Artigos

Sair da jaula

Selvino Heck - Assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República

Selvino Heck
Assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República

Adital – Oscar Jara conta a história de uma visita a uma grande escola da Colômbia. Uma sala ao lado de outra, em todas escrito bem grande, “aula”. De repente, a surpresa. Alguém escreveu um “j”: jaula. É como o aluno, alunos, aluna, alunas se sentiam: dentro de uma jaula. Oscar Jara é educador popular dos mais conhecidos na América Latina e presidente do CEAAL – Conselho de Educação Popular da América Latina e Caribe. Contou esta história no “Encuentro Latinoamericano y Caribeño” e da “Asamblea Intermedia” de CEAAL, acontecida em Quito, Equador, no final de agosto, com presença e participação de dezenas de educadores e educadoras populares da América Latina e Caribe. O tema do Seminário: O desafio da Educação popular no contexto atual, e a diversidade de formas de participação cidadã para aprofundar a democracia participativa na América Latina e Caribe. O lema: Somos movimento de educadores (as) populares!

Falou Oscar Jara: “Devemos falar de processos de educação popular, educação como proposta político-pedagógica, uma educação popular que resgata a vida, as necessidades, as expectativas e sonhos do povo social, do povo político, o povo latino-americano. A noção mais importante é o povo político: os que lutam para mudar, para acabar com a discriminação e a opressão. Educação popular é uma pedagogia para desenvolver as capacidades. Imaginar e sonhar outras situações diferentes, construir o futuro que queremos levar adiante. São processos de ação, participação, de diálogo. Capacidade de imaginar, mirar outras realidades, romper com os esquemas as dominações. Processos de educação popular criam poder. São processos políticos intimamente ligados a processos de organização. A utopia tem sentido se traz mudanças em nossa vida e nossas práticas, desenvolvendo uma lógica distinta de relações humanas e outras relações de poder”.

Para a indígena Cecília Velasquez, é preciso descolonizar as mentes e empoderar-se de sua palavra. A educação popular é educação para a diversidade, porque somos coletivos com identidade, com história e futuro. Pedro Pontual, Diretor de Participação Social da Secretaria Geral da Presidência da República, apresentou as conquistas brasileiras mais recentes: A Política da Política Nacional de Participação Social, com decreto da presidenta Dilma Rousseff, a Política Nacional de Educação popular, em construção, e o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, aprovado no Congresso e sancionado pela presidenta. “É desafio transformar a participação social em método de governo, ampliando as formas de incidência e de diálogo com novos atores sociais, criando relações de confiança entre os movimentos sociais e os governos, mesmo que haja relações tensas e conflitos. É preciso estimular a paixão e o desejo de participação”.

Os desafios postos não são fáceis nem simples. A construção de um projeto emancipatório, contra-hegemônico, entendido como processo permanente de construção de poder, na convergência com movimentos sociais e outros sujeitos políticos, como propõe CEAAL, requer processos de construção de poder democrático desde uma proposta ético-político-pedagógico baseada em um paradigma de emancipação centrado na solidariedade, na equidade, na justiça, em uma cultura da vida, na busca do Bem Viver. É, portanto, um projeto anticapitalista, antipatriarcal e anticolonial. Isso se realiza através de processos de educação crítica e libertadora, desenvolvendo capacidades como sujeitos transformadores nos mais diversos campos da vida econômica, social, política e cultural, desde espaços de resistência, de exercício de governo, de ação local, nacional, regional e internacional.

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas

Subir