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Sem fiscalização, banheiros públicos de Manaus são alvos de vandalismo

As pichações são vistas por alguns estudantes como algo normal, além de ser uma ferramenta de comunicação - foto: arquivo EM TEMPO

As pichações são vistas por alguns estudantes como algo normal, além de ser uma ferramenta de comunicação – foto: arquivo EM TEMPO

Sem órgão responsável pela manutenção e fiscalização da integridade física, os banheiros públicos de Manaus continuam sofrendo com ações de vandalismo e do tempo. O alvo, na maioria das vezes, são paredes e portas dos banheiros de praças, escolas e balneários, que ao longo dos anos serviram de ‘rede social” para a expressão de sentimentos, que variam de declarações com poemas de amor, indignação política, anúncios de serviços ou um simples contato telefônico, além de mensagens que mantêm viva a arte do insulto.

As pichações são vistas por alguns estudantes como algo normal, além de ser uma ferramenta de comunicação.

Para o aluno da rede estadual Daniel Sobral, a pichação, além de ser a “moda da turma”, é uma forma de expressão entre os jovens. O adolescente justifica o ato dizendo que as escritas nas paredes e portas dos banheiros da escola não são consideradas por ele um crime e, sim, uma arte. “Quem nunca deixou, quando jovem, um recado para alguém na porta do banheiro da escola? Nessa idade é normal esse tipo de atitude. É a expressão do nosso sentimento por meio de palavras e desenhos. Não vejo isso como algo errado, mas, sim, como uma manifestação positiva”, avalia.

Já a estudante Karollyne Figueira descorda da opinião do colega e ressalta que a atitude inconsequente de muitos alunos deixa os ambientes sujos, insalubres e imorais. Para ela, o dinheiro usado na manutenção e na reforma dos banheiros poderia estar sendo empregado na melhoria de outros ambientes da instituição de ensino.

“Não acho legal usar a pichação para justificar a arte. Para mim, esse ato não está de maneira alguma ligado à cultura, muito pelo contrário, está associado ao vandalismo, à falta de educação e à insensibilidade. É muito chato ir nesses ambientes e ver as paredes sujas, com dizeres e imagens pornográficas. Todo o dinheiro usado na restauração dos banheiros poderia estar sendo aplicado na melhoria das salas de aula, na quadra poliesportiva, nas áreas externas, entre outras”, observa.

Responsabilidades

Conforme a Secretaria Municipal de Educação (Semed), não há como mensurar valores em virtude das pichações, pois elas não acontecem em todas as escolas da rede municipal de ensino e quando acontecem o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que tem por finalidade a melhoria da infraestrutura física e pedagógica das escolas e o reforço da autogestão escolar nos planos financeiro, administrativo e didático é utilizado. Com este recurso, os gestores podem fazer pequenos reparos, como pintura e conserto dos banheiros.

Já a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) informa que a responsabilidade da conservação e manutenção de portas e paredes dos espaços públicos de Manaus seria do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).

Por sua vez, o Implurb ressalta que administra diretamente apenas o Complexo Turístico da Ponta Negra, na Zona Oeste, e toda sua infraestrutura. O órgão salienta que tem uma lista de 22 praças, onde apenas faz o licenciamento de mobiliários urbanos (como quiosques, bancas de revista e pontos de táxi) e que não tem gestão direta sobre banheiros públicos, passando a responsabilidade para a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).

A Seminf também nega responsabilidade com os banheiros públicos, destacando que essa demanda referente à manutenção não é de competência do órgão, uma vez que o serviço executado por ela é apenas a etapa da construção. A secretaria afirma que essas questões são referentes a cada pasta correspondente ao local onde os banheiros estão instalados.

Por Gerson Freitas

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