Cultura

Público do Rock in Rio critica lama do show de 85 custar metade do ingresso

Enfiar o pé na lama foi o grande barato do Rock in Rio 1985. E saía de graça.

Trinta anos depois, um punhado de barro retirado do terreno que sediou a primeira Cidade do Rock, hoje canteiro de obras da Vila dos Atletas da Olimpíada de 2016, vale R$ 185.

“Impressionante, né?”, diz, com certa ironia, o vendedor de uma loja oficial do evento, que vende o “item de colecionador”: um azulejo de acrílico com a lama prensada. “A galera acredita.”

Nem todo mundo saca que o material não vem sendo preservado há 30 anos – foi retirado “tem pouquíssimo tempo”, diz Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio e filha de seu criador, Roberto Medina.

“Caramba, é tipo pegar terra, colocar num vidrinho e vender por metade do ingresso?”, espantou-se a dançarina do ventre Soraia Borges, 37, que lembra dos pais contando sobre o festival “onde fizeram meu irmãozinho”. Ela pagou R$ 350 para ver Metallica e Korn no sábado (18).

“A gente não tá falando que é isso”, explica Roberta. “Essa lama só tem valor para quem já teve a memória de 1985. É uma brincadeira com o saudosista.”
Diz o texto no verso dos 500 azulejos fabricados para o Rock in Rio 2015: “Operários encontraram pedaços de camisetas, tênis, sandálias, óculos, restos daqueles fantásticos 10 dias ainda agarrados à lama de 85, quando 1.380.000 pessoas estiveram por ali. Agora, um pouco dessa lama é sua. Ela foi feita de terra, grama, areia, água da chuva, suor, lágrimas, cerveja e muita emoção”.

Em 1985, fortes chuvas atingiram o Rio, e o lamaçal fez da Cidade do Rock um pântano. Poderia ter arruinado o evento, mas o público não parecia se incomodar com a versão brasileira, Herbert Richers de Woodstock.

Roberta diz que seu pai ainda lembra de esbarrar “com uma família inteira totalmente enlameada, só dava para ver os dentes”.

Roberto Medina ficou preocupado “que eles estivessem bravos”, conta a filha. “Ele fez um super sistema de drenagem que não funcionou. Mas todos estavam super felizes. Virou uma grande memória.”

Em 2015, o tempo bom não deu chance para o feito se repetir (e a organização garante que está precavida). O máximo que aconteceu foi o Procon autuar o festival por grandes poças d’água próximas à área VIP.

A organização do Rock in Rio não divulgou quantos pedacinhos de chão já foram comprados pelos “saudosistas”. Segundo os vendedores, “poucas dezenas”.

Não é o item mais caro das lojas oficiais. Há um livro sobre os 30 anos do festival por R$ 280. Também dá para comprar baralhos (R$ 20), abridores de lata em forma de guitarra (R$ 30) e almofadas com bigode do Freddie Mercury (R$ 85).

Por R$ 80, leva-se uma das clássicas camisetas “Rock in Rio – Eu Fui”. Com ou sem lama.

Por Folhapress

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir