Política

Religião e política: você sabe quanto o ‘sagrado’ interfere em uma eleição?

Conforme o Censo de 2010 do IBGE, existem, no Amazonas, mais de 3 milhões de pessoas que se denominam católicas ou evangélicas | Divulgação 

Toda eleição é a mesma coisa: candidatos buscam alianças com líderes religiosos no sentido de garantir apoio e votos de seus fiéis e, dessa forma, lograr êxito nas urnas. Essa procura não é à toa. Conforme o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem, no Amazonas, mais de 3 milhões de pessoas que se denominam católicas ou evangélicas, números que podem fazer a diferença numa disputa eleitoral.

E, de olho nessa estatística, parte dos candidatos que concorrem ao governo do Estado nessa eleição suplementar já “fecharam” alianças com líderes das principais congregações de matriz evangélica, por exemplo.

Para o cientista político, Raimundo Nonato Pereira, e o sociólogo, Marcelo Seráfico, a atitude é normal nesse período, pois o que os candidatos buscam é justamente garantir a captação desse voto que pode ser decisivo num pleito. E, entre as matrizes religiosas, as evangélicas são as mais cobiçadas pelos postulantes ao cargo, que somam uma comunidade de 1.085.480 de fiéis, enquanto os de orientação católica respondem por 2.071.453 seguidores.

Tanto Nonato quanto Seráfico concordam que o voto evangélico acaba sendo o “queridinho” dos candidatos por conta do número de novas igrejas pentecostais que estão surgindo e que são representadas, principalmente, pelas denominações das igrejas Universal e Deus é Amor.
De olho nesse eleitor, o candidato Amazonino Mendes (PDT) fez valer a aliança com o deputado federal Silas Câmara (PRB), que é pastor da igreja evangélica Assembleia de Deus, e fechou apoio dessa congregação que soma, conforme Censo do IBGE de 2010, mais de 400 mil fiéis em todo o Estado do Amazonas.

A primeira aparição de Amazonino em um templo religioso foi no domingo passado (8), quando foi fotografado com uma bíblia dentro de uma igreja Assembleia de Deus Tradicional Madureira. Na última quinta-feira (13), ele participou de outro evento cristão, em que recebeu apoio em massa de mais de mil membros da Assembleia de Deus, dentre eles, 300 pastores.

O candidato da coligação União pelo Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), também já participou de evento evangélico ao lado do vice Marcelo Ramos (PR). Ambos estiveram presentes no 19º Congresso Internacional da Visão Celular no Modelo dos 12, uma das maiores celebrações da comunidade evangélica no Norte do Brasil – que levou mais de 100 mil pessoas ao sambódromo de Manaus, no dia 17 de junho. O evento foi liderado pelo apóstolo René Terra Nova, líder do Ministério Internacional da Restauração, que, no Estado, possui 109.379 mil fiéis, conforme dados do IBGE.

Praticante da religião católica, o candidato do PT, José Ricardo, promoveu a própria candidatura no interior da paróquia de São Jorge, no bairro homônimo, Zona Oeste. O ato foi transmitido pela sua página de campanha na rede social Facebook.

Questionado se terá o apoio da comunidade católica para a própria campanha, José Ricardo garante que a instituição religiosa não apoia nenhum candidato. “Mas os fiéis são convidados a participar da política e a escolher seus representantes, conforme orientação do papa Francisco”, assinalou.

Membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, o governador David Almeida (PSD), principal apoiador da campanha da candidata Rebecca Garcia (PP), afirmou que a instituição não tem projeto político e que não está à disposição de nenhuma candidatura. “A instituição adventista é apolítica e apartidária. Sou apenas um membro da igreja”, frisou.

Na semana passada, após receber denúncias de que os candidatos Amazonino, Braga e José Ricardo estavam fazendo campanha dentro de templos religiosos, o Ministério Público Eleitoral acenou que vai passar a fiscalizar esses locais durante a campanha.

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