Economia

Queda nos alimentos derruba inflação de fevereiro à menor taxa desde 2000

“Os alimentos têm impacto muito forte no orçamento das famílias”, disse o economista do IBGE – Marcelo Camargo/Agência Brasil

A queda no preço dos alimentos, que ficaram mais baratos em fevereiro, levou a inflação ao menor patamar para o mês desde 2000.

O IPCA, a inflação oficial do país, ficou em 0,33% no mês passado, segundo dados divulgados nesta sexta (10) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A variação é menor do que a registrada em janeiro (0,38%) e em fevereiro de 2016 (0,90%). O IBGE atribui o resultado à queda de 0,45% no grupo alimentação e bebidas.

“Os alimentos têm impacto muito forte no orçamento das famílias e a safra mais favorável favoreceu a oferta de produtos”, disse o economista do IBGE Fernando Gonçalves.

“Este é o menor resultado desde julho de 2010, quando os preços dos alimentos tiveram queda de 0,76%. Ao se considerar apenas os meses de fevereiro, esta é a queda mais intensa desde o início do plano real (1994)”, aponta o órgão.

No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação ficou em 4,76%, bem abaixo dos 10,36% registrados nos 12 meses encerrados em fevereiro do ano passado. Também é menor que o resultado acumulado em janeiro (5,35%).

É a primeira vez que o índice, nessa base de comparação, fica abaixo dos 5% desde junho de 2012. Também é a mais baixa desde setembro de 2010, quando foi de 4,70%.

Alimentos e passagens aéreas

Em fevereiro de 2016, os alimentos haviam subido 0,35%.

De acordo com o IBGE, a deflação dos alimentos foi puxada por itens como feijão carioca (-14,22%), feijão preto (-9,22%), alho (-5,55%) e batata inglesa (-5,06%).

O instituto captou redução nos preços de alimentos para consumo em casa em todas as regiões pesquisadas, indo de queda de 0,39% em São Paulo a queda de 1,57% em Campo Grande (MS).

Houve queda também no item vestuário, de 0,13%.

A principal pressão individual das passagens aéreas, que registraram queda de 12,29% nos preços. O setor de transporte como um todo, porém, teve alta de 0,04% em fevereiro com o reajuste das passagens de ônibus e dos seguros de veículos. Os combustíveis ficaram 0,25% mais baratos.

Gonçalves disse acreditar que a queda nos preços das passagens tenha relação com a menor demanda por viagens.

Com os cortes promovidos pela Petrobras no preço da gasolina, o item combustíveis apresentou queda de 0,25%.

Por outro lado, a inflação do grupo Educação disparou, com alta de 5,04%, refletindo os reajustes praticados no início do ano letivo, de acordo com o IBGE.

O INPC, também divulgado pelo IBGE nesta sexta e que é usado como base para o reajuste dos salários, teve alta de 0,24% em fevereiro, abaixo dos 0,42% de janeiro.

No acumulado de 12 meses, o índice está em 4,69%.

Gonçalves evitou projeções sobre a manutenção da tendência de queda da inflação. “Vamos aguardar os próximos meses”, desconversou.

Para março, há a perspectiva de impactos inflacionários do aumento de passagens de ônibus urbanos e intermunicipais em uma série de capitais, além do aumento do custo da energia, com a adoção da bandeira amarela na conta de luz.

Política de juros

A queda da inflação tem levado o governo a rever a política de juros. Na sua última reunião, em fevereiro, o Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, para 12,25% ao ano.

Foi o segundo corte dessa proporção desde que o BC começou o ciclo de redução da taxa básica, em outubro. O objetivo da redução é melhorar as condições para a atração de investimentos.

Nicola Pamplona
Folhapress

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