País

Questão sobre corrupção no Brasil é anulada em concurso para diplomata

Alvo de crítica de candidatos, a questão sobre os “altos níveis de corrupção” no Brasil, segundo a visão do governo do Reino Unido, foi anulada em concurso para a carreira de diplomata.

Nesta segunda-feira (24), foi divulgada no ‘Diário Oficial da União’ a lista de candidatos aprovados para a segunda etapa da prova do Instituto Rio Branco. O Cespe, responsável pelo exame, divulgou ainda o gabarito definitivo, após análise de recursos dos concorrentes.

O item sobre a política externa britânica foi motivo de polêmica no início do mês, quando a prova objetiva foi realizada.

A afirmação, retirada do site oficial do Reino Unido para potenciais exportadores, afirmava que o governo daquele país considerava como desafios para realizar negócios os “altos níveis de corrupção” e a “importância das relações pessoais” no Brasil. Para muitos candidatos, o tom fugia do discurso diplomático e do histórico do relacionamento entre os países.

Fases

A primeira fase do concurso possui 73 questões – cada uma delas com quatro afirmações. Do total de 292 itens, sete foram anulados pelo Cespe. No ano passado, foram dez.

O concurso para ingresso na carreira diplomática é um dos mais concorridos da Esplanada: ao todo, 5.271 candidatos se inscreveram para as vagas de ampla concorrência (22). O salário inicial é de R$ 15.005,26.

Agora, 233 concorrentes seguem para a etapa seguinte, uma prova escrita de língua portuguesa. Foram aprovados ainda outros 15 candidatos para as vagas destinadas a portadores de deficiência e 64 concorrentes que se declararam pretos ou pardos.

Cotas

A reserva de vagas para candidatos negros no Itamaraty gerou polêmica neste ano.

A lei de 2014 afirma que a cota de 20% das vagas disponíveis é garantida “àqueles que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso público” e prevê eliminação da disputa caso se identifique “declaração falsa”. Não é explicitado, no entanto, de que forma isso ocorreria.

A ONG Educafro, que combate o racismo, defende que o edital do concurso do Itamaraty preveja um “mecanismo de verificação de autodeclaração”.

Diante do impasse, a Procuradoria da República no Distrito Federal pediu informações sobre o concurso e analisa o caso. Ao todo, seis vagas são destinadas a negros.

Por Folhapress

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