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Relatório detalha envolvimento de psicólogos com torturas dos EUA

Relatório de 542 páginas da Associação Americana de Psicologia mostra que psicólogos americanos defenderam os interrogatórios brutais da CIA adotados após os atentados do 11 de Setembro, mesmo depois de profissionais de saúde da agência de inteligência dos EUA terem criticado o programa repetidamente.

Divulgado recentemente, segundo reportagem do jornal americano ‘The New York Times’ publicada nesta sexta (10), o estudo examina o envolvimento dos psicólogos com as brutais técnicas de interrogatório e aponta para a colaboração entre os profissionais e a CIA e o Pentágono.

O relatório conclui que altas autoridades da associação, entre eles o diretor de ética, tentaram agradar a autoridades do Departamento de Defesa alinhando as diretrizes de ética da associação com as técnicas de interrogatório. Além disso, vários eminentes psicólogos fora da associação ajudaram e defenderam o programa das críticas vindas de dentro da própria CIA.

A divisão de ética da associação “priorizou a proteção dos psicólogos, mesmo aqueles que cometeram atos antiéticos, em vez de proteger o interesse público”, aponta o relatório.

Dois ex-presidentes da associação de psicólogos eram integrantes do comitê de assessores da CIA.

Um deles emitiu uma “opinião de especialista” para a agência dizendo que privação de sono não era uma forma de tortura. Depois, ele se tornou sócio de uma empresa de consultoria fundada por duas pessoas que coordenavam o programa de interrogatórios da CIA.

O diretor de ética da associação, Stephen Behnke, coordenou com um psicólogo militar as declarações públicas da entidade sobre interrogatórios e depois obteve um contrato do Pentágono para treinar interrogadores.

O relatório é fruto de sete meses de investigação requisitada pelo conselho da associação.

O envolvimento de psicólogos com o programa de interrogatórios causa controvérsia dentro da profissão há anos. Outro relatório, divulgado em abril deste ano por críticos da associação, chegou a conclusões semelhantes.

Por Folhapress

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