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Sem água nas torneiras, moradores da Zona Leste afirmam que não pagarão fatura

Bairros Nova Vitória e Santa Inês há mais de uma semana estão com o fornecimento de água comprometido - foto: Márcio Melo

Bairros Nova Vitória e Santa Inês há mais de uma semana estão com o fornecimento de água comprometido – foto: Márcio Melo

Revoltados com a constante falta de água, moradores dos bairros Nova Vitória e Santa Inês, localizados na Zona Leste, ameaçam não pagar a taxa de consumo deste mês, como forma de protesto. A falta de abastecimento, há uma semana, no bairro Nova Vitória, fez com que os moradores bloqueassem uma das avenidas principais do local, na última segunda-feira à noite.

O cenário visto na manhã de ontem, nas duas comunidades, era o mesmo registrado há sete dias, quando teve início o racionamento de água, fato provocado pela concessionária Manaus Ambiental.  Moradores carregando na cabeça baldes com água doados por vizinhos que possuem poço, para poderem ao menos preparar a alimentação para os filhos.

A dona de casa, Maria de Nazaré Andrade, afirmou que há duas semana precisa contar com a bondade de outros moradores para realizar as tarefas domésticas, que necessitam do uso de água. Devido a tal situação, ela destacou que não irá pagar a conta do consumo, uma vez que neste mês o serviço fornecido pela empresa foi ineficiente para a comunidade.

“Não é justo que paguemos por um serviço que não usufruímos. Estamos vivendo um verdadeiro caos sem água. Tem um senhor que possui um poço no seu comércio, que se compadeceu com a nossa situação e começou a distribuir água de graça para os outros moradores. Quando ele não está no posto de lavagem, nós temos que comprar por R$ 10 um camburão em outro local. Isso é um absurdo, somos tratados como bichos, esquecidos por essas empresas que só visam lucros. Minha vizinha que quase não fica em casa, recebeu uma conta de água no valor de R$ 3 mil. Como pode isso, se raramente a água chega nas nossas torneiras”, indagou.

Outra moradora, bastante indignada com a situação, relatou que precisa enfrentar uma fila quilométrica ao menos duas vezes ao dia, para conseguir dois baldes que garantem a preparação do almoço dos filhos. Ela ressaltou ainda que tal situação não teve início somente há sete dias. A falta de água no bairro é um dos problemas enfrentados pelos populares desde o início da comunidade.

“Há mais de uma semana eu não consigo lavar uma roupa. Toda água que arrumo é para fazer o almoço e janta. A minha casa está suja, meu banheiro não é lavado, as louças só limpamos as necessárias para o uso diário. Precisamos que algo seja feito com urgência, não aguentamos mais viver assim. Todo dia carregando baldes e baldes de água na cabeça. É uma humilhação e ainda temos que pagar por esse péssimo serviço” desabafou a dona de casa Maria Betânia da Silva Santos.

A mesma situação é vivida pelos moradores do bairro Coroado. Eles reclamam que há mais ou menos um mês, o abastecimento de água foi interrompido e dificilmente é normalizado no período da madrugada.

“Eu estou hospedada na casa de amigos porque não tenho água na minha casa nem para tomar banho. Isso vem se repetindo desde abril. Já abrimos vários protocolos na Manaus Ambiental informando a situação, mas até agora nada foi feito. As vezes o serviço é normalizado na madrugada, mas a água vem tão fraca que para encher um balde leva quase uma hora. Eu ainda tenho a opção de ir para casa de amigos e quem não tem? Como estão sobrevivendo? “, observou a moradora Dora Nepomuceno.

Carros-pipa do Exército Brasileiro farão abastecimento

A partir desta quarta-feira, o Exército Brasileiro (EB), por meio de uma parceria com a Prefeitura de Manaus, fará o reforço no fornecimento emergencial de água para os moradores da Zona Leste, há mais de uma semana sem abastecimento.

“Água é fundamental na vida das pessoas e não podia ficar omisso a essa situação. Desde o início da minha gestão, lutei para colocar o Proama em funcionamento e, mais ainda, para solucionar o reparo na plataforma em um acidente ainda hoje mal explicado”, lembrou o prefeito Arthur Virgílio Neto, que se encontra em Brasília.

De acordo com o coordenador da Unidade Gestora de Projeto Municipal de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário (UGPM Água), Sérgio Elias, por determinação do prefeito, foi enviado um ofício ao Comando Militar da Amazônia (CMA) e a nossa expectativa é de que a partir desta quarta-feira, os carros-pipa do Exército estejam reforçando o abastecimento emergencial da população.

 

Por Gerson Freitas

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