Eleições 2016

Se eleito, Henrique garante romper contratos com empresas que não melhorem serviços para população

Disputando a Prefeitura de Manaus pela segunda vez, o candidato Henrique Oliveira (SDD) está convicto de que estará no segundo turno das eleições com o prefeito Arthur Neto (PSDB). Entre tantas propostas que possui para a gestão municipal, ele destaca investimentos na saúde e no subsídio da tarifa de ônibus para os estudantes da rede municipal de ensino. Vice-governador licenciado, Henrique não blefa quando revela seus planos para sua carreira política. Ele, que já foi vereador – e teve o mandato cassado – se elegeu deputado federal, depois vice de José Melo, agora planeja administrar a capital amazonense, cujo orçamento para 2017 está estimado em mais de R$ 4 bilhões. Henrique também anuncia, caso seja eleito, que romperá o contrato com as empresas de transporte público e a concessionária Manaus Ambiental, caso não melhorem o serviço prestado para a população.

EM TEMPO – Qual é o carro-chefe do seu plano de governo, caso seja eleito prefeito de Manaus?
Henrique Oliveira – Vamos cuidar da saúde básica que hoje sofre com números muito baixos, por meio do projeto ‘Melhor em Casa’. A meta é sair dos 30% de atendimento que é feito hoje, para atingir os 80%, número relativamente bom, comparado com Porto Alegre e Vitória, que já atingiram esse nível. Nós vamos levar os médicos, agentes comunitários de saúde e enfermeiros para diagnosticar doenças como hipertensão, diabetes, vacinas atrasadas e problemas odontológicos, não sobrecarregando as outras áreas da saúde. Vamos viver numa cidade onde a morte não atrapalhe a felicidade. Agora temos outros pontos importantes que abordamos no nosso plano, como o transporte público. Nós temos a ‘Tarifa Zero’ para o estudante, que vai custar aos cofres públicos R$ 50 milhões por ano, dando duas passagens, uma de ida e uma de volta, para que o aluno vá e retorne de sua escola. O importante disso tudo é que esse valor vai ser injetado na economia, porque quando se deixa de cobrar R$ 1,50 de ida e R$ 1,50 de volta, que são R$ 3; e isso vezes 22 dias, são R$ 66; esse valor, para uma família que tem três filhos estudantes, é de R$ 180, que vão poder entrar para compra de remédios, alimentos, academia e curso de inglês. Isso vai do cargo a uma necessidade premente, que é uma melhoria de renda das famílias. Já no transporte coletivo, é você criando novas saídas para que as principais vias sejam destinadas para os ônibus. Com isso, criamos alternativas para os carros de passeio, que hoje não têm espaço pela falta de trajetos, até por causa da mão dupla, que hoje é uma regra na cidade.
EM TEMPO – Como o senhor pretende resolver um dos grandes problemas que aflige a população, que são as constantes paralisações do transporte público? Os trabalhadores do setor justificam os atos devido aos constantes atrasos de pagamento por parte das empresas do ramo.
HO – Todas as empresas de qualquer tipo de serviço, se não prestar serviço adequado, nós podemos juridicamente romper contrato. O que é preciso na verdade é transparência, porque essa planilha tão falada, nunca foi aberta, é uma caixa preta. Entra prefeito e sai prefeito e as pessoas esticam as cordas, dizem que vão romper contrato, e na verdade eles não sabem o custo verdadeiro de uma passagem de ônibus e qual o lucro e despesas que os empresários estão tendo. Isso me leva a crer que tem alguém ganhando dinheiro com tudo isso e, a gente parte de um princípio que, se não prestar o serviço, tem muitas outras empresas no Brasil que querem trabalhar. Há 4 anos, tínhamos a frota mais nova do país, só que os ônibus têm uma vida útil de 6 anos. Agora teremos a frota mais velha do país, daqui a poucos meses, porque já está chegando na data-limite. Mais de mil ônibus transitando, muitas partes da cidade que não têm frequência correta, ocasionando em atraso na chegada; apertos, sem falar no tempo quente. O que precisa é trazer soluções inteligentes, como a reordenação do trânsito de Manaus.

EM TEMPO – O senhor também foi candidato a prefeito de Manaus nas eleições de 2012. O que o senhor manteve do seu plano de governo anterior?
HO – Eu mantive praticamente tudo, porque as demandas daquela época continuam hoje. Nós tínhamos 26% de atenção básica da saúde e hoje nós continuamos amargando esse percentual. Existe uma defasagem enorme de creches, transporte coletivo e lazer que até hoje não tem, a não ser a Ponta Negra, que foi feita pelo Amazonino. Os viadutos já tínhamos e a única intervenção feita foi a do aeroporto, o complexo 28 de março.

EM TEMPO – Muitos candidatos a prefeito, inclusive o senhor, têm dito que, caso sejam eleitos, irão romper o contrato com a concessionária Manaus Ambiental. Essa é a solução mais prática para o problema de abastecimento de água?
HO – O rompimento pode acontecer judicialmente. Lógico que não existe possibilidade de eu assumir o governo e no outro dia fazer isso, mas existem motivos de sobra para fazer, porque tem no contrato a obrigatoriedade na melhoria do saneamento básico, que não foi feito até agora, e na tarifa social que não foi feita até o momento. Agora, ficar de braços cruzados e sendo assolado todos os dias com a falta de água para quem realmente precisa, não dá. Nesse momento, era para estarmos discutindo a qualidade da água e não a quantidade. Eu tenho o Arthur Neto como um ótimo parlamentar, mas como prefeito ele deixou demais a desejar.

EM TEMPO – Ranking do saneamento, divulgados pelo Instituto Trata Brasil, mostra Manaus com nota zero em saneamento básico. Qual a proposta do candidato Henrique Oliveira para resolver este problema?
HO – Exatamente por isso, porque essas empresas que foram contratadas, como a Manaus Ambiental, para que cuidasse desse problema sério que é o saneamento, não fez. A gente vê que os quatro igarapés de Manaus recebem toneladas de dejetos humanos, de fossas mesmo. O Prosamim foi um projeto que deveria ter sido de saneamento básico, mas ficou só na parte urbanística, como o da Cachoeirinha que é um esgoto a céu aberto. Dizer que o município tem dinheiro para fazer o saneamento básico de toda a cidade seria uma grande ilusão, nestes 4 anos, e agora nós temos condições de buscar dinheiro lá fora, porque existem organismos internacionais que não se preocupam apenas com a floresta em pé, mas também com a água da Amazônia, que não pode ser poluída. Eu tenho certeza que com credibilidade nós vamos buscar em bancos internacionais os recursos suficientes para que a gente possa resolver, definitivamente, o problema de esgoto na cidade.

EM TEMPO – Como vice-governador, qual foi o seu posicionamento em questão à proposta de reordenamento da saúde feita pelo governador José Melo? Como vai ser a sua atuação caso eleito nessa questão, vai apoiar ou não?
HO – Eu só tomei conhecimento do reordenamento quando foi anunciado, exemplo de outras decisões feitas pelo José Melo no dia a dia. Ele não me liga de manhã cedo para perguntar se ele faz ou não, isso não existe. Eu sabia que ele era assim, desde quando aceitei ser vice em sua chapa; e eu não demito secretário, por mais incompetente que eu possa achar, eu não inauguro escola, porque essas ações são do governador e eu respeito. São coisas muito distintas que os adversários tentam impor sobre mim e não é que eu não saiba de nada, eu não comando essas ações. Caso eu seja prefeito, vai ser uma bela alternativa porque eu me dou muito bem com ele, eu sei que quem manda é ele. Se eu tiver a caneta da prefeitura e ele a do governo, vamos fazer uma grande parceria.

EM TEMPO – O senhor já participou do primeiro debate e outros virão ao longo da campanha eleitoral. O senhor vai manter a mesma linha que adotou ou vai adotar outro discurso?
HO – O tom do debate vai ser o mesmo, tentando alertar as pessoas sobre as mentiras que estão sendo colocadas e as ilusões que estão sendo vendidas e que não vão ser cumpridas. Tentando fazer com que o eleitor entre no túnel do tempo e veja o pouco dos últimos 8 anos, alertando que a cidade patinou e andou para trás.
EM TEMPO – Como o senhor avalia o perfil dos outros candidatos a prefeito e qual desses o senhor considera realmente como um oponente?
HO – Todos têm um potencial, não podemos menosprezar ninguém, porque todo mundo recebeu o aval do seu partido. O Luiz Castro, que não vai participar dos debates, tem uma bela história e biografia, o José Ricardo, embora os problemas do PT, também é uma pessoa bem–intencionada, ficha limpa, e a gente percebe que ele está no partido errado. A gente vê o Hissa, que é um jovem contestador, ‘brigador’, fala bem, se expressa bem e o Marcelo também. Acho que o Arthur, com a máquina, seja muito difícil não estar no segundo turno comigo, e eu vou conseguir agregar uma grande parcela dos descontentes com a sua administração e vamos ganhar o segundo turno.

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