Dia a dia

Sem ar condicionado, alunos de escola na Zona Oeste são prejudicados com ‘aula corrida’ para fugir do calor

Pais, alunos e servidores da escola municipal Senador Fábio Lucena estão reclamando da falta de manutenção nos aparelhos de ar condicionado das salas. Eles dizem que o problema prejudica o aprendizado das crianças, que estão tendo ‘aula corrida’ para fugir do calor.

A reportagem do EM TEMPO Online entrou em contato na manhã desta segunda-feira (28) com a direção da escola, localizada na rua da Independência, bairro Nova Esperança, Zona Oeste, que confirmou a denúncia feita por mães de alunos do turno da manhã.

A professora Nadir Socorro Rodrigues, gestora da escola que possui aproximadamente 800 alunos matriculados, informou que o problema teve início há um mês que já fez a solicitação do reparo dos equipamentos para a Secretaria Municipal de Educação (Semed), mas a resposta foi negativa.

“Já enviei um documento à Semed solicitando o reparo dos sete aparelhos de ar condicionados. São dez salas, além do refeitório, mas somente três estão com o ar condicionando funcionando corretamente. Nas demais salas, o ar mal ventila e o calor está prejudicando a todos ”, relatou.

Nadir continuou dizendo que, para amenizar o problema, reduziu os tempos de aula, tanto para os alunos do turno da manhã quanto para os do tarde. As primeiras começam a ser liberadas por volta das 9h, enquanto os estudantes do horário da tarde estão estudando somente até às 15h, para que não sejam demasiadamente prejudicados com a quentura.

A diretora informou que, durante conversa com os pais, tiveram a ideia de realizar um evento para adquirir os recursos e eles mesmos, comunidade e servidores, fazerem a manutenção dos condicionadores de ar, para poder não comprometer o conteúdo didático, que precisou ser resumido.

“Vamos realizar o ‘Festival da Primavera’, mesmo não tendo essa estação em nossa região. Os pais se mostraram dispostos em colaborar”, contou Nadir Socorro, reiterando que a festa será na sexta-feira (9), quando os pais farão a doação de pratos típicos para venda e arrecadação de dinheiro. O valor adquirido com o evento será revestido no conserto das máquinas.

O pedagogo Fábio Caetano disse que trabalha na escola há cinco anos e, durante este período, nenhuma reforma foi realizada na escola. “É feito somente uma pintura nas paredes da escola, nenhuma reforma foi realizada durante os anos que aqui estou”, pontuou.

Gisele Freitas, mãe de um aluno do 5º ano do ensino fundamental, disse que aceitou a proposta da direção da escola porque não quer ter o seu filho prejudicado pelo calor, nem pela má qualidade de ensino, mas ressaltou que tal pedido é ilegal.

“Faz um mês que meu filho vem estudando em ‘tempo corrido’ e está sendo liberado às 9h. Que qualidade no ensino esta criança vai ter? Os professores estão dando somente resumos da matéria”, reclamou Gisele, cujo filho tem 10 anos.

Já uma dona de casa que se identificou como apenas como Elisangela, mãe de uma criança do 6º ano, também do turno da manhã, disse que conhece seus direitos, mas não se importa em contribuir para o bem-estar de seu filho na escola.

“Eu sei que a escola é pública e que a prefeitura precisa cumprir seu papel e oferecer qualidade e conforto aos alunos e docentes, porém, a pedido da diretora, nós os pais vamos ajudar. Espero que depois o prefeito não saia dizendo por aí que foi ele que consertou os aparelhos”, mencionou Elisangela.

Em nota, a Semed informou que o problema procede, mas que os trabalhos de manutenção dos aparelhos de ar condicionado teriam sido iniciados nesta segunda-feira (28) em parceria com a comunidade escolar.

Por Conceição Melquíades

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