Economia

Seca muda rotina dos pescadores de Balbina

Barqueiros e pescadores contam que até a pescaria profissional para na região, o que aumenta os prejuízos- foto: Ricardo Oliveira

Barqueiros e pescadores contam que até a pescaria profissional para na região, o que aumenta os prejuízos- foto: Ricardo Oliveira

Principal atividade econômica dos moradores da Vila de Balbina, no município de Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), a pescaria mudou de endereço por conta da seca que atinge o rio Uatumã. Com o baixo nível de água, barqueiros e pescadores deixaram o lago de Balbina – represa da barragem – e se mudaram para o ramal da Morena – localidade abaixo da hidrelétrica -, na busca por amenizar as perdas das atividades econômicas da região.

Barqueiro e pescador há 10 anos, Valdeir Souza, 39, disse que a seca no lago de Balbina (a 197 quilômetros de Manaus)tem prejudicado os ganhos de quem depende dessa atividade para sobreviver. “O tucunaré some, a pescaria profissional também para. É bom mesmo quando está bastante cheio. A gente depende desse lugar e quando uma seca desse tamanho acontece, fica ruim para todo mundo”, afirmou.

Segundo Souza, os ganhos com o lago de Balbina em época de cheia chegam a R$ 1,5 mil por semana. Com o local seco, eles passam a trabalhar nas margens do rio Uatumã, localizado no ramal da Morena, com a pescaria esportiva. Como o local faz parte de uma reserva de abastecimento de uma comunidade ribeirinha, os lucros dos barqueiros passam a ser de R$ 500 por semana.

“Lá para Morena você só pode pescar um tucunaré para comer, e os peixes maiores só servem para o turista fazer foto e depois devolver à natureza. Mas, como o lago seca, a gente vai trabalhar no turismo lá para baixo. Para quem não tem um meio de sobreviver fica difícil, porque aqui não tem emprego”, observou Souza.

Em média, os barqueiros cobram R$ 100 a diária para os turistas que querem pescar um bom tucunaré no ramal da Morena, valor 50% inferior ao cobrado no lago de Balbina quando está cheio. “Aqui, quando não estamos de barqueiro, trabalhamos com o pescado, já que é permitido sair daqui com até 250 quilos de peixe”, explicou Souza, enquanto desviava sua rabeta em meio às árvores mortas localizadas na parte de cima da barragem.

A perda de dinheiro é tão grande que nenhum piloteiro se arrisca a pescar ou ficar esperando pescador às margens do lago de Balbina. A equipe de reportagem do EM TEMPO esteve presente no local e presenciou o marasmo e a pouca movimentação dentro da água. O restaurante de João Lobato, conhecido nas redondezas como “Mirandinha”, tradicional ponto de partida para os pescadores, não tinha um barco disponível para quem resolvesse arriscar entrar no rio.

“Esta seca não nos surpreende. Tivemos uma seca aqui em 97 que foi histórica, essa daqui não chega nem aos pés. Agora que está começando a ficar bem seco, e, de acordo com previsões de meteorologistas, não vai ser tão grande. Considero uma seca normal. Em dezembro já começam as chuvas e o lago vai começar a encher novamente”, previu “Mirandinha”, que mantém seu restaurante em funcionamento apesar da pouca movimentação de pescadores no local.

Pacotes

Alguns hotéis e pousadas oferecem pacotes para que o turista tenha uma experiência mais completa e faça da pescaria uma aventura inesquecível. Existem pacotes que chegam a R$ 500. A pesca no lago ocorre durante o ano inteiro – este ano, com a seca rigorosa, ela se mudou para o ramal da Morena – com predominância absoluta do tucunaré, variando de 700 gramas a 4 quilos, piranhas, inclusive a preta, alcançando até 3 quilos, aruanãs, acarás e pequenos pacus e piaus.

Por André Tobias

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