Cultura

Sambista amazonense lança CD nesta quarta-feira, no largo São Sebastião

Nas 12 músicas do novo álbum, Rodrigues mantém o ritmo tradicional do samba, mas inova no visual e nos instrumentos - foto: divulgação

Nas 12 músicas do novo álbum, Rodrigues mantém o ritmo tradicional do samba, mas inova no visual e nos instrumentos – foto: divulgação

“Deixa a vida me levar, vida leva eu”, cantou Zeca Pagodinho. “Eu já passei por quase tudo nessa vida”, anuncia o sambista na abertura da famosa canção. O amazonense Júnior Rodrigues também já passou por quase tudo na carreira musical. Aos 46 anos de idade, 28 deles foram de idas e vindas no samba. “Essa vida é batalha”, define o cantor e compositor na música título do quarto CD que ele lança nesta quarta-feira (4), às 19h, no largo São Sebastião, no Centro.

Nas 12 músicas do novo álbum, Rodrigues mantém o ritmo tradicional do samba, mas inova no visual e nos instrumentos. No primeiro, abandonou o cavanhaque e o chapéu que lhe conferiam um ar de João Nogueira. No segundo, adotou o contrabaixo, a bateria e o piano. A introdução de instrumentos eletrônicos é para sofisticar a melodia, não se sobrepor ao pandeiro, cavaquinho, banjo, tantã, cuíca e agogô, que são soberanos no compasso do samba de raiz. “A intenção é dar uma sofisticação à melodia, mas sem fugir ao ritmo tradicional do samba”, disse Rodrigues, que assina dez faixas. Nas outras duas, uma é ‘Vai que vai’, dos cariocas Moacyr Luz e João Martins e a outra é ‘Imperatriz do meu lar’, dos paulistas Afonsinho BV e Naio Denay.

Ao contrário de Pagodinho, Rodrigues não deixa ser levado pela vida, mas corre atrás do ganha pão. Afinal, se a vida dá samba, na labuta musical é preciso dançar conforme o ritmo das dificuldades. As letras das novas composições fazem referência aos problemas do cotidiano e de viver da música, com crítica e autocrítica, mas sem perder o humor e o romantismo. “Esse novo disco é um retrato do que é viver de música. A batalha é, principalmente, financeira. Em se tratando de música autoral, isso é mais complicado ainda. Você tem que tocar muito, fazer muitos shows”, diz Junior.

Na batalha da vida, o CD não é uma arma, mas um cartão de visitas. A guerra mesmo é travada nos palcos. “É um registro para quem quer ter o trabalho do artista, mas são os shows que firmam a carreira musical”, avalia Junior Rodrigues. “A gente vive o que todo mundo vive, mas o diferencial é perceber o que ninguém percebe”, comenta o sambista, que insere em suas composições um desabafo contra o pouco valor dado aos músicos autorais, mas sem o viés político. Até porque, cantar por prazer não enche barriga. Como diz a letra da canção título: “Você tem que aprender/Que tocar por prazer/Às vezes atrapalha/Essa frase clichê/ ‘Tocador quer beber’/ É dar soco em navalha”.

Shakespeare

“É o melhor disco da carreira. São músicas que mostram como é dura a vida de compositor e sambista, mas com humor e romantismo. O samba tem esse diferencial de expor a tragédia, a dor, a decepção amorosa com leveza”, disse Rodrigues, ao revelar que em uma das músicas usou apenas ditados populares. “Peguei o que está aí, que todo mundo diz, e musiquei. Ficou muito legal”, declarou.

Em outra composição, ‘João, Maria e João’, o sambista faz uma releitura do clássico shakespeariano Romeu e julieta. Conta a história de um triângulo amoroso em que, no final, Maria acaba ficando sem nenhum dos João. São canções para ouvir e, claro, sambar.

O lançamento do novo CD, aliás, será uma celebração. O show gratuito, no projeto Tacacá na Bossa, será interativo. Como muitos sambistas e cantores de outros gêneros musicais costumam prestigiar o artista, Junior pretende chamá-los ao palco. “O samba tem essa particularidade, de improvisar um coral, um dueto. Com certeza vou chamar amigos e fãs para cantarmos juntos”, avisou o músico, que tem sangue amazonense, mas coração carioca.

Rodrigues viaja na sexta-feira para o Rio de Janeiro, onde irá lançar o novo disco. Já é conhecido nos palcos cariocas. Deixou sua marca como compositor, inclusive, em sambas enredos de escolas do Rio. O carnaval, portanto, também está na veia. Neste novo CD, a influência carioca é marcante. “Foram dois meses de estúdio na produção do álbum. Antes de gravá-lo, já havia apresentado as músicas em alguns shows para o público ir se familiarizando”, rebelou Rodrigues, que lança o novo trabalho contemplo pelo projeto Edital de Conexões Culturais 2015 da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).

Por Cleber Oliveira

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