Holofotes

Recordista de indicações ao Oscar, Meryl Streep completa 67 anos

Meryl Streep estreou no cinema em 1977, aos 28 anos, ao lado de Jane Fonda e Vanessa Redgrave em “Júlia”. No ano seguinte, foi indicada a seu primeiro Oscar, por roubar a cena de Robert De Niro em “O Franco Atirador”.

Quase quatro décadas depois, a atriz é a recordista em número de indicações na maior premiação da indústria: com 19 aparições nas cédulas e três prêmios, deixa Katharine Hepburn e Jack Nicholson, com 12 indicações cada, comendo poeira -ainda que Hepburn tenha levado uma estatueta a mais para casa.

Seja sofrendo como uma vítima do Holocausto ou cantando “Dancing Queen” em uma ilha paradisíaca grega, Meryl entregou algumas das performances mais emblemáticas das últimas décadas. A reportagem aproveita o aniversário de 67 anos da atriz para listar dez filmes para celebrá-la durante a semana.

O FRANCO ATIRADOR (1978)

No filme que lhe renderia sua primeira indicação ao Oscar, como atriz coadjuvante, Meryl vive Linda, mulher que se entrepõe entre os melhores amigos e companheiros de guerra Nick (Christopher Walken), de quem é noiva, e Michael (Robert De Niro), em um denso drama psicológico sobre a Guerra do Vietnã.

Ao emprestar carisma e substância ao que poderia ser um papel unidimensional -a garota loira e boazinha que espera incansavelmente o retorno do amado-, Meryl mostra a que veio.

NA TV: nesta quinta (23), às 14h50, no TCM.

KRAMER VS KRAMER (1979)
No longa de Robert Benton, a Joanna Kramer de Meryl abandona o marido, Ted (Dustin Hoffman), e o filho pequeno, Billy (Justin Henry), para ir atrás da própria felicidade. A situação instiga o fortalecimento do vínculo entre pai e filho, mas também uma batalha judicial pela guarda da criança.

Repetindo o feito de “O Franco Atirador”, Meryl evita que uma personagem coadjuvante seja mais rasa que o protagonista, transformando o papel que poderia ser encarado como o de uma megera egoísta em uma mulher complexa e humana. Seu esforço foi reconhecido pela Academia, que a premiou com seu primeiro Oscar, ainda como atriz coadjuvante.
NA TV: disponível na plataforma de streaming Netflix.

A ESCOLHA DE SOFIA (1982)
A força do filme de Alan J. Pakula e do desempenho de Meryl Streep como a prisioneira polonesa de um campo de concentração nazista é sentida cada vez que o título é evocado como sinônimo de escolha impossível.

Amante de um soldado da resistência aos soldados alemães, Sofia é capturada e enviada juntos aos filhos a Auschwitz, onde é obrigada a escolher qual criança salvará da câmara de gás.

Após ler um esboço do roteiro, Meryl implorou ao diretor Alan J. Pakula pelo papel, que resultou em uma das performances mais marcantes de sua carreira, carta marcada qualquer lista que se preze dos melhores desempenhos do século 20. Quatro anos após sua primeira indicação, a atriz levaria o Oscar de melhor atriz principal por “A Escolha de Sofia” em 1983.

NA TV: disponível na plataforma de streaming Netflix.

ENTRE DOIS AMORES (1985)
Na pele da baronesa dinamarquesa Karen von Blixen-Finecke, Meryl é uma mulher forte à frente de uma plantação de café no Quênia, no começo do século 20. Em sua empreitada, ela se depara com o machismo e o racismo colonial enquanto se apaixona pelo caçador Denys Finch Hatton (Robert Redford), apesar de já ser casada por conveniência com outro. O misto de força e carência comunicado na performance da atriz lhe valeu sua sexta indicação ao Oscar.
NA TV: disponível no Telecine Play e na plataforma de streaming Netflix.

O DIABO VESTE PRADA (2006)
No papel, Andy, a estagiária temerosa, com o cabelo desgrenhado e pose de boa moça de Anne Hathaway pode ser a protagonista. Em cena, porém, Meryl Streep domina o filme da mesma forma que Miranda Priestly, sua impetuosa editora de moda, subjuga todo um séquito de subordinados na revista fictícia “Runaway”.

