Cultura

Samba interpretado por David Assayag vence e contará a ‘mística xinguana’ na Imperatriz Leopoldinense

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O convite veio dos compositores que, ao verem David no Festival de Parintins, quiseram a ‘voz da Amazônia’ defendendo o samba-enredo – foto: divulgação

“Todas tribos reunidas pra festa do Xingu
Todos tambores celebram a dança do Xingu
Eu sou filho do rio, sou filho da terra, sou filho do sol
Eu sou filho da mãe natureza
Eu sou mehinako, sou kamaiurá, sou trumaí
Eu sou índio, eu sou filho do mesmo Brasil”.

Foram os trechos da toada ‘Mística Xinguana’, de autoria do compositor parintinense Paulinho Dú Sagrado, cantados por David Assayag no Festival de Parintins em 2012 que aguçaram ainda mais a vontade do carnavalesco carioca, Cahê Rodrigues de trabalhar a temática pela passarela da Sapucaí, no carnaval do Rio de Janeiro pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense.

“Eu já tinha muita vontade de falar do Xingu na avenida, mas quando ouvi e me deparei com a forma que foi trabalhada a composição do Paulinho no Festival de Parintins, aguçou mais. A toada é uma obra-prima que resume muito bem a luta do Xingu. E é nesse contexto que vamos exaltar e homenagear os índios de lá, os rituais tribais, a natureza e o amor do índio ao solo brasileiro”, explicou o carnavalesco.

‘Xingu – o clamor que vem da floresta’ vai fazer uma viagem pela cultura tribal, tendo como ponto de partida as diversas etnias da região. E foi pensando na personificação da figura do índio que os compositores – Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna – fizeram o convite para David Assayag durante o festival deste ano para uma parceria na defesa do samba-enredo. Os compositores queriam a música na voz do levantador de toadas do Caprichoso, conhecido como o ‘Imperador da Amazônia’, pela proximidade com a temática abordada, visto que Assayag já entoa versos indígenas na disputa parintinsense.

“Foram dois meses de disputa até a noite de ontem (17), que coroou o samba dos meninos como campeão. Nunca tinha participado de nada do gênero aqui no Rio, no berço do samba, é foi uma surpresa, uma coisa totalmente diferente do que já faço”, disse David.

Ídolo em todo o Amazonas e artista consagrado no festival da ilha tupinambarana, David Assayag vai estar pela segunda vez ‘nas mãos’ de Cahê Rodrigues, com quem já trabalhou em 2002, quando o carnavalesco defendia outra agremiação e levou o artista azulado como homenageado no enredo ‘Superação’.

“Fico na expectativa de que ele coloque a voz no CD e também esteja com a gente no carro de som, junto aos puxadores oficiais. Ontem não tive a oportunidade de falar com ele e dizer o quanto fique feliz. Por toda minha paixão pelo festival e, também , pela própria figura do artista que ele é”, falou Cahê.

David confirmou que após o anúncio do resultado final, na quadra da Imperatriz, no bairro de Ramos, o ‘burburinho’ de que ele já estava cotado para fazer parte das gravações e apresentações oficiais da escola era grande. “Será uma honra e muito importante para a minha carreira viver essas experiências na Sapucaí”, disse David.

O enredo, que também vai comemorar os 55 anos de fundação do Parque Indígena do Xingu, localizado no Mato Grosso, vai ser narrado pela escola de samba por meio de seis alegorias e 29 alas. Além da participação de David Assayag, vão desfilar defendendo as cores verde e branco a rainha do folclore e miss Amazonas, Brena Dianná e o ex-pajé do Caprichoso, Waldir Santana.

“Waldir será coroado na Sapucaí com uma grande homenagem, será como uma festa de despedida dele ao seu item”, revelou Cahê que, com a mística xinguana, busca levar o nono título para a Imperatriz.

Rosianne Couto
Portal EM TEMPO

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