Eleições 2016

Propostas de candidatos em Manaus precisam contemplar jovens

 Mesmo com a maioria dos eleitores de Manaus na faixa adulta, os votantes jovens têm ocupado cada vez mais espaço na hora da decisão – foto: Diego Janatã

Mesmo com a maioria dos eleitores de Manaus na faixa adulta, os votantes jovens têm ocupado cada vez mais espaço na hora da decisão – foto: Diego Janatã

Representando 20,4% do eleitorado de Manaus, os jovens entre 16 e 24 anos são um público que tem opinião e que pode decidir uma eleição. Eles somam 257.236 votantes num universo de 1,2 milhão de eleitores da capital.

Entretanto, a realidade desse jovem que reside em Manaus traz à tona uma marginalização em relação às políticas públicas e a falta de planejamento para integrar essa juventude ao desenvolvimento social. Segundo dados do Censo do IBGE, jovens em idade entre 14 e 24 anos – período em que já podem ser inseridos no mercado de trabalho – também representam 20% da população local. Desse total, 52,4% procuram uma oportunidade no mercado de trabalho ou já conseguiram uma vaga laboral, enquanto 33,3% ou 140 mil desse público está desempregado, largado ao ócio e sem perspectivas sociais e econômicas.

A duas semanas das eleições municipais, os nove candidatos a prefeito rechearam seus discursos eleitorais com propostas para a melhoria da cidade, para as áreas de saúde, transporte público, infraestrutura e cultura. E os jovens, que estão iniciando suas trajetórias profissionais, sociais e emocionais? Qual o amparo do poder público no preparo desse caminho? Quais as propostas dos candidatos para este eleitor?

O EM TEMPO foi às ruas conversar com alguns para ouvir suas opiniões a respeito das propostas apresentadas pelos candidatos a eles e ouvi-los sobre seus anseios e projetos. Nas entrevistas, todos relataram falta de apoio da gestão pública, pouco incentivo e programas de estágio, pois essa ferramenta, afirmam, é uma forma de adquirir experiência e conseguir o primeiro emprego.

Para o acadêmico do curso de ciência da computação Marcelo Lima, 20, a principal ausência do poder público é para programas de especialização e oportunidades para o menor aprendiz. “Na minha área, está difícil arrumar um trabalho, há mais vagas para graduado ou para pessoas com experiência. Precisa ter vaga para trainee e estágio, para que a gente consiga ter alguma experiência e ter mais chance. Deviam viabilizar isso”, salientou.

A universitária de comunicação social Rebeca Lucila, 20, ressaltou que o voto dos jovens é muito importante e que representar 20% do eleitorado é um fato que não pode ser ignorado pelos candidatos. “Quando chega essa época de eleição, vão atrás das pessoas mais pobres e de bairros mais periféricos. Mas, não é só eles que votam. Nós também votamos. É necessário ter esse olhar, colocar a gente para ser mais participante nesse mercado, tendo assim resultando em retorno financeiro para nossa cidade”.

Consequências inevitáveis
Com um cenário de poucas oportunidades e falta de apoio, as consequências são inevitáveis, segundo a assistente social Quédma Silva. Na avaliação da especialista, a carência de incentivo no mercado trabalho para os jovens faz com que muitos deles entrem para o submundo do crime.

“A falta de educação por parte da família, juntando com ausência do apoio dos nossos governantes, resulta na perda de muitos jovens para a criminalidade. Você assiste nos noticiários: quando morre alguém, é, geralmente, um rapaz ou moça entre 18 e 25 anos. Então, é preciso criar vários programas de estudos e estágios para que ocupem a juventude, tirando das ruas, dando mais significado para elas”, pontuou a assistente.

Por Diogo Dias

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