Inspirada em Anna Wintour, manda-chuva da “Vogue” americana, Miranda é severa, cínica e seca no trato nos empregados, e de Andy, em especial. Na performance que lhe garantiu sua 14ª indicação ao Oscar, Meryl supera a banalidade dos “filmes de mulherzinha” ao conciliar o gênio intragável da personagem com a vulnerabilidade por trás de sua língua áspera.
NA TV: disponível no Telecine Play

MAMMA MIA! (2008)
Em uma Grécia que dança ao ritmo de Abba, Meryl Streep é Donna Sheridan, cantora aposentada, dona de um hotel na ilha paradisíaca Kalokairi e mãe solteira de Sophie (Amanda Seyfried). Quando a filha decide casar e convida três antigas paixões da matriarca para tentar descobrir qual dos homens a gerou, a antiga artista precisa lidar com o passado, “Mamma Mia!” pode não estar no mesmo patamar de títulos mais célebres da carreira de Meryl, como os que lhe valeram o Oscar, mas há algo de pitoresco em assistir à atriz tentando salvar hits do Abba da voz de Pierce Brosnan.
NA TV: neste sábado (25), às 17h50, no Telecine Touch; também disponível no Telecine Play

DÚVIDA (2008)
Quando de sua 15ª indicação ao Oscar, o maior número de nomeações que qualquer atriz ou ator já recebeu, Meryl Streep disse à Folha de S.Paulo “não conseguir mais sentir a emoção” do prêmio. Elevada a patrimônio do cinema americano, sua presença nas cédulas da Academia já era quase tradição, valor que é um dos motes de “Dúvida”.

Aqui, Meryl é a rígida irmã Aloysius, freira que resiste à renovação da Igreja Católica, personificada pelo padre Flynn (Philip Seymour Hoffman). A tensão entre eles atinge ponto de ebulição quando o clérigo se torna suspeito de abusar de um menino negro da paróquia.
NA TV: nesta quinta (23), às 16h10, no Telecine Touch; também disponível no Telecine Play

SIMPLESMENTE COMPLICADO (2009)
Nem Meryl Streep escapa de uma comédia romântica aqui e ali. Dirigido por Nancy Meyers (“Operação Cupido”, “O Amor Não Tira Férias”), o longa de 2009 traz a atriz na pele de Jane, mulher divorciada há mais de uma década, que passa a ter um caso com seu ex-marido (Alec Baldwin) mesmo após ambos terem seguido com suas vidas.
NA TV: neste domingo (26), às 20h10, na Fox Life

ÁLBUM DE FAMÍLIA (2013)
Após a morte do marido alcoólatra, uma mãe infernal, viciada em remédios, recebe as três filhas e o restante dos parentes em sua casa para um acerto de contas familiar.

Como a megera adoentada e sofrida Violet, Meryl desconta mágoas fictícias em todos os colegas de cena. No ponto alto do longa, após desferir insultos com sua língua ferina, chega a ser agredida por uma das filhas, vivida por Julia Roberts. Com “Álbum de Família”, a atriz chegou a sua 18ª indicação ao Oscar.
NA TV: nesta sexta (24), às 9h, na Fox

RICKI AND THE FLASH – DE VOLTA PARA CASA (2015)
Ricki sempre sonhou em ser uma estrela do rock e, para perseguir este sonho, sacrificou os vínculos familiares. Atingida a maturidade, ela volta para casa na esperança de consertar tudo.

Como a Donna de “Mamma Mia!”, Meryl torna a cantar as aflições de uma mãe complexada. Desta vez, porém, troca os clássicos do Abba por boa música pop -de Bruce Springsteen a Lady Gaga, de U2 a Pink, com direito a “American Girl”, de Tom Petty- e uma reflexão, ainda que rasa, sobre o papel da mulher. A atriz contracena com Mamie Gummer, sua filha na vida real.
NA TV: disponível na plataforma de streaming HBO Go.

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