Política

PT deve manter doações de empresas ‘por enquanto’, diz Rui Falcão

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, recuou da intenção de aprovar a suspensão do financiamento empresarial ao partido já no congresso nacional do PT, que acontece a partir desta quinta-feira (11) em Salvador.

“Há várias propostas. Eu vou apresentar que a gente mantenha como está no momento [o partido aceita doações privadas] e combata duramente a aprovação do financiamento empresarial no Congresso Nacional”, disse o petista à reportagem.

A declaração foi dada nesta terça-feira (10) antes de uma reunião em Salvador com tesoureiros e presidentes estaduais do PT.

A proposta de vetar doações de empresas ao PT foi tomada em abril deste ano, dias depois do então tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, ser preso pela Polícia Federal na esteira das investigações da operação Lava Jato.

A resolução publicada pelo partido definiu que o PT receberia doações apenas de pessoas físicas. A proposta seria oficializada esta semana em Salvador.

Falcão admite que o partido está dividido sobre o tema e parte da militância defende que o veto a doações de empresas seja aprovado imediatamente. “Não tenho ideia de qual proposta vai prevalecer”.

Caso a proposta de Falcão seja acatada, a decisão sobre aceitar ou não doações de empresas será tomada pelo diretório nacional do partido. Desta forma, caberia a um grupo mais restrito dar a palavra final sobre o assunto.

Pec do financiamento

O recuo petista em relação ao financiamento foi decidido após a aprovação em primeiro turno na Câmara da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que permite o financiamento de empresas a partidos.

Para virar lei, a o projeto deve ser aprovado em segundo turno pela Câmara, ser aprovado em dois turnos no Senado e ser sancionado pela presidente.

Rui Falcão, contudo, se diz otimista e acha que “tem muita gente querendo rever o voto” e a proposta não será aprovada.

“Eles rejeitaram o voto em lista, mas aprovaram algo muito pior: deram ao partido o poder do dinheiro. Não seria um problema no PT, mas nos outros partidos que tem chefetes… [seria um problema] Isso pode mudar a votação”, disse o petista.

Por outro lado, caso a doação de empresas a partidos se torne norma constitucional, diz Falcão, o partido deverá discutir qual decisão tomar no novo cenário.

Há uma semana, no encontro preparatório para o congresso feito na Bahia, o ministro da Defesa Jaques Wagner (PT) defendeu que o partido continue a receber doações privadas até que o financiamento público se torne regra.

“Não cabe a nós provarmos que somos mais honestos e, por isso, o PT não vai receber contribuição empresarial”, afirmou o ministro em discurso na ocasião.

 

Por Folhapress

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