Dia a dia

Projeto leva tecnologias de saúde e saneamento básico a municípios do AM

As tecnologias sociais são metodologias ou soluções desenvolvidas junto com as comunidades aliando os saberes populares e científicos – Divulgação

Mais de 2.700 famílias rurais e ribeirinhas dos municípios amazonenses de Borba, Nova Olinda e Itacoatiara vão ser beneficiadas por três projetos de tecnologia social nas áreas de saneamento básico, tratamento de água e saúde. A iniciativa, lançada nessa sexta-feira (10) em Manaus, é uma parceria entre o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), e a Fundação Banco do Brasil (BB). As tecnologias sociais são metodologias ou soluções desenvolvidas junto com as comunidades aliando os saberes populares e científicos para um determinado problema social.

As crianças são o foco principal do projeto. Segundo a diretora-presidente do IDIS, Paula Fabiani, a instituição diagnosticou que é crítica a situação de desenvolvimento da primeira infância nessas localidades.

“O IDIS vem trabalhando nos últimos cinco anos em projetos de desenvolvimento da infância no estado. A gente encontrou nessas comunidades crianças que tem diarreia a cada 15 dias, não tem uma alimentação adequada, e por isso existe também uma questão ligada ao desenvolvimento da anemia. A partir desse diagnóstico, partimos para procurar soluções para esses problemas. Foi aí que a gente encontrou no banco de tecnologias da Fundação Banco do Brasil soluções que poderia ser aplicadas nessas comunidades”, contou Fabiani.

O Projeto “Tecnologias Sociais no Amazonas” conta com o apoio da UEA e da Susam

O município de Borba será o primeiro contemplado pelo projeto a partir do dia 20 de março. Inicialmente será aplicada a tecnologia social de combate à anemia ferropriva, que é a deficiência de ferro no organismo, em escolas alunos da rede pública.

“Esta tecnologia se baseia primeiro em dados antropométricos dos alunos, com medição de peso e altura. Daí se verifica se há sinais de desnutrição ou obesidade. Concomitantemente a isso, será feito um exame de sangue se há a anemia ferropriva. Se ela for diagnosticada, será tratada com sulfato ferroso e também um vermífugo, se for preciso, prescrito por médico. Se for diagnosticado algo mais sério, será encaminhado ao SUS”, explicou João Rodrigues, gerente de parcerias estratégicas e modelagem de programa e projetos sociais da Fundação Banco do Brasil.

Outra tecnologia é a desinfecção solar da água por meio da exposição à radiação UV-A solar e do aquecimento provocado pelo sol. A água fica estocada em garrafas e permanece cerca de oito horas recebendo os raios solares, o que já é suficiente para matar micro-organismos e bactérias que causam diarreia e doenças relacionadas. A terceira tecnologia que será empregada nos municípios é o banheiro ecológico. “É uma tecnologia que evita a contaminação da água por compostos fecais. O banheiro ecológico é desenhado para que o recipiente que recebe esse composto orgânico fique acima do solo e seja fixo por hastes. Se porventura naquela região tiver um alagamento sazonal, a água não entra em contato com o dejeto e isso evita a contaminação da água”, disse João Rodrigues.

O Projeto “Tecnologias Sociais no Amazonas” conta com o apoio Universidade do Estado do Amazonas (UEA), e da Secretaria de Estado de Saúde. A ideia é que a iniciativa também seja levada para outros municípios e estados após os resultados nas cidades amazonenses. O Banco de Tecnologias do BB reúne 850 projetos que podem ser livremente aplicados e acessados por meio do site.

Bianca Paiva
Agência Brasil

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