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Secretário diz que será difícil conceder aumento salarial a professores

A categoria está em campanha salarial para obter uma reposição de 20% relativa à perda causada pela inflação - foto: divulgação

A categoria está em campanha salarial para obter uma reposição de 20% relativa à perda causada pela inflação – foto: divulgação

O secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares da Silva, disse que o governo terá dificuldades para aumentar o salário dos professores em função da baixa arrecadação de impostos. A categoria está em campanha salarial para obter uma reposição de 20% relativa à perda causada pela inflação. Nessa ultima terça-feira (29), um grupo de aproximadamente 500 professores fez uma manifestação em frente à sede do governo, no bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus. Eles exigiram uma audiência com o governador José Melo (PROS), que acabou marcado para esta quinta-feira (31).

“A gente precisa ter sensibilidade nesse momento de crise. Se não tiver dinheiro, não adianta aumentar salário porque não vai ser possível pagar esse salário até o final do ano.  Nós somos um dos poucos Estados que está pagando em dia as férias e o vale alimentação. Só essa conta é de R$ 90 milhões por ano”, disse Rossieli Soares.

A concessão do plano de saúde, outra reivindicação dos professores, não está descartado, garantiu o secretário. “À medida que a receita voltar a subir, a gente volta a discutir esse ponto e qualquer ponto que envolva recursos. Hoje, nós precisamos manter as escolas abertas, funcionando, com o salário em dia. Qualquer passo maior que esse pode acabar trazendo outros problemas mais graves”, afirmou Rossieli.

Na educação, o orçamento para este ano é de R$ 2,2 bilhões para manter 584 escolas, na capital e interior. “Grande parte desse orçamento é recurso carimbado que não pode ser usado com a folha de pagamento e, quando você começa a diminuir esses orçamentos específicos, você fica com R$ 1,6 bilhão de orçamento próprio para toda Seduc. Desse valor, R$ 1,3 bilhão é para pagar pessoal”, explicou o secretário. “Nós temos um percentual que foi aumentado de 25% para 25,5% e nossa expectativa era que se confirmasse a arrecadação, mas como não se confirmou, tivemos R$ 82 milhões a menos somente nos meses de janeiro e fevereiro deste ano.  Então, o percentual a arrecadação caiu tanto que nós estamos tendo muito menos recursos do que o previsto. É um momento infeliz e não permite que a gente avance mais do que isso”, declarou Rossieli.

O secretário disse ainda que o piso salarial nacional dos professores é R$ 2.135,64 para docentes com o regime de 40h semanais. “Embora represente um aumento de 11,36% em relação ao piso nacional aplicado até 2015, o valor é 53,09% inferior ao piso salarial hoje pago pelo Governo do Amazonas aos professores da rede pública estadual, cujo salarial inicial, para o mesmo regime de 40h, está fixado em R$ 3.269,50. A rede pública estadual do Amazonas conta atualmente com 28.928 professores e os investimentos destinados à remuneração dos profissionais da educação estadual corresponde a aproximadamente 73% do orçamento total da Secretaria de Estado de Educação (Seduc)”, afirmou. “Em 2005, há dez anos, os professores da rede estadual do Amazonas, com o mesmo regime de horas, tinham o salário inicial fixado em R$ 1.902,00”.

A explicação não convenceu os professores. “A primeira reivindicação que temos é a negociação, que o Estado não cumpriu.  A nossa data base é 1º de março e ainda está pendente. O Estado, nesses dois anos, não deu uma resposta plausível.  Outra reivindicação é o plano de saúde que estava certo de sair em fevereiro deste ano e não saiu”, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), Marcus Libório.

O sindicalista disse que algumas escolas de Manaus ficaram sem aula na manhã de ontem e também nos turnos da tarde e noite. “A categoria está mobilizada em cobrar uma resposta do governo do Estado. Eles alegam que não tem recursos, mas é o governo que tem que dá essa resposta para gente. Nós não vamos pagar o preço pela crise, não vamos aceitar mais um ano sem reajuste”, afirmou. “Queremos que eles deem pelo menos a reposição da inflação, que hoje está acumulada em quase 20%. O plano de cargos garante a reposição da inflação no período. Nem isso o governo está cumprindo”, reclamou.

Libório disse que haverá uma assembleia para debater a posição do governo. Se não houver um aceno em relação à reposição salarial, será votado um indicativo de greve geral. “Uma possível greve não está descartada, mas isso quem vai dizer é a categoria. Vamos nos reunir e discutir se faremos greve ou não. O dialogo sempre existiu por parte do sindicato, o que falta é o governo cumprir com o que foi negociado”, enfatizou.

Por Michelle Freitas

1 Comment

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  1. Paula Cunha

    30 de março de 2016 at 21:20

    Esse secretário é imbecil e cara de pau,ele não sabe lê,pois esse piso nacional é para os profissionais com o magistério e não com curso superior,mais ele tem que acompanhar o chefe dele que é o governador,ambos com a mesma “competência”.Pra completar o sindicato perdeu a credibilidade.

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