Cultura

Rio 2016 faz acordo para promover idioma e cultura franceses

O Comitê Rio 2016 e a Organização Internacional de Francofonia (OIF) firmaram hoje (23) um acordo de cooperação para promover, no Brasil, a língua francesa e a cultura dos países onde o idioma é falado. A cerimônia, que seria apenas para assinatura da parceria, acabou sendo uma homenagem às vítimas dos recentes atentados em Paris e no Mali, uma ex-colônia francesa. Logo no começo da solenidade, foi feito um minuto de silêncio.


O músico camaronês Manu Dibango, nomeado pela OIF Grande Testemunha da Francofonia para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, disse que os atentados atingem todos os países de língua francesa e chamou a atenção para o fato de que a Nigéria também foi atingida.

Para Dibango, a parceria firmada nesta segunda-feira permitirá não somente um lugar para a língua francesa nas competições de 2016, mas também a realização de ações conjuntas em nível cultural, educativo e desportivo, que vão promover o pluralismo e o multiculturalismo. “A união dentro da diversidade é a chave para fazer a humanidade mais humana”, destacou o músico.

Dibango destacou que o Brasil, apesar da diversidade interna, tem como idioma o português, mas tudo dentro de um mesmo território, diferentemente da África, que tem diversos países. Ele lembrou que a escolha do nome do lugar onde nasceu teve a influência de portugueses, que notaram a existência de um tipo do crustáceo que vivia apenas em um rio da região e, por isso, passou a ser chamado de Rio de Camarões. “Os portugueses batizaram como Rio dos Camarões e aí começou a fusão com a língua portuguesa.”

O músico informou que, como é Grande Testemunha da Francofonia, vai participar dos jogos mesmo não praticante regular de esportes. Dibango já está prevendo grandes encontros e trocas de informações. “Tocarmos uns com outros e fazer uma comunidade de artistas. Cada um faz seu show, mas também podemos criar coisas espontâneas.”

O diretor Comercial do Comitê Organizador Rio 2016, Renato Ciuchini, disse que o acordo vai permitir o treinamento e a formação de pessoas que vão trabalhar nos jogos, em serviços como recepção das delegações e na área de imprensa, além de atender aos turistas de países-membros da OIF. “É importante estarmos preparados de uma forma que seja fácil para eles se comunicarem. Não é só uma tradução simultânea por alguém que estudou aqui, mas alguém que está integrado nesta cultura”. afirmou.

Uma das ações previstas é a publicação de informações no site do Comitê Rio 2016 por quem conhece a cultura francesa. Ciuchini destacou que começou hoje um pequeno evento cultural e que haverá cada vez mais eventos. “Durante as olimpíadas vamos ter um grande festival, que abrange várias áreas: literatura, música, artes cênicas. Vamos ter várias ações pontuais com a organização para promover a cultura francófona durante os jogos no Rio de Janeiro.”

Ele negou que a parceria tenha surgido por causa dos atentados terroristas, mas reconheceu que essa cooperação ocorrer agora é muito simbólico. “É uma parceria que eles [Organização Internacional de Francofonia] têm com o COI [Comitê Olímpico Internacional] desde Atenas 2004. É algo que estava na nossa agenda, mas fazer o anúncio em um momento tão difícil é muito simbólico e reforça a nossa solidariedade com o que aconteceu em Paris.”

Ainda na cerimônia, junto com músicos da Orquestra Cyclophonica, que se apresentam em cima de bicicletas, Manu Dibango, mostrou um pouco do que vai acontecer no ano que vem, ele tocou no sax duas das mais conhecidas múscias brasileiras Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, Tico Tico no Fubá, de Zequinha de Abreu.

Por Agência Brasil

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