Mundo

Rússia celebra 70 anos do fim da 2ª Guerra e acusa Ocidente de fascismo

Milhares de soldados marcharam e dirigiram tanques pela Praça Vermelha, em Moscou, neste sábado (9), comemorando os 70 anos do fim da 2ª Guerra Mundial, com a vitória sobre a Alemanha nazista.

O evento russo, com a presença de líderes de antigos países aliados da então União Soviética, foi boicotado pelos líderes ocidentais devido ao papel da Rússia na crise da Ucrânia.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, usou a efeméride para vender patriotismo e fazer críticas ao Ocidente. Numa marcha em Kiev, o presidente Petro Poroshenko disse que Moscou estava tentando levar crédito pela vitória na Segunda Guerra às custas da Ucrânia. A Rússia demonstrou o Armata T-14, o primeiro novo tanque russo a ser lançado em 40 anos. Alguns dos soldados usavam uniformes da Segunda Guerra.

Embora os líderes ocidentais tenham se afastado das comemorações, Putin recebeu cerca de 30 líderes estrangeiros, incluindo o presidente chinês Xi Jinping, que sentou ao seu lado direito. O líder cubano Raúl Castro posou com Putin. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, compareceu. Já a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente Barack Obama e os líderes da França e do Reino Unido deixaram de participar.

Em 1942. os nazistas tiveram uma derrota importante ao invadir a Rússia pelo leste da Ucrânia, justamente na região atualmente em disputa entre a Rússia e nações ocidentais lideradas pela Alemanha. Os rigores do inverno russo colaboraram na derrota dos nazistas, quando muitos soldados morreram de frio e fome. Houve uma pequena milícia de combatentes ucranianos que estava preparada para se unir aos invasores nazistas, deixando desde então qualquer expressão de nacionalismo ucraniano exposta a acusações de simpatia ao fascismo.

Em seu discurso, Putin alertou que o fascismo poderia estar novamente em marcha, sugerindo que outros países estão reescrevendo a história para minimizar o papel de Moscou na vitória.

“Os princípios básicos da cooperação internacional foram ignorados com maior frequência nas últimas décadas. Princípios que foram ganhos com dificuldade pela humanidade, após as dificuldades da guerra”, ele disse às colunas de soldados que assistiam.

“Já presenciamos tentativas de criar um mundo unipolar”, ele disse, ecoando um discurso que fez em 2007.

A Ucrânia, por sua parte, fez uma cerimônia separada um dia antes, com a maioria dos países europeus.

Poroshenko criticou Moscou por acusar Kiev de usar métodos “fascistas” para derrubar o ex-presidente Viktor Yanukovich, apoiado pela Rússia, em fevereiro do ano passado. A tensão entre os dois países após a queda de Yanukovich levou ao confronto que fez com que a Rússia anexasse a Crimeia e gerou uma rebelião separatista pró-russa no leste da Ucrânia.

“É o maior dos cinismos pintar nosso país como um Estado supostamente fascista. Isso é feito para justificar ao povo russo sua própria ação criminal – a agressão da Rússia contra a Ucrânia”, disse Poroshenko.

“Nunca mais celebraremos este dia com o cenário russo que usa a sangue frio nossa vitória como desculpa para suas políticas expansionistas e para manter seus vizinhos na órbita, recriando seu império”, afirmou.

Mais de 6.100 pessoas foram mortas nos combates entre forças ucranianas e separatistas pró-russos no leste da Ucrânia. Segundo Kiev, o conflito foi estimulado pela Rússia. Moscou, que anexou a península da Crimeia, que pertencia à Ucrânia, no ano passado, acusa o Ocidente de orquestrar os eventos que levaram ao levante dos ucranianos que derrubou Yanukovich.

Embora um cessar-fogo exista, de maneira tênue, os militares ucranianos disseram no sábado que os separatistas, apoiados pela Rússia, mantinham ataques com artilharia e morteiros contra as forças do governo no leste e sudeste da Ucrânia. Quatro soldados ucranianos teriam sido feridos em ataques nas últimas 24 horas.

Por Agência Brasil

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir