaria que tivesse aparecido a Gal Costa e o João Gilberto”, diz Donato. “Mas ele não aparece em filme nenhum!”, ri.

“Não o convidamos diretamente”, diz Tetê. “Mandei e-mails, mas ou não havia retorno ou o retorno era de que ele não queria contato.”

Os convidados que aparecem no filme gravaram números especialmente para o programa, na casa de Donato, num clima de intimidade.

“Tenho uma proximidade muito grande com ele, o que permitiu um acompanhamento afetuoso da atividade dele. Chegamos com a câmera mais perto, na casa dele. Tem uma aproximação íntima com o processo de criação e o trabalho dele”, diz Tetê.

“Foi bastante divertido, ficou diversificado e agradável de assistir”, afirma Donato.

Longa-metragem

O projeto foi pensado inicialmente, em 2006, como um filme. Os diretores não conseguiram, entretanto, captar recursos para financiá-lo. “Participamos de vários editais, mas não tivemos resultado positivo dos patrocínios, apesar da importância do João”, conta Tetê.

Em conversas com o Canal Brasil, optaram por adaptar o projeto à televisão. Com o Fundo Setorial Audiovisual, conseguiram captar R$ 500 mil dos R$ 800 mil que precisavam. “Fomos completando com dinheiro próprio e ajuda de parceiros.”

A ideia do filme, porém, não foi descartada. “Temos muito material, podemos, se houver recursos, fazer um longa incorporando o que ficou de fora”, afirma a diretora. “Haveria um outro ritmo, não seria uma coisa tão cronológica. A gente optou pela cronologia para facilitar o entendimento na televisão. Cada episódio tem princípio, meio e fim”, diz.

Para a cineasta, Donato está tendo agora o reconhecimento que merece. “Depois dos 50 anos da Bossa Nova [em 2008] começou a ter discos reeditados, tem gravado muita coisa. O reconhecimento que ele tem no exterior tem tido de uns seis anos para cá no Brasil”, opina.

Donato, enquanto isso, continua trabalhando como nunca, com projetos variados -de gravações com orquestras sinfônicas a um disco com o filho, Donatinho.
“Trabalhar com música é um privilégio, uma dádiva do céu”, diz. “É muito prazeroso e saudável quando a gente leva a música como religião, uma profissão séria, e não para ficar famoso ou conquistar status, mas simplesmente pela arte. É um bálsamo para o espírito e traz longevidade.”

JOÃO DONATO
Estreia da série
Quando sábado (13), às 20h30, no Canal Brasil

Por Folhapress

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