Cultura

Regionalismos inspiram experimentos artísticos

A designer amazonense Lara Denys Bonadiman expõe pela primeira vez, durante o 1º Salão Pan-Amazônico de Artes – foto: Divulgação

A designer amazonense Lara Denys Bonadiman expõe pela primeira vez, durante o 1º Salão Pan-Amazônico de Artes – foto: Divulgação

Em cartaz no Manauara Shopping, o 1º Salão Pan-Amazônico de Artes, promovido pela Associação PanAmazônia, destaca os trabalhos de 50 artistas do Brasil e de três países da Amazônia Ocidental (Guiana, Equador e Peru). Entre esses artistas, está a designer amazonense Lara Denys Bonadiman que, desde o último domingo (18), participa com 30 obras, classificadas por ela mesma como “experimentos”.


Essencialmente, a coleção de Lara traz como tema, por sugestão de seu marido, o boi-bumbá. “Eu gostei da ideia e comecei a estudar as origens do boi-bumbá, desde a Europa. Minhas telas trazem referências culturais como o bumba-meu-boi, o maracatu, e personagens como o Pai Francisco e a Mãe Catirina”, explica a designer.

Outros regionalismos, como as questões que envolvem o índio, também fazem parte da exposição de Lara Bonadiman. Ela se concentrou em quatro etnias – xavante, pataxó, caiapó e ianomâmi – para exibir as características distintas de cada uma. “Cada tribo tem a sua expressão, a sua indumentária, e a arte é capaz de ensinar o público sobre determinada cultura”, comenta.

Estúdio

Lara Bonadiman é formada em Design Digital pela Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), pós-graduada pelo Instituto Europeu de Design (Ied), em São Paulo, e proprietária do estúdio de projetos gráficos Farofar. Ela lembra que, desde criança, desenvolveu o que classifica como “um dom natural para o desenho”, mas só agora decidiu investir na área artística.

“Muitas vezes não nos interessamos, nem nos informamos sobre essa área, e acabamos não sabendo o quanto a arte pode ser útil para nós”, observa.

A designer expôs pela primeira vez, durante apenas um dia, no evento ‘Mentes revolucionárias’, em junho deste ano, no Manaus Plaza. Já as 30 telas no Salão Pan-Amazônico de Artes ficam em cartaz até a próxima sexta-feira (23). Como se trata de um projeto experimental, Lara buscou mesclar algumas técnicas de pintura, desde as mais básicas, como lápis de cor em papel simples, até aquarela em papel 100% algodão – buscando sempre materiais que oferecessem a maior durabilidade.

Reprodução

Todas as telas estarão à venda, já emolduradas. “Eu quero oferecer ao público um produto pronto. Quem comprar também vai receber um certificado de autenticidade, de propriedade e um manual com orientações para conservação da obra”, diz. E, quem se interessar por determinada tela que já tenha sido vendida, Lara avisa que poderá produzir uma reprodução personalizada e exclusiva.

“O interessado poderá, por exemplo, sugerir uma nova cor para um detalhe da tela comprada. Essa possibilidade de adaptação é uma forma de aproximar a arte e as pessoas, e cria novos significados para determinado trabalho”, afirma a designer. Ela conta que prefere não pensar em expectativas para a recepção pública de suas obras.

“Eu quero, principalmente, ver como as pessoas reagem ao meu trabalho. Tudo depende do olhar de cada um. Tem gente que vai gostar, tem gente que não vai gostar. Essa, para mim, é uma das belezas da arte”. Futuramente, Lara Bonadiman planeja estudar a técnica de pintura a óleo, na Associação Brasileira de Arte, em São Paulo, e abrir uma galeria para “contemplar artistas de qualidade do Amazonas e mostrar que temos uma beleza própria”.

Por Luiz Otávio Martins

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