Cultura

Ritmo oriental dá o tom do concerto para celebrar Olimpíadas no Teatro Amazonas

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O espetáculo “Uma Noite de Instrumento Musical Japonês” irá celebrar o confronto Japão x Nigéria, com entrada franca – foto: divulgação

O espetáculo “Uma Noite de Instrumento Musical Japonês” será realizado no Teatro Amazonas, na terça-feira (02), às 20h, com entrada franca. O evento celebrará, dois dias antes, o jogo Japão x Nigéria que acontece pelas Olimpíadas 2016, na Arena da Amazônia, na cidade de Manaus. A realização é do Consulado Geral do Japão em Manaus e da Fundação Japão, em parceria com o governo do Amazonas.

Na programação da noite, três grupos de origens diferentes irão se apresentar: a dupla Yuzo Akahori (Shamisen) e Yoohei Kaito (Taiko), de Taubaté (SP), com o repertório “Odaiko solo”, “Kisetsu no kaori”, “Hajime”, “Tsugaru Jongara Bushi” e “Karin”; o grupo de Koto, de Belém (PA), com as canções “Rokudan no Shirabe”, “Hanaikada”, “Tsuchiningyo” e “Yoguiri no shinobiai”; e o Grupo Fuugakazan Taiko, de Manaus, com a composição “Raku”. “Essa parceria é valorosa, pois nossas raízes possuem vínculos fortes com a cultura nipônica. Dessa forma, fortalecemos nossos laços e divulgamos um pouco das tradições japoneses aos descendentes locais e visitantes”, ressaltou o secretário de Estado de Cultura, Robério Braga.

O concerto celebra o jogo Japão x Nigéria e é um momento de reunir descendentes e amantes da cultura japonesa. “Não é a primeira vez que trazemos eventos como esse para Manaus, dentro do Teatro Amazonas. O espetáculo é lindo e ajuda a difundir nossa cultura. Para quem não conhece, vale muito a pena!”, afirmou Sandra Nagase, assistente cultural do Consulado do Japão, em Manaus.

Instrumentos milenares

Os grandes representantes da cultura milenar japonesa e que estarão presentes no palco do Teatro Amazonas serão os instrumentos shamisen e o taiko, a convite do Consulado do Japão com apoio da Fundação Japão.

O shamisen é um instrumento que mede em torno de um metro de comprimento e possui apenas três cordas. Para tocar é utilizado um instrumento chamado “bachi”. Ao contrário do violão, não há nenhuma marcação (casas) no braço e tudo tem que ser aprendido “de ouvido”. O tsugaru shamisen tem esse nome por causa da cidade onde se firmou o estilo. Conta-se que em Tsugaru, os cegos cobravam para tocar shamisen nas ruas. Era uma forma de ganhar a vida, sem dúvida, mas para cobrar tinha que tocar muito bem. E aqui surgiu um estilo mais vibrante, com batida forte do “bachi” sobre a madeira do shamisen. E esse estilo permite que o músico faça improvisações durante a apresentação, criando espetáculos únicos.

O taiko é um instrumento de percussão, cuja superfície é confeccionada com pele de animal. É tocado com a mão ou com o uso de uma baqueta, mas sempre exige do músico a habilidade rítmica e o preparo físico para sustentar batidas homogêneas e obter som satisfatório.

Todos os registros comprovam que o taiko está presente na história da música japonesa há quase 1.500 anos. O taiko é utilizado, quase sempre, em festividades xintoistas, mas eventos budistas também empregam o taiko.

O tipo de taiko mais utilizado em apresentações no Brasil é o chodôdaiko. São taikos feitos com tronco de madeira cavada. Geralmente, medem de 45 cm a 60 cm de diâmetro, mas podem chegam a 1,50m. Com a escassez crescente de madeiras nobres, os preços de um taiko ficaram muito elevados. Um grande chodôdaiko pode valer tanto quanto um Rolls Royce, e mesmo um de tamanho pequeno pode custar o preço de um veículo popular. Nos últimos tempos, os corpos do taiko são confeccionados com uma resina de uretano, com custo mais reduzido.

Yuzo Akahori e Yoohei Kaito

Yuzo Akahori é um jovem especializado nas técnicas do instrumento shamisen e leciona na cidade de São Paulo. Na bagagem, além de realizar composições com o instrumento, participou do Concurso Nacional de Tsugaru Jyamisen, em Osaka, já deu aulas no exterior (em Lima, no Peru) e participou de concursos no Japão, a convite do seu professor, o renomado Minoru Utida.

Já o jovem Yoohei Kaito é especializado no instrumento taiko, é professor do grupo ShamiDaiko de São Paulo e é o único brasileiro a treinar com o grupo de taiko Kodo, um dos maiores grupos de tambores japoneses do mundo.

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