Economia

Queda no fluxo de navegação no AM faz profissionais debaterem atividade da praticagem

A crise política e econômica do país que afeta o setor de petróleo e gás, o comércio e a indústria reduziu em 25% o fluxo da navegação no Amazonas, nos últimos seis meses, se comparado ao primeiro semestre do ano passado. O dado preocupa o Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), cuja atividade profissional no Estado cresceu mais de 40%, nos últimos cinco anos, mas que, agora, sofre com a falta de expectativas da recuperação da economia.

O segmento que, no Amazonas, funciona em duas zonas de praticagem, a ZP-01, entre os portos de Macapá (AP) e Itacoatiara (a 176 quilômetros de Manaus), e a ZP-02, entre os portos de Itacoatiara e o de Tabatinga (a 1.108 quilômetros de Manaus), conta hoje com mais 150 práticos, segundo o diretor-presidente do Conapra, Gustavo Martins. Há cinco anos, a região contava apenas com, aproximadamente, 80 profissionais do segmento.

“Há alguns anos, foram observados alguns problemas como, por exemplo, atrasos de navios por falta de práticos habilitados. Mas, hoje em dia, esse problema já foi resolvido e hoje nós temos praticamente o dobro do número de práticos que existiam há cinco anos. Se contarmos com a ZP-03, que é em Belém, na Amazônia são mais de 200 práticos”, disse.

Segundo Martins, o prático é o especialista nas águas que assessora o comandante do navio durante a navegação em águas restritas. “O prático permite que os navios transportem mais carga ou passageiros e que se opere com navios maiores do que os originalmente projetados para os portos. Enquanto o comandante é treinado para manter o navio o mais afastado possível dos riscos, o prático é treinado para manobrar próximo das situações de riscos como obstruções, outras embarcações e terminais portuários”, explicou.

Há 23 anos como prático no Amazonas, José Benedito de Oliveira Silva, da empresa Praticagem dos Rios Ocidentais da Amazônia (Proa), observou que é clara a diminuição do fluxo de navios transportadores de petróleo, granel, grãos, manufaturados e eletroeletrônicos (importação e exportação).

Por conta da queda na demanda do serviço, Benedito disse que o Conapra tem subvencionado o segmento nas ZPs 01 e 02, com recursos para manter a infraestrutura. “Temos hoje zonas de praticagem no país que recebem auxílio financeiro do Conapra, porque a movimentação caiu tanto que não conseguem pagar os funcionários e manter a infraestrutura. Aqui na região não está tão diferente”, afirmou.

De acordo com o prático, os órgãos públicos não atuam de maneira eficaz no monitoramento das águas da Amazônia Ocidental e os práticos suprem, de uma certa maneira, esse trabalho. Benedito explicou que a praticagem, a partir de tecnologias e profissionais especializados em navegação e hidrologia, faz estudos periódicos sobre as condições dos rios, com ajuda de lanchas que navegam de forma precursora antes das grandes embarcações. “Os desafios são maiores nos rios Amazonas e Solimões, que são rios ainda em formação”, disse.

O prático, de acordo com Martins, não tem salário e o ganho médio mensal é de R$ 30 mil, quando há serviço. “Ele é normalmente associado a uma empresa e recebe um pró-labore que varia de uma zona de praticagem a outra e ele pode ter uma participação nos lucros da empresa. Dependendo da época do ano, tem lugares que o prático não ganha nem R$ 10 mil por mês, mas tem outras ZPs que ganham até mais de R$ 50 mil por mês”, disse.

Audiência

Para discutir os desafios da praticagem na Amazônia, a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) realizará hoje (12), às 12h, uma sessão especial, no plenário Ruy Araújo.

Por Emerson Quaresma

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