Política

Quatro presos da Lava Jato são soltos em Curitiba

Quatro presos temporários da Operação Lava Jato foram soltos em Curitiba nesta sexta-feira (8), por ordem do juiz Sergio Moro.

Todos eram empresários que participaram de um consórcio para a construção do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras), no Rio de Janeiro.

Eles são investigados sob suspeita de pagarem propina pelo contrato a funcionários da estatal e agentes políticos, incluindo o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira -que também foi alvo da Lava Jato na última segunda (4), e está preso preventivamente.

Os quatro presos temporários -Genésio Schiavinato Júnior, da Construbase; Edison Freire Coutinho, da Schahin; Erasto Messias da Silva Júnior, da Ferreira Guedes; e Roberto Ribeiro Capobianco, da Construcap- estavam detidos desde o início da semana.

O prazo das prisões vencia nesta sexta.

Tanto a Polícia Federal quanto o Ministério Público Federal entenderam que os quatro “prestaram os esclarecimentos necessários”, e por isso poderiam ser liberados pela Justiça. Moro acatou o pedido.

Confirmações

Do quatro presos, dois admitiram em depoimentos à PF que fizeram pagamentos a Ferreira, então tesoureiro do PT, vinculados à obra do Cenpes.

Segundo as investigações, as empreiteiras usaram contratos de fachada com o escritório de advocacia de Alexandre Romano, delator da Lava Jato, para pagarem os valores. Romano foi quem deu as informações à PF.

O engenheiro Genésio Schiavinato Júnior, diretor comercial da Construbase, confirmou que a empresa fez um pagamento de R$ 2 milhões ao escritório de Romano, a pedido de Paulo Ferreira, por serviços que não foram prestados.

Segundo ele, a ordem partiu da OAS, empreiteira que liderava o consórcio para a obra do Cenpes. O pedido inicial, que teria vindo do diretor da OAS Agenor Franklin Medeiros, era para que a Construbase pagasse os R$ 2 milhões diretamente ao PT. Diante da negativa da empresa, porém, o tesoureiro Paulo Ferreira indicou o escritório de Romano para receber os valores.

Schiavinato disse ter compreendido que os pagamentos se deviam a serviços que Romano havia prestado à OAS. Para ele, a empresa de Romano era “séria”, e ele julgou que não havia qualquer irregularidade.

Já o executivo Erasto da Silva Júnior admitiu que a Construcap fez uma “doação oficial” a Paulo Ferreira, em sua campanha para deputado federal em 2010, por decisão do diretor Roberto Capobianco e a pedido de Romano. Mas disse que os contratos da empresa com Romano eram verdadeiros e que os serviços foram prestados.

Capobianco, por sua vez, afirmou desconhecer qualquer acerto escuso na obra do Cenpes, tanto para beneficiar Ferreira quanto para funcionários da Petrobras.

Campanha

Ainda preso preventivamente em São Paulo, o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira justificou os pagamentos a Romano dizendo que algumas empresas “custeavam despesas de sua campanha” a deputado federal, em 2010, por meio do escritório de advocacia.

Romano, segundo ele, atuava como “captador de recursos”.

As transferências feitas a uma escola de samba, amigos e familiares pelo escritório de Romano, assim, seriam para quitar gastos de campanha.

Por Folhapress

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