Política

Roberto Jefferson reassume PTB e diz não ter ressentimento de Lula

Fortemente saudado por seus correligionários, Jefferson chegou animado ao evento - foto: divulgação

Fortemente saudado por seus correligionários, Jefferson chegou animado ao evento – foto: divulgação

Ás vésperas da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, o delator do mensalão do PT, o ex-deputado Roberto Jefferson (RJ), reassumiu nesta quinta-feira (14) a presidência do PTB após ter cumprido pena pelo esquema de corrupção. Ele recebeu o comando da legenda das mãos da deputada Cristiane Brasil (RJ), sua filha.

Fortemente saudado por seus correligionários, Jefferson chegou animado ao evento. Ao ser anunciado, subiu ao palco montado para receber os principais dirigentes da sigla dando socos no ar, imitando um gesto comum entre boxeadores. Antes, ele falou que “não guarda ressentimento” do ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva. “Já passou”, disse.

Ele foi classificado por alguns presentes como um “herói nacional”, “um homem com nervos de aço” e a “imagem e alma do PTB”. No salão do evento, fotos do ex-deputado traziam a hashtag “#eu voltei”.

Em 2005, Jefferson deu início à maior crise do governo Lula ao denunciar o esquema do mensalão em uma entrevista à Folha de S.Paulo. Com as investigações, ele teve o mandato cassado e foi condenado pelo STF em 2012 a sete anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por participação no esquema que desviou recursos públicos para abastecer a compra de apoio político no Congresso no início do governo Lula.

O Supremo, no entanto, concedeu o perdão da pena do petebista em 22 de março deste ano. Relator da execução das penas do mensalão, o ministro Luís Roberto Barroso entendeu que ele se enquadrava no indulto de Natal assinado pela presidente Dilma Rousseff em 2015.

“Ele volta ao comando do partido em um momento oportuno. Quem começou essa luta pela deposição do PT em 2005 foi ele, meu pai, sozinho. Faca na boca, machadinho na mão. Ele merece voltar à cena do teatro político no epílogo do PT no governo central”, afirmou Brasil.

“Você volta ao lugar em que você deve estar. Você sempre teve o respeito de todo o partido, mesmo diante de todas as dificuldades e situações que passou. Os astros se alinharam de uma forma que o trazem de volta neste momento simbólico”, completou o deputado Jovair Arantes (GO), relator do processo de impeachment na comissão especial da Câmara, que aprovou o caso.

Na semana passada, o petebista foi à Câmara dos Deputados pela primeira vez desde que foi libertado. Ele chamou o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de “herói” e defendeu o impeachment de Dilma. Ele também visitou o vice-presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência da República, e prometeu apoiar um eventual governo comandado pelo peemedebista. Nesta quinta, ele afirmou que a presidente “já é uma carta fora do baralho”.

Impeachment

Na reunião da executiva nacional que reconduziu Jefferson ao comando do partido, a sigla também fechou posição oficial pelo impeachment de Dilma Rousseff. A bancada da Câmara já havia se posicionado pela saída da petista. No encontro, a deputada Cristiane Brasil sinalizou que os deputados que votarem com o governo não serão punidos.

“Vamos respeitar com muito carinho a posição contrária de um grupo de parlamentares que, por razões próprias não poderá votar sim pelo impeachment”, disse. Segundo Jefferson, o partido deve garantir 15 votos pelo saída da petista.

No evento, os participantes receberam Pixulekos infláveis e um homem vestido com a roupa do boneco, que imita Lula vestido como um presidiário, circulou entre os presentes.

Por Folhapress

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir