Política

Relação com a Petrobras dependia de pagamento de propina, diz empreiteiro

O ex-vice-presidente da Camargo Corrêa Eduardo Hermelino Leite, preso na Operação Lava Jato e atualmente em prisão domiciliar, disse hoje (26) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras que o pagamento de propina era uma “condição [para o] funcionamento” na relação das empreiteiras com a Petrobras. Leite admitiu o pagamento de propina a agentes públicos e privados e se disse arrependido.


“Herdei uma prática e tive que administrá-la”, disse Leite. O empreiteiro informou que exerceu a função de presidente para clientes aprovados na Camargo Corrêa, entre 2005 a 2009. A partir de setembro de 2011, chegou à Diretoria de Óleo e Gás da empreiteira, assumindo na sequência a vice-presidência da construtora.

“Quando cheguei à vice-presidência me foi informado que [isso] era uma condição de funcionamento dentro desse cliente [Petrobras]. As condições eram essas e deveriam ser cumpridas essas rotinas”, explicou Eduardo Hermelino.

Ele entregou à CPI dez depoimentos que prestou à Justiça no acordo de delação premiada. O empreiteiro disse que combinou o pagamento de propina com os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque e também com o doleiro Alberto Yousef, apontado pelo Ministério Público como operador do esquema de superfaturamento de contratos da Petrobras.

“Tive duas reuniões com o Renato Duque para tratar de dívidas referentes a propina e dois encontros com o Paulo Roberto [Costa]. Eles aconteceram fora da Petrobras. Com o Paulo Roberto foi em um hotel em São Paulo e com o Duque na casa do Júlio Camargo [executivo da Toyo-Setal, também preso na Lava Jato]”.

De acordo com Eduardo Hermelino Leite, na Camargo Corrêa o pagamento de propina referente a contratos da Petrobras entravam como “custo” para a empresa, por meio da contratação de consultorias. “Umas consultorias eram pagas por trabalhos majorados e executados e outras por trabalhos executados”.

Aos deputados, o empreiteiro disse que se arrepende de ter participado do esquema. Acrescentou que por causa disso está com o futuro pessoal e profissional “profundamente” comprometidos. “Me fizeram uma pergunta se eu me achava acima do que acontecia, se como vice-presidente teria a capacidade, trabalhando como trabalhei, se outra pessoa tivesse sido nomeada, ela teria feito diferente. Provavelmente, ela teria feito a mesma coisa. Era uma coisa já preestabelecida. Me arrependo de não ter deixado a atividade, mas tinha sido recentemente alçado à vice-presidente de uma grande companhia. Era uma situação muito difícil”, argumentou.

O ex-vice-presidente disse que a empresa não chegou a ser ameaçada caso não pagasse propina, mas disse que se o pagamento não fosse feito a relação com a empresa era prejudicada. “A nossa relação dentro da Camargo Corrêa com o pagamento de propina se dava através dos conhecidos operadores, que eram cobradores contumazes e insistiam no pagamento. Se pedia uma reunião com o diretor da Petrobras só conseguia se pagasse o que era pedido pelos operadores, como o Alberto Youssef”, ressaltou.

Por Agência Brasil

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