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Saterês buscam recursos para manter tradição; falta de reparos compromete trabalhos na aldeia Sahu-Apé

Em novembro, acontece na aldeia o ‘Encontro dos Guerreiros Saterês-Mauês’ que é aberto ao público para participar da sessão da tucandeira - foto Ione Moreno

Em novembro, acontece na aldeia o ‘Encontro dos Guerreiros Saterês-Mauês’ que é aberto ao público para participar da sessão da tucandeira – foto Ione Moreno

Índios da aldeia saterê-mauê Sahu-Apé, localizada no quilômetro 37, da rodovia Manoel Urbano (AM-070), que liga Manaus ao município de Manacapuru, enfrentam uma luta diária para manter vivos seus costumes e tradição. Conhecida pela prática do turismo em terra indígena, hoje, os 42 moradores das 14 famílias da comunidade esbarram em dificuldades características dos centros urbanos, como problemas de infraestrutura e financeiros.

Oriundos do baixo Amazonas, os saterês-mauês chegaram à aldeia – localizada nas proximidades do rio Ariaú – há 29 anos. De acordo com Sahu Apé Freitas, filho de Zelinda da Silva Freitas, mais conhecida como ‘dona Baku’, pajé da aldeia Sahu-Apé, ainda hoje eles vivem da caça e da pesca, mas nos últimos 10 anos, a comunidade começou a fazer artesanato e abriu as portas para os turistas. Mesmo assim, a ausência de visitantes tem impactado diretamente na renda dos moradores da aldeia que não tem como investir em melhoria e no desenvolvimento local.

“Mesmo estando tão perto da cidade estamos tentando resistir e manter a nossa cultura. Em volta da comunidade tem casas de não índios e aqui recebemos pessoas que queiram visitar e conhecer uma cultura diferente. Quem vem aqui pode conhecer o ‘ritual da tucandeira’, a medicina tradicional e comprar nosso artesanato feito com sementes. Nós trabalhamos com isso, mas precisamos que as pessoas venham nos visitar”, destacou Sahú.

‘Grande maloca’

Entre as tradições, os índios da aldeia saterê-mauê mantêm viva, até hoje, o ritual da tucandeira, que representa uma passagem na qual os meninos, para provarem sua valentia e se tornarem guerreiros, colocam a mão numa espécie de luva com formigas cujo veneno causa calafrios, inchaços e dores. Em novembro, acontece na aldeia o ‘Encontro dos Guerreiros Saterês-Mauês’ que também é aberto aos turistas, e os corajosos podem até participar da sessão da tucandeira.

O ritual ocorre num barracão conhecido como “A Grande Maloca”. É nesse espaço também que os turistas são recebidos e apresentados à comunidade. Entretanto, há um ano uma forte chuva destruiu parte da ‘Grande Maloca’ e até hoje, a comunidade não conseguiu reformar o local.

A produtora cultural Francis Baiardi, que esteve por 10 dias participando de uma residência artística na comunidade, conta que se sensibilizou com a situação dos índios.

“A grande maloca é onde acontece um momento especial para eles. Tem um grande valor, mantém a cultura viva e há mais de um ano a chuva destruiu isso. Considero três pontos fortes: questão cultural, sobrevivência, porque eles precisam receber os turistas para ter renda, e o valor sentimental. A ‘dona Baku’ todos os dias olha para a maloca e se sente muito triste, não só ela, como os filhos, principalmente por não terem como reconstruir”, relatou.

Futuro líder da aldeia, Sahu–Apé, faz um apelo para conseguir ajuda para reformar a ‘Grande Maloca’.

“Sozinho não conseguiremos melhorar nossa grande maloca e ela é muito importante para a gente. Na última semana a chuva atingiu outra parte, onde colocamos nosso artesanato para o visitante ver e comprar. Como podemos oferecer algo bom para nosso visitante se a maloca está destruída? Desde quando a chuva destruiu o barracão não tivemos dinheiro para arrumar, precisamos de ajuda das autoridades e pessoas que possam fazer algo pela gente”.

Interessados em ajudar a aldeia Sahu-Apé podem entrar em contato pelo número (92) 98204-7159.

Aldeia recebe turistas diariamente

Chefiada por ‘dona Baku’, a aldeia indígena saterê- mauê Sahu-Apé está aberta diariamente para receber os visitantes. O local é visitado principalmente por turistas estrangeiros e artistas.

Hoje, os indígenas da comunidade estão como apoiadores do projeto artístico ‘Aquele que vê longe – Apoena’, contemplado com o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015, da artista Huana Viana, em parceria com Francis Baiardi, que assina a direção.

As duas estiveram na comunidade, onde conviveram com os índios por dez dias, trocando experiências e conhecimentos. No local, promoveram oficinas culturais para crianças e jovens e realizaram apresentações.

Por jornal EM TEMPO

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