Cultura

Rádio tradicional ainda tem preferência dos ouvintes, diz pesquisadora

Edilene Mafra é professora e pesquisadora na área de Radiojornalismo -Foto: Acervo Pessoal

As novas tecnologias trazem inovações que, pouco a pouco, começam a transformar a maneira como as pessoas consomem produtos informativos. O rádio é um dos veículos que também passa por transformações para se adaptar à era digital.  Por meio da internet, já é possível acessar rádios do mundo inteiro, em aplicativos de celular. Que mudanças, a longo prazo, isso vai trazer para a vida  do ouvinte? Mais do que inquietude, para quem gosta do meio, a questão é responder a pergunta: Há longevidade para o veículo? Muitos apostaram que o rádio morreria com a popularização da televisão, o que não esteve nem próximo de acontecer. Logo depois veio a internet, o suposto vilão que acabaria com a radiodifusão.

Para a professora e pesquisadora Edilene Mafra, o rádio tradicional continua firme na preferência dos ouvintes.

“O rádio se enraizou na cultura brasileira. Assim que surgiu no Brasil, entrou nas casas das pessoas, tirou muita gente do isolamento. O hábito de ouvir a rádio tradicional é muito forte no Brasil”.

Para a professora, isso ocorre principalmente porque muitos profissionais, como agricultores, motoristas e até donas de casas, costumam tocar suas vidas pelos horários informados nas rádios, além de ser um meio prático de ouvir, para se ter informação e entretenimento. Acredito que o rádio vai migrar para novas plataformas e irá se moldando ao meio. Ainda é prematuro prever o futuro do rádio no Brasil”, afirma.

Com o passar do tempo o rádio foi se renovando-Divulgação

Tecnologia digital

Sobre a tecnologia digital, Edilene comenta a indefinição do sistema. “Infelizmente, o prazo para se definir o sistema brasileiro era até 2014, mas até agora não foi definido. Atribuo isso ao momento político que estamos passando, pois isso demanda decisões que envolvem muitos interesses e precisamos de vontade política para fazer isso andar”, comentou.

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Sobre a questão da rádio na Amazônia, devido ao isolamento de determinadas regiões, é preciso entender como as comunidades isoladas, irão receber, no futuro, o sinal digital.

“Essa questão me inquieta, saber como o rádio vai chegar até nosso caboclo, que mora em regiões distantes. Fico temerosa por esse futuro do rádio na região. Em 2012 foi criado um comitê integrado por profissionais da engenharia, pesquisadores e empresários da comunicação. Esse comitê acompanha os testes com vários sistemas: o japonês, americano e o europeu. Depois da definição do sistema, será definido a legislação do rádio digital e essa legislação vai absorver muitos interesses”, explica a pesquisadora.

Perfil do novo comunicador de rádio

Em tempos de inovação, Edilene explica  que o novo comunicador de rádio deve estar atento as novas possibilidades que surgem no mundo digital. “O comunicador que irá atuar nesse rádio de multi-plataformas precisa ser um profissional versátil.  Pessoas que não tenham preconceitos com novas tecnologias, redes sociais, produção de vídeos. Não haverá mais espaço para radialista tradicional, que se limita apenas ao seu mundo. A linguagem transformou-se, está mais pessoal, a cara das pessoas. É preciso acompanhar essas inovações”, disse a pesquisadora.

Mara Magalhães
EM TEMPO

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