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Relator emplacou aliado no governo antes de votar a favor de Cunha

O deputado Ronaldo Fonseca negou qualquer relação entre a indicação e o relatório que apresentou acolhendo parte dos argumentos de Cunha pela anulação da sessão do Conselho de Ética - foto: divulgação

O deputado Ronaldo Fonseca negou qualquer relação entre a indicação e o relatório que apresentou acolhendo parte dos argumentos de Cunha pela anulação da sessão do Conselho de Ética – foto: divulgação

O deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF), relator do recurso de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), conseguiu nomear um aliado para a direção-geral do Arquivo Nacional às vésperas de apresentar o parecer no qual defendeu a anulação da sessão do Conselho de Ética que recomendou a cassação do mandato do peemedebista.

A nomeação de José Ricardo Marques para a chefia do órgão foi publicada no “Diário Oficial da União” desta quarta-feira (6). Segundo a reportagem apurou, a indicação para o governo do presidente interino, Michel Temer, foi selada na última segunda (4).

Procurados, tanto o deputado do Pros como seu afilhado político negaram relação entre a ocupação do cargo e o relatório apresentado por Fonseca à CCJ.

Ricardo Marques disse à reportagem que sua indicação estava sendo negociada “há mais de 40 dias”. Ele já havia ocupado o posto.

Foi nomeado pela presidente afastada Dilma Rousseff em fevereiro, quando a petista tentava barrar a aprovação de seu pedido de impeachment na Câmara.

Ele admite que, já naquela ocasião, foi indicado “por um grupo de deputados de Brasília, entre eles o Ronaldo Fonseca”. Ficou pouco tempo no cargo, no entanto, deixando o posto três dias após a Câmara aprovar o impeachment de Dilma -Fonseca votou pelo afastamento- no fim de abril.

Questionado se havia se afastado do Arquivo Nacional naquela ocasião por conta do voto de seu padrinho político na sessão do impeachment de Dilma, se equivocou. “É um absurdo você me perguntar isso. Não tem absolutamente nada a ver com o voto do deputado Ronaldo Fonseca na CCJ”, disse, se referindo ao parecer apresentado nesta quarta pelo parlamentar.

José Ricardo Marques é evangélico e ligado à Frente Parlamentar Evangélica da Câmara. O deputado Ronaldo Fonseca é líder do Pros e coordenador da bancada da Assembleia de Deus da Câmara dos Deputados. Cunha também é evangélico e vinculado à Assembleia.

Procurado pela reportagem, o deputado Ronaldo Fonseca negou qualquer relação entre a indicação e o relatório que apresentou acolhendo parte dos argumentos de Cunha pela anulação da sessão do Conselho de Ética que resultou na recomendação de sua cassação.

Apesar de Marques admitir a vinculação de sua nomeação à indicação do parlamentar, Fonseca negou o elo.

“Ele me procurou em relação a um projeto de arquivo nacional. Isso lá atrás. Eu procurei o Ministério da Justiça. Ai, quando ele foi nomeado, o vincularam a mim. Ele é evangélico e vincularam com a Frente Parlamentar Evangélica”, afirmou Fonseca.

Questionado sobre a vinculação a ele novamente agora, disse que não estava nem sabendo da nomeação. Negou que faz indicações em nome da bancada, embora seja líder do Pros e faça reuniões periódicas com o Planalto.

Ao apresentar o relatório pela anulação da decisão do Conselho de Ética sobre Cunha, Fonseca disse que havia tomado a decisão em “defesa do Estado democrático de Direito”. “Sei o quanto serei cobrado pela minha posição. Não tenho receio. Minhas convicções defenderei sempre”.

Cunha esteve com o presidente interino Michel Temer há cerca de dez dias. Desde então, o Planalto ampliou a mobilização para tentar reverter a tendência de cassação do mandado do peemedebista na Câmara.

Por Folhapress

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