Esportes

Sejel cria Fundo Estadual de Esporte e Lazer para captar recursos

Arena da Amazônia Vivaldo Lima teve seu maior público no jogo Flamengo e Vasco pelo Campeonato Carioca. Em outubro, estádio vai receber o duelo entre o Rubro-Negro carioca e o Fluminense, pelo Brasileirão - foto: divulgação

Arena da Amazônia Vivaldo Lima teve seu maior público no jogo Flamengo e Vasco pelo Campeonato Carioca. Em outubro, estádio vai receber o duelo entre o Rubro-Negro carioca e o Fluminense, pelo Brasileirão – foto: divulgação

Enquanto a crise econômica e política do país não apresenta sinais de melhoria, a alternativa encontrada pelas sociedades para driblar as dificuldades de momento é a criatividade. Na Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), a solução pensada para manter as atividades da pasta a pleno vapor foi a criação do Fundo Estadual de Esporte e Lazer (Feel).

Nomeado titular da Sejel em fevereiro, Fabrício Lima chegou com uma missão principal: tirar a Arena da Amazônia Vivaldo Lima do ostracismo e não deixar o estádio se transformar em “elefante branco”. E até o momento o objetivo foi alcançado. Vários jogos importantes já foram disputados no local e outros tantos já estão com datas marcadas para serem realizados.

Se o cenário econômico não era dos melhores, Fabrício fez da flexibilidade sua principal arma. Baixou valores de aluguéis e criou novos mecanismos para a utilização da principal praça esportiva do Estado, e todo o recurso arrecadado com os eventos passou a ser destinado à Feel, o que, segundo o secretário, tornou a Sejel menos dependente do dinheiro estadual.

“O fundo hoje é fundamental, peça-chave para o trabalho da gente. O recurso dele, e da Lei Pelé, que é advindo das loterias esportivas, um recurso captado junto ao governo federal, permite que a secretaria tenha o orçamentário e o financeiro sem sobrecarregar os cofres do governo do Estado, que pode usar esse dinheiro para outros investimentos importantes”, destaca o gestor.

Uma das alternativas encontradas para a Sejel arrecadar com suas praças esportivas foi reduzir os valores que eram cobrados anteriormente para se realizar eventos nos locais. Como exemplo, Fabrício cita o Pódium da Arena da Amazônia, que antes era alugado a R$ 40 mil e na sua gestão passou para R$ 14 mil. No estádio aconteceu situação semelhante: para se fazer um jogo no local, o contratante teria de pagar R$ 160 mil e mais 10% da renda, além de R$ 50 mil de quadro móvel. Quando assumiu a pasta, passou a coletar apenas a porcentagem em cima do obtido.

“Hoje nós temos os valores cobrados pela utilização da arena sob a ótica da situação que o país está vivendo. Consultamos alguns donos de empresas de evento, conversamos com outras pessoas, fui buscar a expertise em outros Estados, pela internet e até mesmo em viagens que realizei”, explica Fabrício.

Sem negar que a prioridade é a realização de partidas de futebol, o titular da Sejel conta que outras dependências da arena, como o camarote Bossa Nova, podem e estão sendo alugadas para os mais diversos tipos de evento, como aniversários, reuniões, confraternizações e festas temáticas.

“A arena hoje é multiuso. Desses aluguéis todos, a gente consegue receber dinheiro para o fundo. Esse fundo permite que a gente pague as contas da arena, de energia, de água, dos serviços prestados, utilizamos também na compra de passagens áreas dos nossos atletas, que é uma das principais destinações do dinheiro arrecadado com o fundo”, declara o secretário.

Expansão

Os resultados com o Feel têm sido tão satisfatórios, que o gestor já estuda a possibilidade de criar um fundo para arrecadar com eventos a serem realizados nos estádios da Colina e Carlos Zamith. “Já tem várias pessoas de empresas me ligando para fazer confraternização no final do ano nesses locais. Não tem problema, desde que paguem”, argumenta.

O futebol profissional e as categorias de base também têm sido alguns dos beneficiados com o dinheiro arrecadado na “poupança” da Sejel. Este ano, o Campeonato Amazonense Juniores foi todo custeado com recursos oriundos do fundo. E o mesmo vai acontecer com as demais categorias do esporte bretão baré.

“Os clubes amazonenses não pagam nada, tudo é por nossa conta, ambulância, arbitragem. A gente abre os estádios para que eles possam jogar, coisa que nunca aconteceu. A categoria de base é por minha conta, o juniores a gente deu tudo, o infantil e o juvenil será da mesma forma, assim como o futebol feminino”, pontua Fabrício.

Privatização e flexibilidade

Bastante especulada na gestão anterior a de Fabrício Lima na Sejel, o assunto privatização da Arena da Amazônia parece ser página virada. Conforme o secretário, a principal praça esportiva baré ainda vai render bons frutos ao Estado. “É o governador quem manda. Mas o que eu falo para ele, e ele tem me escutado muito em relação a isso, é que eu não vejo porque privatizar. Na hora que embalar, ninguém segura”, pontua.

Possibilitar eventos de lutas de MMA na Arena Amadeu Teixeira tem sido outra marca da Sejel. Ciente da dificuldade dos organizadores em arcar com o aluguel do espaço, Fabrício procurou flexibilizar e negociar de maneira diferente. No Mr. Cage 23, por exemplo, que foi disputado no último final de semana, a direção da franquia doou R$ 10 mil em ingressos ao abrigo Moacyr Alves. Tudo o que for vendido, ficará com a própria instituição. “No jogo do Brasil a gente tem 7% renda. No torneio internacional de futebol feminino, 20% da renda será nossa”, antecipa.

Para garantir internet na arena, na Colina e no Carlos Zamith, o gestor fechou parceira com a Net. Em forma de permuta, a empresa será responsável por prestar serviços nas praças esportivas e em troca terá um camarote permanente no principal estádio da cidade.

“É buscar parceria. Eu tenho feito muito isso. A gente meio que desburocratizou. Vamos flexibilizando como forma de arrecadar, senão ela (arena) vai ficar fechada e eu vou ter custo da mesma forma se tivesse aberta, aí ela realmente vai ser um elefante branco”, finaliza Fabrício Lima.

Por André Tobias

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir