Política

Renúncia acelera corrida entre deputados por presidência da Câmara

A renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) acelerou a corrida entre deputados que tentam cacifar uma candidatura para as eleições de um mandato tampão. O novo presidente da Câmara ficará no cargo por cerca de sete meses, até fevereiro que vem, quando deverá ocorrer uma nova eleição para um mandato de dois anos.

O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), tem prazo de cinco sessões para convocar novas eleições e anunciou que elas deverão ocorrer na próxima quinta-feira (14).

No entender dos adversários ao grupo de Cunha na Câmara, o peemedebista tem interesse em fazer as novas eleições o mais rápido possível, no começo da semana, pois isso atrapalharia a oposição, que teria pouco tempo, com um final de semana no meio, para articular um nome de consenso.

Nas conversas entre os deputados circulam diversos nomes com maior ou menor chance de apresentar uma candidatura: Rogério Rosso (PSD-DF), que seria apoiado por boa parte do grupo ligado a Cunha, Júlio Delgado (PSB-MG), Osmar Serraglio (PMDB-PR), Baleia Rossi (PMDB-SP), Fernando Giacobo (PR-PR), Rodrigo Maia (DEM-RJ), Carlos Manato (SD-ES) e Beto Mansur (PRB-SP).

Dois dos principais parlamentares no páreo, Rosso e Delgado, oficialmente negam ser candidatos. Serraglio e Baleia, que tem o apoio do Palácio do Planalto, podem estar dispostos a sacrificar o mandato tampão em prol de uma candidatura em 2017.

Em entrevista à imprensa concedida horas depois da renúncia de Cunha, nesta quinta-feira (7), Rogério Rosso disse que não é candidato, mas vai trabalhar para um “candidato de consenso” na base aliada do governo interino de Michel Temer (PMDB-SP).

Rosso disse que as eleições deveriam ocorrer “o mais rápido possível” para “evitar um racha na base aliada”.

Júlio Delgado deu início às conversas políticas para definir uma possível candidatura, desejo que ele ainda não assume em público. Delgado disse a interlocutores que na quarta-feira (6) consultou 20 parlamentares mais próximos e que com certeza apoiariam seu nome. Segundo ele, 14 disseram que ele deveria se lançar já para o mandato tampão e seis opinaram que ele deve se candidatar apenas em fevereiro do ano que vem, para um mandato completo na presidência da Câmara.

Dos nomes que estão sendo cogitados, o de Delgado deve ser o menos aceito por Eduardo Cunha. Durante os trabalhos do Conselho de Ética que avaliou denúncia contra Cunha, Delgado fez oposição aberta ao então presidente da Casa.

Delgado já foi candidato a presidente da Câmara, em 2014. Ele ficou em terceiro lugar na disputa, com 100 votos. Eduardo Cunha foi eleito com 267 votos, contra 136 dados a Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Delgado disse a interlocutores que, para ser eleito, seu grupo de apoio, formado pelo seu próprio partido, o PSB, mais o PPS, PDT, uma parte do PSDB, uma do PT e outra do PC do B, deve ter a capacidade de obter votos do chamado “centrão”, formado por 12 partidos com mais de 290 parlamentares. Isso sem descuidar a coesão de seu próprio grupo original. Uma parte do PT, por exemplo, estaria inclinada a apoiar uma eventual candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Por Folhapress

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